No Judaísmo, o dia mais sagrado do ano é o Yom Kippur, o dia da expiação ou Dia do Perdão como é comumente mais conhecido.
Nesse dia, todos buscam o perdão do Criador por suas falhas e más ações, seja com relação a Ele, seja relativamente ao próximo.
Todavia, o que é importante, é que hoje, Véspera do Yom Kippur - dia festivo por sinal - eis que toda alma apresentar-se-á diante do Grande Rei do Universo e por isto deve preparar-se com alegria e com o coração cheio de fé e boas intenções - temos a oportunidade de procurar o perdão do próximo, e não apenas judeus, mas toda e qualquer pessoa, já que antes de buscar-se o perdão divino, deve haver a reconciliação e perdão com/de cada semelhante.
Por outro lado, o Yom Kippur é um dia que convida a um recomeço. Aliás, o próprio "Kol Nidrei" - oração recitada no início do Yom Kippur, logo ao anoitecer do dia de hoje - prevê a participação daqueles que não estiveram presentes nos serviços durante o resto do ano. Se há um dia pra recomeçar, o dia é o Dia do Perdão.
Na prática, mais do que recomeçar um novo relacionamento com Deus, podemos mudar o rumo de coisas que já nos foram, em algum momento predestinadas. Na interpretação dos sábios, através de oração, arrependimento e caridade, no dia do Yom Kippur, qualquer um tem o condão de fazer com que suas falhas ou pecados transformem-se em méritos e boas ações.
No "chassidismo", uma corrente fortemente presente no judaísmo, diz-se que nesse dia a essência da alma é revelada, marcando-se o ponto através do qual cada pessoa é ligada ao Criador, tal como filhos de um genitor, que não conseguem, de modo algum, separar-se do Pai, deixar de ser filho, idependentemente das circunstâncias.
E, é nesta ligação com Deus que o ser humano deve focar sua existência. Certamente assim terá preservada e bem vista sua relação com o Criador, pouco importando, a partir desse momento, suas boas ou não tão boas ações. Chegando-se ao ponto de ligação com Deus, depois e através de nos sentirmos distantes, os motivos do distanciamento acabam recebendo o mérito da reaproximação.
Analisando-se o Yom Kippur sob este prisma é fácil entender porque é considerado pelo Talmud como um dos dias mais felizes do ano. As penitências, por exemplo, podem ser lidas alegremente, como fizera um dos alunos do Baal Shem Tov - "O Mestre do Bom Nome", um dos grandes lumiares do Judaísmo - numa conotação de alívio: - 'que bom que estamos nos livrando de tantas coisas que não gostaríamos de carregar conosco pra sempre!'.
As portas dos céus não possuem sinetas ou campainhas: estão sempre abertas a todos, suas orações e pleitos, até para o mais distante dos seres ou aquele com o coração mais endurecido...
É uma lição que devemos extrair, não somente para o Yom Kippur, mas para todo o ano. Nossa relação com Deus é muito maior do que o amor de um pai a seu único filho e, o ensinamento vale para todos, de qualquer origem, credo, formação...
Na Bíblia Sagrada, no Novo Testamento, observamos o ensinamento em Mateus 5:23-24, Ele disse: "Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta".
Mesmo numa questão tão básica como a da oferta, a habilidade de observar verdadeiramente as prescrições e ensinamentos divinos é impedida pela realidade de relacionamentos rompidos por causa de nossos atos, atitudes e palavras erradas.
Assim, para que a nossa ligação com Deus seja plena e imaculada, é necessário que se faça todo e qualquer esforço para nos reconciliarmos uns com os outros. Afinal, a ofensa contra o seu próximo pode ser um obstáculo entre você e o Pai Celestial...
Desejo a todos os que me são queridos, especialmente minhas crianças - Karen e Raphael - amigos, alunos, colegas, leitores, visitantes, curiosos, etc., etc., um Yom Kippur de paz, de luz, de boa receptividade em suas orações e que tenham todos uma vida doce de de aproximação com o Criador.
Um beijo,
Mauricio Scheinman



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