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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O Pequeno Príncipe visita o Planalto Central

Conta Saint-Exupéry em "O Pequeno Príncipe":
"O planeta seguinte era habituado por um bêbado. Esta visita foi muito curta, mas deixou o principezinho mergulhado numa profunda tristeza.
- Que fazes aí? - perguntou ele ao bêbado, que se encontrava silenciosamente acomodado diante de inúmeras garrafas vazias e diversas garrafas cheias.
- Eu bebo - respondeu o bêbado, com ar triste.
- Porque é que bebes? - perguntou-lhe o pequeno príncipe.
- Para esquecer - perguntou o beberrão.
- Esquecer o que? - Indagou o principezinho, que já começava a sentir pena dele.
- Esquecer que eu tenho vergonha - confessou o bêbado, baixando a cabeça.
- Vergonha de que? - perguntou o príncipe, que desejava socorrê-lo.
- Vergonha de beber! - concluiu o beberrão, encerrando-se definitivamente seu silêncio.
E o pequeno príncipe foi-se embora, perplexo.
"As pessosas grandes são decididamente estranhas, muito estranhas", dizia para si mesmo durante a viagem.".
Depois de muito tempo, estou relendo a magnífica obra de Antoine de Saint-Exupéry, anotada e comentada, e não pide deixar de refletir sobre esta paquena passagem que, de alguma forma relaciona-se, no meu modesto entendimento com a situação que assola nosso País.
Frequentemente, no Brasil - e o exemplo começa como pensou o Pequeno Príncipe das "pessoas grandes" - as situações são perpetradas através de círculos viciosos até que se encontre uma solução, também viciosa ou negativa para resolvê-las. O indivíduo bebe? Portanto bebe mais para esquecer que bebe!
O País entra em crise e vem o líder máximo da nação, o nosso Luiv Ináfio e insiste: - comprem, comprem bravileiroffff!!!! Promete, em adição aos diversos benefícios já outorgados ao povo - às custas do próprio povo - que não haverá crise. E é convincente nisso, não podemos negar.
De fato, o consumo aumenta, já que para acelerar o consumo os juros ficam estacionados, os preços baixam, o comércio entra em liquidação extemporaneamente, etc. A mídia, por sua vez, reporta a verdade. As vendas no período de festas aumentaram relativamente ao mesmo período do mês anterior.
Vêm Luiv Ináfio à TV e alardeia: - Estão vendo? Onde está a crise? O consumo aumentou! Não tem crise no Brasil. Por isso mesmo é que agora temos também um Fundo Soberano, bla, bla, bla, bla. Apenas se esquece de dizer que, na miúda, no dia 24 de dezembro editou Medida Provisória destinando R$ 14,2 bilhões do Orçamento de 2009 para o tal fundo soberano. É mais paulada no povo...
Fiquei aqui imaginando como seria um diálogo entre nosso presidente e o Pequeno Príncipe, além do inicialmente transcrito, já que o Luiv Ináfio bebe porque gosta e não para esquecer que bebe... Aliás, ninguém bebe Romanée Conti safrado apenas para ficar de pileque ou para esquecer de alguma coisa. No começo eu até achava que era exagero o Lula beber um vinhozinho que custa uns US$ 3500 a garrafa, mas agora acho que ele já aprendeu a apreciar... pelo menos assim espero, senão seria um desperdício!?!?!?
De fato, se Lula recebesse uma visita do Pequeno Principe, seria providencial, tal como o o rei que afirmara ao pequenino que nada sabia porque ainda não teria dado uma volta por seu reino. Diante de tal informação o Pequeno Princpe pode dar uma olhadela do outro lado do planeta do rei, mas também não conseguiu ver ninguém. Talvez estivessem nos labirintos, subterrâneos, gabinetes, tramando contra o rei? ou contra o povo? ou contra a nação?
Em seguida disse-lhe o rei: "- Te julgarás a ti mesmo. É o mais difícil. É bem mais difícil julgar a sí mesmo que julgar os outros. Se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio."
Penso que nosso Lula deve acordar, ou deixar de fingir que está dormindo. Fazer de conhta que recebeu a visita do Pequeno Principe e que diante das filosofagens do rei de Saint Exupéry, teve a coragem de julgar a si mesmo, não sendo apenas espertalhão, mas genuinamente sábio.
Senhor Luiv Ináfio, já está mais do que na hora de parar de beber para esquecer que bebe. Já está mais do que na hora de parar de fazer campanha para lembrar-se de que efetivamente é o Presidente da República. Já está mais do que na hora de fingir que nada sabe para nada mesmo saber. Já está mais do que na hora de jogar a sujeira e a bandakha para baixo do tapete.
Mais uma vez, tem a chance de receber a visita, mesmo que fictícia, do Pequeno Príncipe, do pequeno principe que vive no coração de todos nós, que representa a moral, os bons costumes, o que é escorreito, o que é justo e o que é lídimo... caso contrário, mesmo com seus índices de popularidade altos (porque o povo ainda acredita no que assiste na televisão...) sua memória será perpetuada como o rei que bebe e que nada sabe de seu reino...
É isso.

Um comentário:

Marcelo disse...

Acho que o Lula está usando a estratégia do Guido, personagem de Roberto Benigni em “a Vida é bela”. Não sei se assistiu ao filme, mas, em um campo de prisioneiros nazista na II guerra, ele tenta o tempo todo criar uma realidade para o filho que está escondido com ele. Toda vez que vejo um pronunciamento na TV, lembro-me das histórias de Guido. E prossegue como se estivesse falando a milhões de Giosué, o menino que ele tentava preservar das agruras do local e do tempo que viviam.
Não sei o que fazer em uma situação dessa. Não é defender o Lula não.. longe disso. Mas chegar na TV e abrir o verbo... sei não. Acho que os efeitos seriam desastrosos, pois queiram ou não ele é um líder político.
Abraços

Marcelo