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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Petrobrás: a carta na manga de Lula

Quando o senador Tasso Jereissati há cerca de um mês noticiou que a Petrobrás havia tomado um empréstimo na CEF, a direção da empresa fez um escarcéu. Acusou-o de estar insinuando que a estatal estava com dificuldades.
Há duas semanas, com grande animação, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, anunciou vivamente que a companhia não abandonaria as previsões de investimento para 2009. Assegurou, também, que - mesmo com o petróleo a menos de 50 dólares - os investimentos no pré-sal são viáveis.
Na semana passada, Dilma Roussef, que continua como uma espécie de "ministra de fato" das Minas e Energia e preside o Conselho de Administração da Petrobrás, garantiu que os investimentos iniciais do pré-sal estão assegurados.
No final desta mesma semana, sem maiores detalhes, a não ser a informação de que a situação precisa ser analisada mais detidamente, o Conselho da Petrobrás adiou para janeiro a revisão do Plano Estratégico.
Diante das incertezas na economia mundial, ainda não como fazer esse planejamento com segurança. Mas, pergunta-se: todos os investimentos não estavam rigorosamente assegurados?
Na verdade, a empresa dirigida por Gabrielli e supervisionada por Dilma, precisa ainda definir dois pontos antes de soltar seus novos planos de investimento: a) sua capacidade de gerar caixa e b) a disponibilidade de financiamentos externos.
Nos dois casos, há complicações:
Com a queda do preço do petróleo, a companhia está ganhando mais dinheiro com a venda de combustíveis. Em algum momento, porém, terá de fazer algum ajuste para baixo. Até para reduzir as pressões sobre a inflação e abrir espaço para o BC acelerar a diminuição da taxa de juros. Além do mais, a empresa poderá ser chamada a dar uma contribuição maior para o Tesouro cumprir as metas de superávit fiscal.
Por outro lado, não se tem a menor idéia de quando e em que condições o mercado internacional de crédito se normalizará. Mesmo para uma empresa como a Petrobrás, grau de investimento e tudo o mais, haverá dificuldades. Quando a empresa, fugindo a seus padrões, foi buscar dinheiro na CEF é porque encontrou cofres vazios no Exterior.
A Petrobrás fará qualquer sacrifício e qualquer mágica para manter intocado, ainda que no papel, seu plano de investimentos nos próximos anos. Por questões de ordem econômica - Lula aposta na empresa para tentar manter o crescimento da economia em tempos de crise internacional - e por "razões" de ordem política: o pré-sal é um dos carros chefes da campanha presidencial de 2010 da ministra Dilma Roussef.
Ou, se ela não emplacar, de outro ungido de Lula para derrotar a oposição. Não há como, também, pelas mesmas razões, de adiar o início - a famosa pedra fundamental - das quatro novas refinarias da empresa prometidas a governadores e políticos. Chegou-se a falar, nos últimos dias, na suspensão dos projetos das plantas do MA e do CE. Foi uma correria para desmentir. Criar indisposições com Sarney e Ciro Gomes? Lula, animal político excepcional que é, já sentiu que não é impossível fazer de Dilma sua candidata e sucessora. Mas já viu também, depois que a "marolinha" chegou, terá de fazer um "esforço" muito superior ao que imaginava antes dos atropelos econômicos. (Fonte: Migalhas)
Tá aí.

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