Fiquei alarmado com notícia que acabei de ler na Folha Online... a saúde do Brasil está realmente doente. Uma pesquisa feita pelo Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, com 3.303 mulheres grávidas, mostra que 42% apresentavam pelo menos uma DST (Doença Sexualmente Transmissível), informa a matéria publicada na Folha.
A maior prevalência encontrada no grupo foi de HPV, doença que pode causar câncer no colo do útero. De acordo com os dados, 40,4% das 3.303 gestantes analisadas tinham o vírus e, na maioria dos casos, tratava-se de HPV de alto risco.
A maioria das gestantes do estudo (79%) tinha até 29 anos e encontrava-se em uma união estável (72,8%). Os questionários e exames foram feitos em mulheres que procuram os serviços de pré-natal do SUS (Sistema Único de Saúde).
Para fazer o estudo, o Ministério da Saúde reuniu, entre 2004 e 2005, informações de 3.303 gestantes atendidas pelo SUS em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza, Goiânia e Manaus.
Os dados sobre as doenças sexualmente transmissíveis são do governo; a pesquisa também revela que o vírus apareceu freqüentemente combinado a outras infecções, como a clamídia -doença que pode provocar parto prematuro.
Segundo Valdir Pinto, chefe da unidade de Doenças Sexualmente Transmissíveis do programa, o percentual de grávidas com HPV não é o mais preocupante, pois só a presença do vírus, sem lesão, não apresenta risco para o bebê.
São os casos de clamídia e sífilis que trazem alerta maior. Depois do HPV, a clamídia é a segunda DST mais freqüente no grupo de mulheres que participou da pesquisa, com 9,4% de prevalência.
A sífilis, na seqüência, aparece em 2,6% das grávidas, seguida pela gonorréia, em 1,5% das gestantes, a hepatite B, em 0,9%, e o HIV, em 0,5%.
"A clamídia e a sífilis podem provocar problemas graves para a mãe e para o bebê, podendo levar à morte fetal e à ruptura precoce da bolsa, por exemplo", afirma o diretor. Ele diz que ambas as doenças são curáveis e de tratamento fácil. "Se não forem tratadas, a clamídia implica maiores riscos para a mãe e a sífilis oferece imenso risco para o feto. "Valdir Pinto afirma que dois dados da pesquisa acenam para as possíveis formas de contágio das gestantes. Quase a metade das grávidas (49,2%) disse que nunca usa preservativo com o parceiro fixo. Além disso, cerca de 17% das mulheres entrevistadas afirmaram que tiveram mais de um parceiro sexual nos 12 meses anteriores. O ginecologista Antônio Carlos da Cunha, professor da faculdade de medicina da UnB (Universidade de Brasília), confirma que as mulheres casadas ou que têm um parceiro fixo ficam expostas ao HPV e a outras DST, em geral, porque é baixo o uso de preservativo em seus relacionamentos. "Normalmente, o HPV está associado a outras infecções também. Há uma correlação alta entre o vírus e a clamídia."
Grávida de quatro meses, a dona de casa C. S., 27, começou o tratamento para sífilis há duas semanas. Ela é casada há seis anos e afirma que só usou preservativo quando ainda namorava seu atual marido. "Descobri que estava doente quando fui fazer o pré-natal", conta ela.C.S., que mora em uma cidade-satélite de Brasília, diz que não contou sobre o problema para ninguém de sua família por se sentir constrangida. "Não sei como peguei a doença, já que meu marido foi o único homem que tive."
Tá aí.



Nenhum comentário:
Postar um comentário