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domingo, 6 de abril de 2008

Cotas para negros: racismo?

Essa madrugada estava assistindo o programa do Serginho Groisman. Não sei porque, talvez em razão da insonia...
Mas um debate acalorado entre duas jovens bastante esclarecidas - e com palavras deveras contundentes - me chamou a atenção. Novamente o eterno garoto (sei lá se ele tem Síndrome de Peter Pan...) das madrugadas de sábado abordou a questão polêmica das cotas para negros nas academias brasileiras. Teria tudo para ser mais um pocket debate sobre o assunto, não fossem suas protagonistas. A primeira: uma jovem pertencente ao movimento contra o racismo no Brasil, que teceu considerações bastante ponderadas acerca do preconceito velado que se pratica no País, suscitando que o racismo tupiniquim é diferente do racismo do Tio Sam, eis que o nacional é mais sutil, mais delicado, talvez até um tanto anedótico. E a segunda, uma jovem pertencente ao movimento negro-socialista. Achei a garota muito brava, boca-dura p'ra valer!
Confesso que as colocações desta última me pareceram um tanto agressivas e despropositadas. A jovem demonstrou ser bastante politizada, mas partidária de opiniões chavistas com leve tempero trotskista, o que caminha na contra-mão da História. Sustentou, com base na doutrina socialista pura, em linhas gerais que todos têm direito à educação, que deve ser provida pelo Estado, o que rechaçaria a teoria das cotas para "afro-brasileiros", usando uma expressão da debatedora! Achei graça disso, já que tal expressão nada mais é do que uma xerox mal tirada da pseudo-politicamente-correta alcunha dos "imperialistas norte-americanos" aos "afro-americans" (sic)...
No entanto, sem anuir com os motivos, concordo com o posicionamento da garota relativamente às cotas: creio que vagas nas universidades, escolas, academias, sociedade em geral, conforme até pode facultar legislação pertinente, não devem ser definidas por cor de cútis, origem, raça, etc., mas sim diante da condição social, ditada, por exemplo, por aqueles que advém das escolas públicas.
Dizer que alguém faz jus a uma vaga na universidade apenas porque tem pigmentação diferente na pele é no mínimo temerário, já que pessoas, de diferentes raças, cores, credos, etc., podem possuir exatamente a mesma capacidade ou qualidade intelectual ou laborativa, contanto que as tenham exercitado nas mesmas condições de estudo.
Não sei porque resolvi escrever sobre esse tema já tão batido. Talvez porque mais uma vez me lembrei de Querido - e hoje Amigo com "A" maiúsculo - Professor de Direito Penal que iniciou seu curso falando das teorias desenvolvidas pelo criminologista itliano Cesare Lombroso, nascido em Verona no ano de 1835 e falecido em Turim em 1909, cuja obra mais marcante foi L'Uomo Delinquente de 1876, e os princípios da fisiognomia (estudo das propriedades mentais a partir da fisionomia e características físicas do individuo). Lombroso morreu e sua teoria se foi também. Hoje é parte dos livros de História, sem qualquer rigor científico.
Penso que fixar cotas para negros nas escolas, apenas porque são negros (um conceito bastante subjetivo, não?) é, de certa forma, estabelecer uma relação entre a característica física e capacidade intelectual do indivíduo.
Sob meu ponto de vista, é inadmissível, em pleno Século XXI, procurar-se reacender os princípios lombrosianos (repito, os princípios norteadores e não a teoria em ...), para justificar uma posição relativa às cotas nas universidades.
Perigoso, muito perigoso... e, se a lei adota tal principiologia com relação às cotas, amanhã poderá vir com idéias mirabolantes no campo da antropologia criminal lombrosiana. Existirá algo mais racista????
Desta vez fiquei com vontade de ir lá no "Altas Horas" e usar o púlpito do programa para protestar!
Tá aí!

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