html Blog do Scheinman: O barulho da carroça

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O barulho da carroça

Hoje me deparei com uma grande injustiça, sacanagem das boas.
Lembrei-me de uma fábula que bem representa aqueles que sabem "gritar", manipular as palavras, mesmo que os estragos sejam graves. De fato, da palavra lançada, não há volta.
Vamos à historieta:
"Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque.
Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:
- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi: - Estou ouvindo um barulho de carroça.
- Isso mesmo, disse meu pai, é uma carroça vazia...
Perguntei ao meu pai: - Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora, respondeu meu pai, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho.
Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz!
Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura inoportuna, prepotência, julgando precocemente e desejando demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, sem se preocupar com as consequências de seus atos, tenho a impressão de ouvir o meu pai dizendo: "...Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz!"
É isso.

2 comentários:

Volney disse...

A fábula narrada revela, com bastante simplicidade, uma realidade da natureza humana. A observação do comportamento humano cotidiano demonstra que, na maioria das vezes, a carência de instrução torna o indivíduo mais suscetível a perder o controle com maior facilidade.

Monica Quinta disse...

Uma realidade que observamos diariamente. Creio que pessoas "carroças cheias", tenham tais características pois assim podem observar e deter em sua "carroça" o conteúdo do que lhes passa diante dos olhos. Enquanto as tais "carroças vazias", extrapolam pois nada perdem. Não perdem o conteúdo de sua carga, nem o que vislumbram adiante, já que nunca os tiveram. Se apegam então, à única coisa que possuem, o barulho de sua "carroça".