Instantes depois, um distinto cavalheiro se reúne aos demais confrades, a lareira aquece de forma agradável o ambiente, o vento e a chuva castigam furiosamente a janela, lembrando que o inverno se aproxima, fumaças provenientes de alguns cachimbos se misturam, tornando o ar denso, mas com um aroma agradável, o relógio carrilhão marca exatamente 8:30.
Um homem corpulento, de barba espessa com cabelos e olhos escuros, que até então não estava fumando, provavelmente esperando o último confrade chegar, se acomoda em uma das poltronas, os demais o imitam, formando assim uma espécie de semicirculo em volta da mesinha central, o homem sisudo encabeça o grupo, mostrando ser o dono da casa.
Ele escolhe um cachimbo, um Bent Billiard em Briar, e examina a mesa com os diversos tipos de tabaco à exposição, depois de alguns minutos examinando com tranqüilidade os tabacos, ele opta por uma mistura inglesa, umedece os lábios com a língua, revelando apreço por este tipo de blend que não lhe acarreta qualquer adstringência ou velvet punch. Então, começa o carregamento do fornilho usando o processo de três camadas, pressionando levemente os flakes com seu polegar direito; terminado o processo de enchimento, já realizado tantas vezes ele pigarreia, examina o conteúdo com cuidado verificando a pressão e o fluxo de ar entre o tabaco e, enfim... voilá! acende o cachimbo, e dá uma lenta baforada, revelando um enorme prazer em seu rosto.
Neste momento, o mordomo, em seu segundo dia de trabalho, adentra ao recinto, carregando uma bandeja com um bule de café, uma garrafa de armagnac e duas garrafas de licor, repousa a bandeja na mesa central, ele olha com interesse a cena, e se retira de maneira discreta.
As horas vão se passando e a conversa flui de maneira agradável e cordial, vez ou outra o mordomo retorna para reabastecer o bule de café, em dias de calor também seria servido um bule de chá com limão, bem gelado. Quando o carrilhão soa a última badalada da meia noite, os confrades resolvem terminar a reunião...
Quando o último confrade se retira o mordomo de forma atrevida se dirige ao patrão...
- Meu senhor, não pude deixar de registrar o encontro de hoje, deve ter sido uma reunião de assuntos realmente importantes.
- Não, conversamos apenas trivialidades. Respondeu o patrão.
O mordomo ficou olhando com interesse para o patrão, sabia que ele era uma figura culta, ilustre profissional, firme de personalidade e caráter, assim como os outros cavalheiros, cada um em seu segmento de atividade.
- Normalmente o cachimbo está ligado a grandes personalidades. Continuou o patrão....
- Mas para se apreciar um bom cachimbo não é necessário intelecto, dinheiro ou status, mas apenas bom gosto e sociabilidade, pois são os pequenos prazeres que fazem a vida valer a pena.
- E não há prazer melhor que apreciar um bom e velho cachimbo em boa companhia, boa noite.
É isso.



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