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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Postura de professor: algumas dicas aos novos

Estava aqui fazendo minhas contas e já sou Professor de Direito há quase vinte anos.
Não se trata de fazer aqui um "esta é minha vida". Aliás, tenho muita ainda o que a fazer nesta que escolhi ser minha profissão, meu sacerdócio.
O que pretendo neste post é transmitir algumas dicas, noções que fui absorvendo durante esta minha jornada no magistério. O professor precisa ser um comunicador. Muitas vezes ator. Precisa prender a atenção do aluno.
E, é justamente sobre estas idéias de comunicação do professor, leigas e despretensiosas, que passo, brevemente a discorrer.
Acredito que em primeiro lugar o professor deve ser o mais natural possível. Nada de fazer "pose". Nada de fazer "tipo". A precisão no transmitir da matéria é essencial, mas, cometer um ou outro erro imperceptível ou ter algum lapso de memória durante uma aula ou apresentação em público, mas comportar-se de maneira natural e espontânea, é ter a certeza de que os alunos ainda poderão acreditar em suas palavras e aceitar bem a mensagem. Se, entretanto, o professor usar modernas técnicas de comunicação, mas apresentar-se de forma artificial, a sala, certamente duvidará de suas intenções.
Também creio ser imperioso que o professor, por mais experiente que seja, tenha sempre em mãos um roteiro sobre o que irá falar. Ao menos uma sinopse de sua aula ou exposição. Dependendo do grau de experiência do professor e de sua segurança pode apenas usar anotações com as principais etapas da exposição e frases que contenham a essência das idéias ou utilizar-se de escritos mais detalhados. De qualquer maneira, o importante é se, a memória falhar o roteiro estará à mão para socorrê-lo.
Outrossim, existem técnicas modernas das quais o professor pode se socorrer para melhor utilização de seu roteiro, tais como as conhecidas apresentações com base no programa Power Point, facílimo de operar. Permite que a sala vislumbre e acompanhe o roteiro, sem necessidade, prima facie, de utilização do quadro-negro, e ao mesmo tempo que o professor, tenha sempre em vista, os tópicos que deseje abordar. Mas relito: tópicos. Considero entediantes aquelas aulas ou palestras em que o professor simplesmente lê sua apresentação em power point, como um mero reporter diante de um "teleprompter". De meu lado, ainda preciso aprimorar a utilização da técnica. Confesso que ainda me sinto um tanto "engessado" pela parafernália eletrônica... o medo de me adiantar ao próximo slide me aflige!!! Ou de me deter demasiadamente num certo tópico também... ou de clicar errado no mouse, embora hoje existam verdadeiras maravilhas eletrônicas para se operar o power point. Aliás, ganhei um mouse de presente especial para power point que parece um vídeo game. Resumindo: ter um roteiro à mão é essencial ao professor; primeiro porque não pode confiar na sua memória. Segundo porque deve ter uma sistemática a seguir; terceiro para ter a segurança em não se perder em sua exposição.
O professor também deve ter uma linguagem correta. Uma escorregadela na gramática aqui, outra ali, talvez não chegue a prejudicar sua apresentação. Afinal, quem nunca cometeu deslizes gramaticais que atire a primeira pedra. Entretanto, equívocos grosseiros poderão prejudicar a sua imagem e a da instituição que estiver representando. Hoje, asssitindo às notícias logo pela manhã ví nosso querido Previdente Luiv Ináfio falando a alguma platéia e de repente lançou uma de suas pérolas: "Há crive no efterior, é nóiv aqui fífu!"... Ora isso não é coisa que o diga o chefe maior da nação. O mesmo aplica-se ao professor. Pode até usar-se de humor e licenças poéticas de vez em quando. Falar uma ou outra besteira (eu aliás o faço e defendo o uso do humor pelo docente, como já postei matéria a respeito aqui no blog) é até salutar para prender a atenção do alunado, mas sempre com limites. Mas, as falhas gramaticais crassas são imperdoáveis, especialmente ao Professor de Direito.
Também não sejamos extremistas. Já foi-se o tempo em que o professor era o ser mais temido, sisudo e taciturno da terra. O verdadeiro bicho-papão. Sempre parti do princípio de que o bom professor deve estar próximo do alunado para transmitir conhecimento, não o fazendo pela imposição, pela força, como se sugeria em tempos mais remotos...
Penso também que ser bem humorado é bom para o professor. Nenhum estudo comprovou que o bom humor consegue convencer ou persuadir os alunos. Se isso ocorresse, os humoristas seriam sempre irresistíveis. Entretanto, é óbvio que um professor bem humorado consegue manter a atenção dos seus alunos com mais facilidade. Se o assunto permitir e o ambiente for favorável, nada obsta que o professor use sua presença de espírito para tornar a preleção aula ou apresentação mais leve, descontraída e interessante. Cuidado, entretanto, para não exagerar, pois o professor que fica todo tempo gracejando acaba por perder a credibilidade.
Porém, nada é mais importante ao professor do que preparar-se para sua aula. Saber o máximo que puder sobre a matéria que irá expor, isto é, se tiver de falar 15 minutos, saber o suficiente para discorrer pelo menos 30 minutos. Não se contentar apenas em se preparar sobre o conteúdo, treinar também a forma de exposição. Fazer exercícios falando sozinho, ou se tiver condições, diante de uma câmera de vídeo, especialmente na fase inicial de carreira. Reinir um grupo de amigos, familiares, colegas de trabalho ou de classe, e conversar bastante sobre o assunto que irá expor. Uma dica importante: o aluno não é bobo; percebe quando o professor não está preparado para falar sobre determinado ponto do programa. E, muitas vezes tripudia, testa o professor e, nada pior ao docente do que a conhecida "saia justa" em sala de aula. De fato, o risco existe, já que em determinados assuntos, especialmente na Faculdade de Direito, muitas vezes o aluno tem a vivência prática de alguma matéria, em razão de caso que esteja vivenciando no escritório em que estagie ou em pesquisa que esteja realizando. Não há qualquer vergonha ao docente em dizer: "não conheço o posicionamento, irei estudar" ou "prometo-lhe uma resposta para a próxima aula" ou "traga o caso concreto para análise em sala". É muito melhor do que chutar ou apresentar uma invencionice qualquer.
Nada obsta também que o professor se utilize de recursos audiovisuais. Usar, mas não abusar. Tomar cuidado com os excessos. Em adição aos nossos comentários acima sobre o uso do power point em sala de aula, um bom visual deverá atender a três grandes objetivos: destacar as informações importantes, facilitar o acompanhamento do raciocínio e fazer com que os alunos lembrem-se das informações por tempo mais prolongado. Portanto, não use o visual como "colinha", só porque é bonito, para impressionar, ou porque todo mundo usa. Observe sempre se o seu uso é mesmo necessário.
Também é importante falar, transmitir a matéria com emoção. Falar sempre com energia, entusiasmo, emoção. Se o professor não demonstrar interesse e envolvimento pelo assunto que estiver abordando, como é que poderá pretender que os alunos se interessem pela aula ou pela matérias? A emoção do prefessor tem influência determinante no processo de conquista dos alunos.
Por outro lado é essencial ao professor obedecer a uma pequena regra, muito simples por sinal: ter começo, meio e fim. Primeiramente, o docente deve anunciar o tema que será abordado. Em seguida, deve transmitir a mensagem, passar a matéria, sempre facilitando o entendimento dos alunos. Se, por exemplo, desejar apresentar a solução para um problema, diga antes qual é o problema. Usar toda a argumentação disponível: doutrina, jurisprudência,pesquisas, estatísticas, exemplos, comparações, estudos técnicos, científicos etc. Se, eventualmente, perceber que os alunos apresentam algum tipo de resistência, defender os argumentos refutando essas objeções, esclarecendo dúvidas, trazendo novos exemplos, etc. Depois de expor os argumentos e defendê-los das resistências dos alunos, dizer claramente qual foi o assunto abordado, para que a sala possa guardar melhor a mensagem principal. Nesta toada, deve o professor insistir para que os alunos reflitam sobre as propostas da matéria, se necessário, socorrendo-se de seminários, fichamentos ou textos para leitura.
Penso ainda que o professor deve ter uma postura correta, evitar os excessos, inclusive das regras que orientam sobre postura. Alguns, com o intuito de corrigir erros, partem para os extremos e condenam até atitudes que, em determinadas circunstâncias, são naturais e corretas. Assim, cuidado com o "não faça", "não pode", "está errado" e outras afirmações semelhantes. O professor deve preferir seguir sugestões que dizem "evite", "é desaconselhável", "não é recomendável" e outras semelhantes... além de mais cordatas, são menos agressivas.
O postura física do docente também pode ajudar bastante. Evitar apoiar-se apenas sobre uma das pernas e procurar não deixá-las muito abertas ou fechadas é aconselhável. É importante a movimantação do professor diante dos alunos para que realimentem a atenção, para que seja destacada uma informação, reconquistada parcela do auditório que está desatenta, etc.. Caso contrário, é preferível que o professor fique parado. Destarte, é também necessário cuidado com a falta de gestos, mas é preciso cautela ainda com o excesso de gesticulação.
Finalmente, é aconselhével ao professor que procure falar olhando para todas as pessoas da sala, girando o tronco e a cabeça com calma, ora para a esquerda, ora para a direita, para valorizar e prestigiar a presença dos alunos, saber como se comportam diante da exposição e dar maleabilidade ao corpo, proporcionando, assim, uma postura mais natural. Evitar falar com as mãos nos bolsos, com os braços cruzados ou nas costas, também é de bom tom.
Em suma, eis algumas dicas que julgo de boa valia àqueles que pretendem fazer suas exposições, dar suas aulas, palestras, etc. Podem ser de boa valia ou ajuda.
É isso.

2 comentários:

Perfume de Afrodite disse...

Esse seu post é uma verdadeira aula. Gostei muito! Sou professora de Português há 18 anos e concordo com tudo o que expôs. Sobretudo, saliento a questão do "não fazer tipo". Temos que ser autênticos, sem querer parecer uma coisa que não somos. Adorei, Maurício! Beijos!

John Alban disse...

Oi professor!
Gostei da sua aula. Aprendi bastante aqui. Também sou professor e já cometi minhas "pérolas" na sala de aula. Entretanto não foram
muito grandes.