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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Advogado é sempre inteligente, né?

Inicio o post com uma anedota. Não apenas com o intuito de extrair um pequeno sorriso do leitor, mas para deixar claro que advogar é uma difícil arte...
Três advogados e três contadores precisavam viajar de trem para participar de uma conferência. Na estação, os três advogados compraram um bilhete cada um, mas perceberam que os três contadores compraram um só bilhete.- Como é que os três vão viajar só com um bilhete?perguntou um dos advogados.- Espere e verá - respondeu um dos contabilistas.Então, todos embarcaram.Os advogados foram para suas poltronas, mas os três contadores se trancaram juntos no banheiro. Logo que o trem partiu, o fiscal veio recolher os bilhetes.Ele bateu na porta do banheiro e disse:- O bilhete, por favor.A porta abriu só uma frestinha e apenas uma mão entregou o bilhete. O fiscal pegou e foi embora.Os advogados viram e acharam a idéia genial. Então, depois da conferência, os advogados resolveram imitar os contadores na viagem de volta e, assim, economizar um dinheirinho. Reconheceram a boa idéia dos contadores, porém com a criatividade que é peculiar da própria profissão, resolveram aprimorar a idéia.Quando chegaram na estação, a história se repetiu, ou seja, os contadores compraram só um bilhete. Mas, para espanto deles, os advogados não compraram nenhum.- Mas, como é que vocês vão viajar sem passagem? - um contador perguntou perplexo.- Espere e verá - respondeu um dos advogados. Todos embarcaram e os advogados se espremeram dentro de um banheiro e os contadores foram se espremer em outro banheiro ao lado. O trem partiu. Logo depois, um dos advogados saiu, foi até a porta do banheiro dos contadores, bateu e disse:- O bilhete, por favor...
Sorriu? Não sei...
Mas, na verdade, advogar é bem complicado, iniciando-se pelo fato de que as togas dos magistrados e becas dos causídicos são feitas do mesmo tecido mas, muitas vezes, temos nossas prerrogativas violadas quando no exercício razoável, árduo e legal da profissão.
Por outro lado, temos que lidar com nossos clientes. Não que seja complicado lidar com todos os clientes de maneira geral, mas o advogado, além de defensor dos direitos da parte, também deve ser um pai, psicólogo, conselheiro, amigo, etc. Tudo para que possa, desde o início compreender o que se leva ao seu conhecimento e optar pela melhor solução, sem abandonar o rumo da legalidade, da boa fé, da moral, e, especialmente, da ética profissional.
Em suma, advogado não é sempre inteligente não. Não quer sempre tirar vantagem, ao contrário do que muitos desejam fazer crer. O advogado é um batalhador que tem o direito de desenvolver sua profissão e ter sucesso como todos os outros profissionais, sem que leve o rótulo da famosa "Lei do Gérson", de "tirar vantagem em tudo".
Para tanto, basta planejar, que é a base da lucratividade na advocacia.
Neste sentido, há um interessante texto de lavra de Anna Boranga, presidente da Fenalaw, que trata da questão. Tomo a liberdade de trazer alguns trechos.
Ora, no universo empresarial, ser lucrativo é uma necessidade, um fator de sobrevivência para as organizações. A mesma lógica se aplica ao mercado jurídico, pois todo advogado pretende que seu escritório seja lucrativo. A advocacia moderna tem a sua disposição, hoje, alguns instrumentos de gestão que podem contribuir para que essa meta seja atingida.
Em primeiro lugar é importante o “planejamento estratégico” uma vez que a estratégia é a essência para a realização e alcance de qualquer perspectiva. Neste caso, devemos examinar o ambiente, analisar o mercado, avaliar e detectar os pontos fortes do escritório, que constituem seu diferencial, e também identificar seus aspectos frágeis ou deficiências que podem comprometer os resultados e portanto devem ser neutralizados.
Outro assunto que devemos mencionar são as quebras de paradigmas. Ao realizarmos planejamentos, e principalmente quando executamos tais planejamentos, devemos estar preparados para quebrar paradigmas, estar conscientes de que, para que algumas mudanças ocorram, devemos recomeçar do zero e esquecer tudo o que nos foi ensinado até o momento. Este conceito favorece a inovação e a transformação de sonhos em realidade. Se determinarmos o objetivo de escritório corretamente, então devemos traçar as estratégias corretas para atingi-lo. Neste caso, a estratégia vai determinar o que e como a organização pretende alcançar seu objetivo, vai ajudar a traçar metas compatíveis e adequadas.
Para se elaborar um planejamento estratégico são necessárias três etapas: análise estratégica, formulação da estratégia e implementação da estratégia. Na teoria parece simples, na prática vemos que não é tão fácil assim. Nem sempre os sócios de um escritório conseguem identificar o nicho correto do mercado onde devem atuar, determinar se é melhor crescer ou não, prestar serviços em todas as áreas do Direito ou determinar um foco de atuação. Em resumo, é muito difícil estabelecer o rumo e o diferencial no mercado.
E qual seria a receita para o sucesso ? Sem dúvida será definir objetivos claros e estratégias corretas. Para isso, é fundamental a permanente análise do mercado e da carteira de clientes. Detectada uma nova demanda, é necessário agir com presteza, desenvolver a especialização, promover associações ou contratar especialistas no ramo.
Uma outra opção para a criação de um diferencial para o escritório será determinar um segmento do mercado para prestar seus serviços. Por exemplo, trabalhar para clientes na área de seguros, atendendo em todas as suas questões e conhecendo profundamente seu negócio.
Caso semelhante poderá ocorrer se a opção for selecionar uma determinada área de especialização, e atender clientes de diversos segmentos. Neste caso podemos citar o caso do Direito da Concorrência. Ao contrário da situação anterior, o valor envolvido será substancialmente mais elevado, o volume de trabalho menor e a complexidade maior.
Em todos os casos percebemos que há sempre uma alternativa vantajosa em termos de lucratividade, desde que o objetivo estratégico tenha sido corretamente definido. Um outro aspecto importante é perceber as necessidades do mercado e dos clientes, detectar oportunidades de negócios e estar disponível para alterar o rumo sempre que for necessário.
Uma vez determinados os objetivos estratégicos e estabelecida uma estratégia de ação propriamente dita, serão necessários alguns requisitos entre os quais a delegação de responsabilidades, o estabelecimento de eficazes canais de comunicação, a determinação de metas e etapas. Será com base nesses requisitos que os sócios poderão estabelecer a estrutura organizacional necessária à implementação.
Aqui o controle também assume papel fundamental, especialmente por duas razões: manter os esforços focados no mesmo objetivo e para proceder a ajustes sempre que necessário, devido ao aparecimento de imprevistos. A presença de uma forte liderança é necessária para contrabalançar a resistência às mudanças. Um bom líder usa a cultura do escritório para levar a cabo as suas visões e para ajustar as idéias de forma a influenciar os comportamentos dentro da organização. Uma das principais tarefas do líder é ensinar aos outros sobre estratégia e, como dizer não, pois as escolhas estratégicas sobre o que não se deve fazer são tão importantes quanto as que dizem respeito ao que deve ser feito.
Devido ao caráter humano, durante um planejamento podem ser encontradas diversas dificuldades na sua implementação. O planejamento em si geralmente não contém erros ou resultados desfavoráveis. O que pode ocorrer são resultados não esperados, contratempos ou não cumprimento dos objetivos estipulados. Caberá aos sócios revisar constantemente os planos e determinar as ações necessárias.
Portanto, será que não é hora de pensar um pouco nos próximos passos, de planejar? Talvez, com isso, possamos ter mais sucesso e serenidade no exercício de nossa profissão...
É isso.

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