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domingo, 9 de novembro de 2008

A eleição americana e o tributo a Ray Charles

Eleito o novo presidente americano e feita aquela imensa apologia à cor de sua cútis - que já fiz questão de criticar aqui no blog na minha postagem "Porque tanto se alardeia que Obama é negro?"- a mídea andou relembrando grandes líderes, personalidades, artistas e outras figuras da história americana na luta contra o preconceito racial.
Mas, não vi uma linha sequer acerca de Ray Charles, de quem sou fã de carteirinha, em razão de minha queda por jazz, blues e soul music.
Em setembro de 1930 nascia em Albany, na Georgia, em meio à Depressão e ao racismo, na mais extrema pobreza, um menino negro chamado Ray Charles Robinson. Aos 7 anos ficou cego e órfão desde os 15. Com apenas 3 anos já começou a lidar com a música e mais tarde matriculou-se numa escola para cegos onde aprendeu a ler e escrever partituras em braile. Aos 15 anos formou-se e começou a tocar em bailes de música negra. Daí prosseguiu sua carreira e em 1959 teve seu primeiro sucesso: "What I´d say". E não parou mais... Foi um dos criadores da música soul, fundindo em seus trabalhos o country, blues, gospel, jazz e ainda o som das "big bands".Em junho de 2004, com 73 anos de idade, veio a falecer.Sinal maior de seu talento é a perenidade de suas músicas que continuam agradando a sucessivas gerações.
Mas não é na sua biografia, cheia de altos e baixos que desejo fulcrar essa postagem, biografia esta, aliás, que já serviu de roteiro de filme extraordinário("Ray", EUA, 2004) e que outorgou ao seu protagonista uma daquelas cobiçadas estatuetas douradas pela atuação como melhor ator(Jamie Foxx, Oscar 2005).
Quero focar minha reflexão num episódio deflagrado por Ray Charles em seu estado natal - a Georgia - e na canção de sua autoria "Georgia on My Mind".
"Georgia on my mind" foi um dos ícones de sua riquíssima musicografia quando passados 21 anos de ter sido banido de seu estado natal, lhe foi reconhecido o seu êxito como hino estadual.
De fato, Ray Charles recusara-se a tocar num espectáculo segregado. Chegando ao local do show e verificando que alí havia uma manifestação por haver segregação racial, não sendo permitida a entrada de negros ao espetáculo, Charles, como forma de protesto anti-racista, não realizou a apresentação, sendo banido do estado, tendo o episódio grande repercussão no mundo artístico e na mídea. Em razão do malfadado acontecimento, compôs a citada canção "Georgia on My Mind, realmente, mais tarde, eleita hino oficial do estado da Geórgia, como forma de compensar o racismo do passado.
De fato fato, a recusa de Ray Charles em tocar ou apresentar-se publicamente somente para brancos, como lhe impunham, foi um decisivo impulso à luta pelos direitos civis dos negros.
E, nessa enxurrada de menções à luta anti-racial norte-americana, seu nome deveria ser lembrado.
É isso.

2 comentários:

Guilherme Freitas disse...

Ray Charles fou uma figura muit importante para os negros americanos. É uma injustiça o nome de Ray Charles passar em branco, tendo em vista tudo que ele fez em sua vida. Abraços.

joao Assis disse...

Mauricio,
Você falou de uma coisa realmente importante,Ray Charles,também ajudou a causa contra o preconceito,vi o filme,brilhante e acredito que como ele tiveram tantos outros heróis que fizeram sua voz ser ouvida,outros nomes surgirão,mas o feito está consolidado,é a forma de mostrar que a esperança sempre prevalece,parabéns pela feliz lembrança.
Um grande abraço,amigo.