html Blog do Scheinman: Pode vir aí mais um buraco do metrô!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pode vir aí mais um buraco do metrô!

Já assistimos a esse filme antes quando um buraco de 40 metros de transformou numa cratera de mais de 80 e a consequência foi a morte de 7 pessoas...
Agora, pouco mais de dois anos depois daquele malfadado acidente em que o povo paulistano assistiu estupefato ao imenso guindaste quase tombando sobre a Marginal Pinheiros e casas próximas, a história está prestes a se repetir, só que desta vez, o cuidado com a mídea tem sido redobrado.
Casas com o piso afundando, com paredes rachadas e até escoradas com pedaços de ferro para não cair. Essa é a situação de pelo menos 20 casas que foram interditadas e de outras 280 que sofreram algum tipo de dano por conta das obras da futura estação Butantã do metrô, na zona oeste de São Paulo.
Os estragos provocados pela obra, que começaram a aparecer em maio de 2007, estão se ampliando desde setembro último, segundo os moradores, depois que o Consórcio Via Amarela, responsável pela obra, iniciou serviços de reparação em um dos túneis da futura estação do metrô.
O reparo teve que ser feito em 40 metros do túnel, em área próxima à rua Sapetuba. Com isso, casas localizadas entre as ruas Alvarenga e Martins, onde não havia relatos de problemas graves, passaram a apresentar rachaduras, infiltrações, rompimento de canos e comprometimento da estrutura, causando a interdição dos imóveis.
Será um aviso?
Conforme reportagem veiculada na Folha, jornalistas seus visitaram o local e observaram que, em um quarteirão da rua Alvarenga, entre as ruas Esperanto e Martins, todas as casas tinham algum tipo de dano. Três delas tinham o piso rebaixado, sendo que uma inclinou para o lado esquerdo e apresenta uma diferença de 20 centímetros entre as extremidades.
Moradores afirmam que todas as reformas necessárias nos imóveis estão sendo feitas pelo consórcio, mas que as obras definitivas só poderão ser feitas depois que as escavações do túnel do metrô terminarem. Com o fim das obras, o lençol freático que passa embaixo dos imóveis deverá se acomodar. Mas isso, ainda segundo os moradores, pode demorar até dois anos.
Até agora, porém, não há nenhum documento garantindo que o consórcio realizará os reparos nas casas afetadas.
O problema maior está no fato de que as rachaduras voltam... o qua adianta "maquiar" as casas se a estrutura por baixo delas está comprometida???
De maio até setembro do ano passado, sete casas já haviam sido interditadas por conta de problemas provocados pela obra. Seus ocupantes tiveram de ir para imóveis alugados ou hotéis, pagos pelo Consórcio Via Amarela, também segundo os moradores.
Também nessa época, várias casas começaram a apresentar algum tipo de avaria. Os imóveis, segundo os moradores, foram reparados pelo consórcio, mas as rachaduras voltaram.
O Consórcio Via Amarela, responsável pela obra, ainda não se manifestou oficialmente, pelo que me conste e, tem efetivamente o direito a tanto. Que o faça até mesmo por dever de diligência e transparência à população.
De nada adianta afirmar que "os riscos de desabamento são quase zero" conforme técnicos do consórcio vêm afirmando aos moradores. Se há o risco, é melhor enfrentá-lo de forma adulta e madura, para que se evite acidentes tal como o ocorrido em 2006, em que muitas perguntas seguem não respondidas, com evasivas, laudos não conclusivos, etc.
Relativamente àquele fato foram apontados diversos erros em vários estágios da obra arrolados dentre as causas da abertura da cratera na linha 4 do metrô que deixou sete mortos no dia 12 de janeiro do ano passado, aí incluída a baixa qualidade do túnel na estação Pinheiros. Não entro aqui no méritos dos laudos e relatórios apresentados, até mesmo porque não possuo conhecimento técnico para tanto. Só sei que deve ser atribuida responsabilidade a quem presta um serviço ou realiza uma obra, pouco importanto a figura contratual atinente à espécie (embora o contrato da linha 4 fosse da modalidade de "turn key", espécie de "engineering" que outorga imensa autonomia ao construtor da obra.
O importante é que alguém deve responder pela segurança, solidêz e bom resultado do empreendimento o que já falhou com a cratera "número 1" e poderá voltar a ocorrer, se não houver a devida prevenção e cautela, se efetivamente surgir a cratera "número 2".
Já se falou na falta de ensaios no concreto (teste que ajuda a assegurar a resistência do material), na ausência ou quantidade inferior à necessidade de fibras de aço e a presença de placas de concreto de apoio às cambotas (arcos) de sustentação do túnel com dimensão menor do que o previsto, economia de material por parte das construtoras, ausência de plano de emergência adequado, etc., etc..
Em contrapartida atribui-se o acidente ocorrido a uma fatalidade sob forma de anomalia geológica, pela presença de um bloco de rocha com mais de 15 mil toneladas sobre o túnel, que teria feito o teto ceder... mas como o monolito (grandão por sinal!) apareceu por lá sem ninguém perceber??? Ou a existência de uma passagem de água servida que não estava mapeada??? Que planejamento foi este??? Que caderno de encargos teve essa obra???
Conforme salientei, não estou aqui no blog a buscar atribuir responsabilidades pelo acidente ocorrido. Há quem o faça e nas Instâncias apropriadas.
Penso que o problema reside na falta de cuidado, na falta de monitoramento, até mesmo da sociedade, para que, ocorrendo anomalias, graves ou não, proceda-se às medições pertinentes a fim de se evitar tragédias futuras.
Ora, se existem suspeitas que acompanham o caso e são confirmadas por constatações "in loco", verificando-se a existência de rachaduras e problemas de segurança no local, providências - não apenas cosméticas - devem ser tomadas a tempo. Também podem ser interrompidos os trabalhos e esvaziado o local, até que tudo seja resolvido. Mas, nada se faz.
Quando se observa a colocação de escoras e remendos que só servem para manter as aparências, chega-se a um quadro inaceitável, especialmente num momento histórico em que o sistema legal dá ampla guarida à responsabilidade civil, inclusive do Estado.
Está feito o alerta. Espero apenas que não sejamos surpreendidos com o "Buraco do Butantã", porque dessa vez, se ocorrer acidente ou morte, "a cobra vai fumar".
É isso.

Nenhum comentário: