html Blog do Scheinman: E enquanto a saúde morre querem construir 50 usinas nucleares

sábado, 13 de setembro de 2008

E enquanto a saúde morre querem construir 50 usinas nucleares

Enquanto a saúde no país apresenta problemas quase epidêmicos, em mais um arroubo de soberba nossos governantes vêm a público informar que pretendem construir mais 50 - isso mesmo, 50 (cinco - zero!) usinas nucleares no território nacional, com prevalência nas regiões norte e nordeste.
Risível, não fosse trágico, já que nem mesmo Angra 3 foi concluída, no "razoável" prazo de 20 anos...
Para quem viu o Ministro Edison Lobão explicando o mega-projeto, na linha de exposição do ex-presidente JK, desejando nos fazer crer que a turma que está aí conseguirá fazer cinquenta em cinco, até parece uma solução factível, mas nada relacionada com o nosso Brasil, país tão rico em recursos naturais e que sempre teve a energia hidrelétrica como fonte barata e sem riscos, apta a suprir nossas necessidades.
Penso que basta de delírios, de tentar fazer do nosso Brasil uma cópia mal tirada dos países europeus e da América do Norte. Temos que ter nossa própria identidade, aproveitar nosso potencial, nossos recursos, nossas riquezas... e, se não o fizermos, há o risco do Brasil perder ou ver ameaçada sua soberania... os países ricos, por exemplo, já dizem que a Amazônia é patrimônio da humanidade, como se nossas fronteiras sequer existissem.
Seguir na linha de construção dessas usinas nucleares é fazer o jogo daqueles que nos ameaçam. É facilitar a desesperada tentativa feita pelas nações mais desenvolvidas para impedir o progresso do Brasil, procurando quebrar a Integridade do Patrimônio Nacional. Atingindo o Estado Nacional Soberano, enfraquecem-nos, tornando mais fácil disseminar a cizânia entre nós, para procurar evitar que nosso país alcance o patamar de potência emergente, a altura de nossas abundantes riquezas.
Em sua história, o Brasil nunca esteve tão ameaçado, quanto no momento presente. Os chamados "centros de irradiação de prestígio cultural" (meios de comunicação de massa, internet, teatro, cinema e outros) são usados pelos detentores do poder econômico, pelo sistema financeiro internacional, os quais vão utilizando o Diálogo Interamericano, o Consenso de Washington, o G-7, para propagar e impor os seus nefastos propósitos. Através da venda da idéia de que a "globalização" é um fato irreversível, procuram destruir o Estado Nacional Soberano, extinguir as Forças Armadas, fazer vingar a tese da Soberania Relativa, forçar a privatização selvagem, a abertura econômica irrestrita, enfim a derrocada de todas as Instituições Nacionais.
O Brasil não pode "engolir" esse jogo enquanto descuida de seus problemas emergenciais...
Afinal, a globalização nada mais é do que um apelido moderno para o neocolonialismo. Há quatrocentos anos atrás, em plena vigência do colonialismo no mundo, quem iria imaginar que a Inglaterra deixaria de ser o império onde o sol nunca se escondia, algum dia? Que a China, a Índia, os EUA, o Brasil e outros países conseguiriam obter suas respectivas independências políticas e alguns até mesmo a liberdade econômica, apesar do poder militar, representado concretamente pela maior esquadra do mundo, a inglesa? Simplesmente agora as relações de poder são mais sutis. Concederam a independência política, mas mantiveram os laços de dominação econômicos e tecnológicos, além de um controle total dos armamentos de destruição de massa, como os artefatos nucleares.
Somente os eleitos podem possuir este tipo de armamento. Quem cair em desgraça poderá ser destruído e eles não correrão o risco de serem sequer ameaçados.
Esta era a proposta inicial. Através da pressão diplomática e da "lavagem cerebral" empreendida pela mídia mundial, foram impondo estas condições e os países periféricos, administrados pelos representantes dessa oligarquia mundial, foram aderindo, inclusive, recentemente, o Brasil.
Não faço aqui uma crítica aos EUA. A grande potência mundial representa um simples "gendarme" do sistema financeiro internacional, a ponto de não ter o menor significado quem é o seu presidente. As Instituições funcionam em sintonia fina, independentemente de sua nacionalidade ou origem ou de quem seja o primeiro mandatário estadonidense.
A Amazônia, por exemplo, corria mais risco de ser desnacionalizada, em curto prazo, numa administração de Al Gore, que já tinha declarado publicamente diversas vezes não pertencer aos seus possuidores legítimos, mas sim a eles. Mas, com George W. Bush e seus sucessores não é muito diferente. Afinal, não precisam ocupar militarmente a Amazônia para explorá-la, embora já tenham havido ameaças neste sentido...
Alguns países, como Israel, China, Índia e Paquistão reagiram e conseguiram a obtenção de poder nuclear próprio. É um complicador para os "donos do mundo". É uma ameaça para a concretização de seus projetos.
Os efeitos da adoção da globalização no Brasil são calamitosos. Começa pela Cultura. Grande parte da população já está persuadida de que não vale mais a pena lutar contra este "fenômeno irreversível". Consideram-se colonizados de novo. Conseguiram destruir não só a vontade de lutar, bem como sentimentos nobres, legados por nossos antepassados, como amor à Pátria, coragem, persistência na luta pela conquista dos Objetivos Nacionais Permanentes, desapego a bens materiais, esperança de dias melhores não só para esta geração, mas principalmente para as gerações futuras, de muitos brasileiros. Mas ainda existem milhões de brasileiros com vontade de lutar, seja qual for a arma a ser utilizada. Corações e mentes são mais importantes do que aparato bélico.
O pequeno Vietnã ensinou uma dura lição à potência hegemônica do mundo. Contudo, agora, depois de vencedores do conflito bélico, começam a perder a guerra da auto-estima. E esse é o risco que corremos ao tentar "copiar" o "way of life" que não é natural nosso...
Em paralelo, nossa indústria ou é vendida para alienígenas ou fecha. O desemprego continua em torno de 18% da população economicamente ativa, segundo o DIEESE. O cidadão vai perdendo sua dignidade e aceitando remunerações ínfimas, sem a devida proteção trabalhista, através de mecanismos ditos modernos, como a reengenharia e a terceirização. A esperança desaparece.
Continuemos a luta para que o Brasil ocupe o lugar merecido no mundo e nossa população possua uma vida mais digna.
Vamos nos preocupar com aquilo que é realmente importante...
Porque falar em usinas nucleares enquanto quase a metade de nossas grávidas são portadoras de doenças sexualmente transmissíveis???
É isso.

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