html Blog do Scheinman: Uma única palavra sobre a menina Eloá

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Uma única palavra sobre a menina Eloá

Embora a questão seja permeada de forte emoção e clamor público, tomei a decisão de nada falar aqui no blog acerca da tragédia envolvendo a menina Eloá.
Talvez até em memória de sua alma, tão precocemente levada deste mundo.
Mas não posso deixar de reproduzir texto forte publicado em Migalhas, de autoria do advogado Arnaldo Malheiros Filho, cheio de significado:
"Comovedora a atitude da família da menina Eloá que, embora envolvida pela enorme dor dessa tragédia, teve a grandeza de doar seus órgãos para ajudar pessoas desconhecidas que deles necessitavam. Ela faz refletir sobre esse absurdo que é conferir aos herdeiros a propriedade do corpo de uma pessoa falecida, com o direito de determinar que ele egoisticamente apodreça ou vire cinzas, sem fazer o bem a quem precisa. Foi-se o tempo em que cadáver era apenas CArne DAda aos VERmes (do latim caro data vermibus). Hoje ele pode contar a salvação da vida ou da qualidade de vida de seres humanos e ninguém tem o direito de preferir o simples descarte à saúde de outrem. Como não é possível ser proprietário de cadáver, a doação de órgãos deveria ser uma conseqüência natural da morte, independente do que pensem os parentes supérstites."
É isso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá amigo Maurício!
É com muita admiração e respeito que ouso intervir em seu post!
Sou um completo leigo em Direito mas arriscarei tentar expor o que meu coração manda!
Quanto ao texto do Il.mo Sr. Arnaldo Malheiros Filho, concordo com a questão do egoísmo ao privilegiar os vermes a outrem, mas há que se respeitar alguns princípios morais e religiosos antes de se pensar em desapropriar os que conviveram, em vida, com o cadáver.
Isso poderia até dar certo se estivessemos em outro país, mas em se tratando de Brasil, já imaginou as vantagens que teriam nossos nobres Deputados e Senadores com seu "foro privilegiado de orgãos"?
Abraços, Monstro.