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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

US$ 850 Bilhões é o custo da crise nos EUA. E nóis aqui......óóóó

A um custo de US$ 850.000.000.000,00 (isso mesmo... oitocentos e cinquenta bilhões de dólares) a Câmara dos Representantes norte-americana aprovou hoje o pacote de medidas que visam acalmar a economia do País.
Ao que tudo indica o governo do Tio Sam vai utilizar boa parte desse dinheiro (cerca de setecentos bilhões de dólares) para aquisição de títulos podres, sem lastro, que inundaram o mercado e foram, efetivamente o pivô da crise, cujas consequências levarão um bom tempo para ser amenizadas.
Penso que o reflexo disso será sentido com rigor em nossa economia. Fiquei um tanto pasmo quando o Previdente Luiv Ináfio saiu a público declarando que estávamos "blindados" e "com reservas" para enfrentar a turbulência que viria pela frente, como se as exportações não fossem prejudicadas, se as bolsas não sofressem queda, como se não houvesse a fuga de capital estrangeiro ou se nossos investidores não tivessem que zerar suas posições. Tudo, naturalmente, sem falar na normal alta da moeda norte americana, usual, nessas circunstâncias, de absoluta instabilidade econômica.
Os principais pontos do pacote americano consistem em: a) aumento de US$ 100 mil para US$ 250 mil na garantia de depósitos dos clientes bancários; b) ampliação da isenção da "Taxa Mínima Alternativa", o que acarreta menos impostos ao contribuinte; c) vantagens fiscais e outros incentivos para empresas ou pessoas que invistam em energias renováveis (usinas solares ou compra de carros elétricos); d) isenções fiscais para empresas que investirem em pesquisa e para pequenas lojas e restaurantes que gastarem em melhorias; e) a SEC (similar americana de nossa Comissão de Valores Mobiliários) pode proibir o "mark to market" (marcar a mercado), que permite dar a um ativo o preço atual de mercado; f) os contribuintes receberão direitos de compra de ações e se beneficiarão se as empresas ajudadas se recuperarem; g) os ganhos dos diretores das companhias participantes do programa serão limitados; h) os dirigentes não poderão receber bônus milionários quando forem demitidos; i) empresas que remunerem diretores com mais de US$ 500 mil ao ano pagarão mais imposto; j) haverá a criação de um conselho de supervisão do programa.
Na verdade, trata-se de pontos que visam estabelecer certos "freios" a um mercado que se encontrava deveras "alavancado", estabelecendo que os investimentos voltem a ter uma conotação menos agressiva e com um controle mais eficaz.
Tão logo o pacote aprovado (e o foi sem emendas o que evita sua rediscussão) seja assinado pelo Presidente G.W. Bush, adquirirá, de imediato, força de lei, gerando forte impacto na economia, inclusive para o ano de 2009.
Segundo o Fundo Monetário Internacional - FMI - a reviravolta da conjuntura dos EUA pode ser mais violenta e pode evoluir para uma recessão. A zona do euro, no entanto, estaria diante de um cenário de desaquecimento, mais que de um cenário de recessão. Esta diferença se deve principalmente ao comportamento das famílias, diz um estudo elaborado pelo Fundo: os americanos economizam muito menos que os europeus, segundo o FMI.
Nos EUA, os perfis dos preços dos ativos, do crédito total e do endividamento líquidos das famílias parecem similares aos dos episódios anteriores que foram seguidos de recessão, detalhou o FMI.
O tamanho do mercado hipotecário americano, que está no centro da crise, e o papel do investimento sugerem que a economia das famílias e os comportamentos delas de consumo podem desempenhar um papel muito mais importante no desaquecimento atual do que teve no passado.
Em contrapartida, na zona do euro, o vigor relativo dos balanços das famílias coloca a economia um pouco ao abrigo de uma desaceleração brutal. A vulnerabilidade da zona euro pode ser também um pouco reduzida pelo fato de que os sistemas financeiros em inúmeros países tendem a ser menos desregulados que nos EUA, acrescentou o FMI, que ressalta as diferenças entre países, com um crescimento do crédito muito mais forte na Irlanda ou na Espanha do que em outros países e, particularmente, na Alemanha.
A nós, brasileiros, resta acompanhar o desenlace e o desenvolvimento da crise, embora alguns reflexos já estejam sendo sentidos, como, exemplificativamente, a retração das exportações, a contração do crédito, a alta dos juros ao consumidor, etc.
Talvez a maior "pancada" já sentida no Brasil em razão da crise é a forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz o investidores tirarem mais dinheiro.
Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender - oferta elevada - os preços dos papéis caem e os índices (que refletem os valores das ações) desvalorizam.
Para minimizar os efeitos da crise por aqui, tenho visto alguns movimentos por parte do governo no sentido de estudar linhas especiais de financiamento. Entre as possibilidades está colocar mais dinheiro no Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e garantir recursos para ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), mecanismo que permite às empresas oferecer os dólares que receberão por suas exportações como garantia de empréstimos. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também já declarou que o banco de fomento conta com dinheiro suficiente até a primeira metade de 2009 para fazer face à escassez de crédito internacional.
Por fim, há, conforme já explicitei acima, a alta do dólar; em momento de crise, a cotação sobe porque a moeda americana, considerada um investimento seguro, é mais procurada. E o dólar mais caro encarece os importados, o que pressiona a inflação e reduz o poder de compra.
Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos...
É isso.

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