Fala-se muito sobre o Caso Isabella, sobre as manobras jurídicas dos Réus no processo, sobre as entrevistas dos familiares concedidas com exclusividade à televisão, mas, o que podemos aprender disso tudo? Que lição podemos levar?
Recebi um mail da advogada Junia Turra, advogada, jornalista, pós-graduada em Economia pela USP, Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, Professora Universitária. Muito interessante o artigo.
Morreu Isabella.
Isabella... não morreu pelo descaso do governo. Se acalmem os profissionais fundadores de ONGs e as aves de rapina que vêm em cada caso de destaque na mídia, a melhor maneira de enriquecer às custas da dor dos outros.
Então, por quem os sinos dobram?
Por uma série de fatores que Freud talvez explicasse mais facilmente do que a polícia. Vejamos...
Isabella Oliveira Nardoni, 5 anos (vítima); Alexandre Nardoni, 29 (pai); Ana Carolina de Oliveira, 24 (mãe); Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24 (madrasta); Pietro, 3 anos e Cauã, 10 meses, filhos do pai e da madrasta de Isabella.
A mãe de Isabella tinha 19 anos quando ela nasceu. O pai, 24.
Quando Isabella tinha dois anos, nascia o primeiro irmao, filho do pai dela com a madrasta. Num relance, parece aquela história da gravidez para segurar o homem que era da outra. Parece?
E o homem da história, alimenta o triângulo amoroso - padrão entre boa parte dos brasileiros - no esquema "dou conta do recado, sou macho". No início faz bem ao ego, mas qualquer animal resolve o problema na horizontal, portanto, o que se espera é postura e atitude no "day after". Assim, o garanhão acaba refém de um mulherio que briga entre si, e que tem solidificado o novo perfil da brasileira: "não tem pudores, não tem limites. Por causa de homem, faz qualquer negócio, desde que ganhe o jogo".
Alexandre, sem maturidade, sem personalidade forte e voz ativa, entrou numa canoa furada. Como diria o inglês Sting quando interpretou um vilão no filme "Duna": "o ser humano é bom e ruim, tem dentro de si todas as facetas. Cabe a cada um escolher qual caminho seguir ou por qual deve se deixar levar".
Isabella, menina carente, que surfava na separação dos pais, pedia: "me carrega no colo, me dá carinho, me ama". São as criancas "bola de tênis": ora jogadas para cá, ora jogadas para lá. Ninguém quer no seu campo por muito tempo.
A alegria da mãe. Não venham me dizer que a outra Ana Carolina , a mãe, conseguiu ficar assim , digamos, tão "zen", pregando felicidade e alegria ao mundo, após perder a filha de forma trágica. Qualquer mãe paulista, carioca, ou que vive nos grandes centros urbanos (principalmente) sabem do que estou falando: quando o filho atrasa cinco minutos, parece que o mundo acabou. As feições se fecham, o corpo enrijece, o coração dispara, a boca amarga. E os avós? O que era aquela tranqüilidade? Estado de choque? No dia de seu aniversário de 24 anos, a mãe de Isabella recebeu a visita de Yves Ota, cujo filho foi sequestrado e assassinado em São Paulo há alguns anos. Ota a convidou para iniciarem uma campanha contra a violência nos estádios de futebol. Isto ficou em segundo plano. Ota ficou tão impressionado com o alto astral da mãe de Isabella que não falava em outra coisa.
Isabella, isabella, tanta meiguice, tanta carência. Envolvida num jogo onde a mãe quer folga da filha, especialmente nos finais de semana para sair com o namorado. E a mãe dá o passe para o "ex", que por sua vez, já tem uma nova família , sem lugar para a filha da ex. E a filha da ex é aquela que será sempre a bola da vez. Assim, um pai sob pressão, uma mãe com outros interesses, uma madrasta de índole duvidosa e match point!
Dou a mão à palmatória se estivermos diante do roteiro de "O Fugitivo". No caso Isabella, se correr o bicho pega e se ficar o bicho come: o mordomo é o culpado. Na falta dele, procurem a maçã envenenada. E quem envenenou a maçã? Nunca foi tão atual a história da Branca de Neve. Isabella não foi, não é e não será a última. Infelizmente.
Moral da história: Deu João Bosco na cabeça: "tá lá o corpo estendido no chão".
Em tempo: Com um texto imbecilóide, Xuxa também se manifestou no caso Isabella. A rainha dos baixinhos defende o fim do castigo infantil, assim como ocorreu com a escravidão e a violência contra as mulheres. Será que ela não leu sobre os trabalhadores escravos no Pará? Não sabe que o Brasil é um dos recordistas em violência contra a mulher e também campeão na impunidade dos autores? A mãe da Sascha vive mesmo no Planeta Xuxa...
Outro Em Tempo: O buraco é mais embaixo. Eu quero saber o que já foi feito ou será feito para que adolescentes criados pelo crime organizado não assaltem e arrastem crianças pelas ruas embalados pela droga e a violência "fashion"... Eu quero saber das crianças que trabalham de sol a sol, quebrando pedra em regime de semi-escravidão nas fazendas do Centro-Oeste ou que são "domesticadas" por empresárias e pessoas inescrupulosas, bem ali na cara da lei, ou, muitas vezes, sendo elas "a lei". Isabella, descanse em paz. Você foi uma vítima do despreparo dos seus familiares, de uma sociedade que trata da vida como troca de roupa, de acordo com o cabelo da Susana Vieira, da nova peruca da Thaís Araújo ou da nova foto da bunda da mulher-melancia.
Desculpe, mas há muitas, muitas crianças precisando de você como anjo por aqui. Que tal você ajudar aquela inglesinha, a Madeleine? Afinal, ela tem pais, que, apesar das intrigas que o alto escalão de pedófilos plantou na imprensa e tentou incutir na opinião pública, a amam e a querem acima de qualquer suspeita.
Isabella, proteja Maddie e tantas crianças anônimas, que, como ela, sofrem o abuso e o descaso dos adultos.
É isso.



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