html Blog do Scheinman: A redução de estômago e seus efeitos psicológicos

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A redução de estômago e seus efeitos psicológicos

Apesar de eu não ter feito tal cirurgia, conheço algumas pessoas que a fizeram. Os períodos iniciais após o procedimento exigem uma readaptação radical no modo de vida, pois atinge um dos sentidos humanos mais aguçados que é o do apetite e da necessidade de reposição de calorias dispendidas.
A maioria das pessoas passam por esta fase muito bem, porque os resultados na perda de peso são rapidamente sentidos e isso tem um efeito psicológico muito favorável, aumentando a auto-estima pessoal. O fato de pequenas porções de alimento saciarem plenamente a fome, é um efeito muito positivo.
Mas...
O corpo humano é resultado de milhões de anos de luta pela sobrevivência da espécie. Todas as células de nosso organismo são voltadas para absorver nutrientes vitais incessantemente.
Aqueles cordões invisíveis que nos orientam e manobram sempre na direção das substâncias alimentares, também agem dentro do inconsciente, alertando quando algo está nos impedindo a nutrição.
E daí, criou-se uma base cultural do homem da busca e da ingestão do alimento. Alimentar-se é uma espécie de cerimonial estabelecido ao longo dos tempos. Sentar-se à beira do fogo e observar uma carne no espeto ou uma panela de caldo fervente nunca deixou de ser um tipo de cerimônia religiosa, coletiva ou individual. Há, como sempre houve pessoas, que acima de qualquer coisa correm ou corriam por um prato de comida. Que por uma "coxinha" ou por uma deliciooooooosa trufa de chocolate "vendem" sua alma...
Assim como, um dos elos mais importantes da cadeia familiar, é sentar-se em grupo à mesa para comer. Um casamento, um batizado, uma comemoração por um feito notável, mesmo uma cerimônia fúnebre envolvem rituais alimentares. É só refletir um pouco para confirmar este fato, aparentemente tão simples e corriqueiro. Quando você, quase que instantaneamente corta essa faculdade a um ser humano, você estará, mesmo que com o melhor e mais saudável dos propósitos, cometendo uma violência.
E isso sempre tem um preço a ser pago. Normalmente, as cirurgias redutoras do estômago são recomendadas nos casos de obesidade mórbida, como medida de preservação da vida e da saúde.
Em outros casos com a finalidade de emagrecimento, a medicina prefere os mais jovens pela simples razão de não terem ainda consolidado os hábitos alimentares como uma rotina de vida da qual não podem sair sem graves danos psicológicos, entre os quais, a depressão.
Por outro lado, as cirurgias contra a obesidade podem até atrapalhar a coordenação motora. Médicos alertam que problema é causado por deficiência de vitamina. A cirurgia de redução de estômago pode causar perda de memória e atrapalhar a coordenação motora, alertaram cientistas na revista científica especializada "Neurology". O problema é causado pela deficiência de uma vitamina, a B1. Só nos Estados Unidos, mais de 170 mil cirurgias contra a obesidade são realizadas anualmente. O problema é conhecido como "encefalopatia de Wernicke" e afeta tanto o cérebro quanto o sistema nervoso quando o organismo não absorve quantidades suficientes da vitamina.
Em alguns casos, podem ocorrer até problemas de visão. A doença também aparece em casos de desnutrição grave e alcoolismo. Segundo os cientistas, os primeiros sintomas surgem entre um e três meses após a cirurgia, e são mais freqüentes em pessoas que vomitam muito após o procedimento - geralmente por comerem mais do que seus estômagos reduzidos suportam.
Alguns dos pacientes pós-cirúrgicos chegam até a apresentar outros problemas neurológicos não relacionados à encefalopatia de Wernicke, como convulsões, surdez, fraqueza muscular e dormência nos pés e nas mãos. O líder do estudo, Sonal Singh, da Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, no estado americano de Carolina do Norte, pede que pessoas que passaram pela cirurgia consultem um médico imediatamente caso comecem a sentir um dos sintomas acima.
De 32 pessoas avaliadas pelo grupo de cientistas que sofreram o problema, 13 conseguiram se recuperar totalmente através do consumo de vitamina B1 por soro ou injeção. As demais, no entanto, continuaram apresentando os sintomas. Segundo Singh, mais estudos precisarão ser feitos para verificar quão freqüente é o aparecimento desse efeito colateral entre todos os pacientes de cirurgia de redução de estômago.
Por outro lado, um levantamento feito pela psicóloga Maria Isabel Rodrigues de Matos, do Ambulatório de Obesidade Mórbida da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), SP, mostra que em cerca de 20% dos pacientes que se submeteram à cirurgia bariátrica emergiram problemas psicológicos. O pior desses dados, segundo a especialista, é que os casos tendem a se agravar à medida que o paciente não leva adiante o tratamento com uma equipe multidisciplinar, no pós-cirúrgico.
Os transtornos podem ser provocados pelo medo de comer e engordar ou a não adaptação à nova imagem.
"A obesidade é uma doença crônica e deve ser tratada a vida inteira. Não é porque o paciente fez a redução de estômago que o problema acabou. Todo o processo de adaptação ao emagrecimento rápido e ao novo corpo deve ser acompanhado de perto por vários motivos, entre eles para a adaptação à nova imagem corporal", orienta a psicóloga.
"Essa preocupação é grande porque não são poucas as pessoas ansiosas, deprimidas e compulsivas que, se não acompanhadas com atenção, tendem a desenvolver outros transtornos.
Os problemas mais comuns são bulimia ou anorexia, compulsão por compras, drogas ou sexo, alcoolismo, dependência de drogas e, no limite, até tentativas de suicídio", justifica a psicóloga.
Para Maria Isabel, o medo de voltar a engordar é tão grande que certas pacientes podem desenvolver os transtornos da bulimia ou anorexia, justamente depois da fase mais difícil de adaptação à convalescença, aquela em que a perda de peso ocorre mais rapidamente: os três primeiros meses.
Ou seja, mesmo após esse período, continuam a reduzir drasticamente o consumo e ficam anoréxicas. "Outras, que extrapolam nas quantidades, sentem- se culpadas pela comilança e acabam provocando vômito ou diarréia, como forma de expulsar o excesso ingerido. Pronto: até chegar nesse estágio, já desenvolveram a bulimia", explica.
"Sem contar que existem pessoas que não conseguem viver com tamanha privação alimentar. Não acham mais graça na vida, mesmo tendo a consciência de que essa era a única alternativa para ter saúde, e, então, caem em depressão", complementa Maria Isabel.
E não é difícil encontrar pacientes que trocam a comida por outro tipo de compulsão. "Eles substituem o objeto de desejo. Na verdade, o problema tinha começado lá atrás. Antes, eles trocavam a falta de afeto e a ansiedade pela comida. Tinham uma fixação pelo ato de comer, sua rotina girava em torno disso. Quando são operados, ficam privados do seu grande prazer", explica.
"Precisam ir em busca de outra fonte de prazer, que de um modo geral foca nas compras, nos jogos, no sexo ou no álcool", diz a psicóloga. Depois da operação, mudam também as relações sociais, até porque muitas estavam estabelecidas em função da obesidade.
"É bom lembrar que o cirurgião opera o corpo, mas não a cabeça, e alguns pacientes não conseguem suportar tantas mudanças", complementa Daniel Lerario, endocrinologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. (Pesquisa e Imagem: Revista Dieta Já - 06/2007).
Portanto, caros leitores, nas hipóteses em que se faz necessária a cirurgia bariátrica ou redução de estômago - quando o paciente logicamente não consegue emagrecer por seus próprios meios ou apresenta quadro de obesidade mórbida - é imperioso o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Antes um(a) gordinho(a) simpático(a) e bom(a) da cabeça e que possa fazer uma boa dieta do que um(a) ex-gordo(a) operado(a) que esteja ruim das idéias...
É isso.

3 comentários:

RODRIGO disse...

Olá Maurício
estamos passando por uma verdadeira cruzada apos a cirurgia de um primo meu, ,hoje o estado dele é lastimável, o alcoolismo tomou conta das suas açoes, gostaria de saber se vc tem informações sobre algum especilaista em encefalopatia de Wernicke, já que graças à blogs esclarecedores como o seu estão me dando diretrizes sobre como podemos ajudá-lo, caso eu possa entrar em contato com vc meu e-mail é: rodrigo_otavi_55@hotmail.com.
Espero que vc possa continuar ajudando.Obrigado.

ººAnny disse...

olá Maurício
Eu me preparo para fazer minha redução..é realmente mto dificil..mais quem vai fazer,tem q estar bem consciente doq esta fazendo..no meu caso,eu estou 60% pronta..mais é sim uma grande mudança..uma nova viida!
se qser entra em contato sera um prazer..msn: leflor15@hotmail.com
abraços

Diane disse...

Sei que a postagem é velha, rs, mas estou preocupadíssima. Fiz redução de estômago há 4 anos e não me encaixo em nenhum desses perfis totalmente desequilibrados que você propôs no seu artigo para os ex-gordos. Cuidado ao generalizar. Abraços!