html Blog do Scheinman: O verdadeiro espírito olímpico: será que a China vai mudar?

sábado, 9 de agosto de 2008

O verdadeiro espírito olímpico: será que a China vai mudar?

Rufaram os tambores e a China mostrou uma grande festa.
O temido País Vermelho preparou-se com esmero para a maior festa do esporte mundial.
Não existe espetáculo mais grandioso na Terra do que as Olimpíadas. Superação de limites, desafios, lágrimas da glória ou de desespero se misturam em quadras, tatames e ginásios, numa profusão tão grande e contínua que se perde rapidamente a noção de qual imagem foi mais importante logo no dia seguinte. É o momento em que o esporte mostra a sua real dimensão e todo o poder que possui, ainda que algumas modalidades e campeões manchem o brilho das medalhas com a lama do doping.
A China tenta mudar sua imagem perante o mundo, mudar a mentalidade de seu povo, mostrar que está afinada com a realidade do Século XXI, embora estejamos assintindo a certos espetáculos dignos de pena, tal como uma censura inimaginável nos dias de hoje e outras posturas políticas já consideradas vetustas pelos comunistas mais ortodoxos...
Do que tenho observado, o governo chinês está longe de concretizar as mudanças necessárias em termos políticos, legais e sociais para adequar a situação dos direitos fundamentais no país aos padrões requeridos para a realização do evento que ora se principia, especialmente no tocante aos Direitos Humanos.
O governo chinês continua a aplicar a pena de morte, sem observar os direitos dos acusados, segue intensificando as campanhas de repressão de ativistas de direitos humanos e de juristas envolvidos em casos desta natureza, reforça as medidas de controle sobre os órgãos de informação e a Internet, etc.
De fato, as leis chinesas contemplam a aplicação da pena de morte para 68 tipos de crime, em que se integram ações não violentas como o porte de entorpecentes ou crimes de natureza econômica.
Diretamente relacionado com a construção das infra-estruturas necessárias para os Jogos, o governo deslocou forçadamente milhares de habitantes de Pequim, arrasando quarteirões inteiros da capital e recorrendo a mão-de-obra migrante, forçada a trabalhar em condições que desrespeitam todas as regras das convenções internacionais na matéria.
As violações dos direitos humanos que sucedem na China representam uma afronta a princípios fundamentais da Carta Olímpica relativos à preservação da dignidade humana e ao respeito por princípios éticos basilares de carácter universal.
Houve uma verdadeira "limpeza" em Pequim, o fechamento de escolas e estruturas de apoio social, apenas por se situarem em áreas da capital onde ficarão delegações internacionais, a repressão das minorias étnicas e de ativistas envolvidos em ações de educação e prevenção sobre a AIDS.
A China mantém a intolerância religiosa e estima-se que, pelo menos, tenham sido executados nos últimos anos, mais de dez mil condenados à morte. Um balanço pouco digno do espírito olímpico.
Só espero que o espírito olímpico desses jogos não seja apenas "coisa pra inglês ver", mas que se tenha a responsabilidade de criar um legado positivo para a Cidade e País anfitrião em busca de um futuro melhor.
Tá aí.

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