Sobre as eleições americanas o Presidente Luiv Ináfio declarou: "Pode ser que não haja muita diferença ideológica entre democratas e republicanos quando se trata de política externa. Mas, do ponto de vista simbólico, este mundo elegeu duas vezes um torneiro mecânico no Brasil, um índio na Bolívia, um bispo no Paraguai. Os Estados Unidos vão eleger um negro e isso não é pouca coisa. A sociologia terá que ser repensada ou reinventada".
Mais uma vez nosso "batonier" - e, Sr. Presidente, batonier não é quem usa batom não!!! - não foi feliz em sua colocação.
Ora, não se discute aqui o voto nas minorias.
Lula não foi eleito porque é torneiro mecânico, tampouco Morales porque é indio ou Obama deverá ser eleito porque é negro.
Fazer uma suposição dessas é no mínimo uma demonstração de desinformação, para não dizer temeridade.
Esta semana num interessante editorial no Jornal da Globo, Arnaldo Jabor teceu alguns comentários acerca da candidatura Obama, que, efetivamente, rompe paradigmas.
Natural que, como todo candidato na política, tem suas demagogias ou promessas que certamente não serão cumpridas, mas de fato Obama chegou lá, fazendo a compreensiva esposa de Clinton, o charuteiro, comer pó.
Obama foi uma surpresa até mesmo para os americanos mais liberais: é negro, liberal, culto, fez o próprio dinheiro e tem nome muçulmano.
Obama é tudo o que o Tio Sam sempre criticou e rejeitou, mesmo quando vestido de democrata. Outros democratas menos radicais do que Obama foram sumariamente tirados de circuito, a exemplo dos Kennedy, friamente assassinados ou de Clinton, pivô do malfadado escândalo do sexo sem sexo com a rechonchuda estagiária da Casa Branca.
Como disse o Jabor, "Obama não é importante como novo presidente apenas, ele será a maior virada da história americana: a América se auto criticando, aceitando o rejeitado histórico, o negro cuspido, o solitário que não representa corporações. Obama nasceu nos anos 60, junto com a integração racial, com os direitos humanos. Obama é o jazz, a sexualidade livre, a liberdade da contra cultura. Ele é uma porrada no mundo republicano de preconceito, violência, burrice, da pulsão de morte.
Se Obama não ganhar, a América vai decair como suas torres do 11 de setembro.
Neste mundo do “conto do vigário”, das finanças alavancadas, Obama é mais que um candidato; ele é uma síntese de idéias, é a tomada do poder das conquistas cientificas, culturais e éticas da modernidade.
Voltarão a razão e a inteligência, que foram escorraçadas da América nos últimos anos.
Obama não é o novo. Ele é o velho. O bom e velho humanismo, a velha grandeza esquecida do mundo ocidental".
Portanto, nosso presidente achar que Obama deve ser eleito porque simplesmente é negro é absolutamente risível. No mínimo sou forçado a crer que Lula não tem a exata noção do que ocorre no certame eleitoral norte-americano.
Lula deveria saber que o povo americano agora quer romper padrões: deixa de ter como ídolo um branco, wasp, representante das elites, para dar margem ao que chama, com maestria, de "novo-velho", no resgate de consagrados valores empregados como arcabouço aos princípios legais, democráticos e humanísticos que serviram de base ao sucesso ao estado de direito evoluído que impera nos EUA.
Fico aqui conversando com meus botões: quiçá nosso Lula tivesse o estofo de Obama.
Certamente estaríamos não só em mãos de um torneiro mecânico, mas de um torneiro mecânico muitíssimo melhor preparado, fosse ele branco, preto, índio ou um clérigo.
Tá aí.



Um comentário:
Concordo que o Lula fez infeliz nessa colocação, mas principalmente pelo que acho justamente o oposto.
Obama pode não ser por ser negro. O que faz sentido com a colocação de Jabor, já a derrota de Obama seria a afirmação de um país racista e aí a "América vai decair como suas torres do 11 de setembro".
Tanto que Obama só não está disparado nas eleições por esse motivo. Palavras de Harold Ickes.
Change, can we? Tomara que a resposta se a mesma de Obama.
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