html Blog do Scheinman: Presidente do TJ do Espírito Santo é preso

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Presidente do TJ do Espírito Santo é preso

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (9/11) o presidente do TJ-ES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo), desembargador Frederico Guilherme Pimentel, além de outros dois desembargadores e um juiz, suspeitos de integrar um esquema de manipulação de processos e venda de sentenças judiciais no Estado.
Também foram detidos pela operação batizada de Naufrágio três advogados, uma servidora do TJ e um membro do MP-ES (Ministério Público do Espírito Santo), flagrado com a posse de armas e munições restritas.
Os sete mandados de prisão temporária e as 24 operações de busca e apreensão foram autorizados pela ministra Laurita Vaz, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que desde abril comanda o inquérito sob segredo de Justiça. Segundo o STJ, a ação do suposto grupo criminoso teria se concentrado também em tráfico de influência e nepotismo, expedientes utilizados para facilitar o direcionamento dos processos para juízes ligados ao esquema de compra de decisões judiciais.
Ainda de acordo com a nota, esse é o primeiro inquérito judicial totalmente digitalizado na Corte Especial do STJ, o que agiliza a tramitação e facilita o acesso dos advogados ao processo.
Os presos serão transferidos para a sede da Polícia Federal em Brasília, onde deverão ser interrogados por Laurita Vaz. Segundo a PF, as investigações que resultaram na ação desta terça-feira derivam da operação Titanic, deflagrada em abril de 2008, que desarticulou um esquema de importação subfaturada de veículos no porto de Vila Velha. (Fonte: Última Instância).
Visando evitar a tradicional especulação e pirotecnia, a Procuradoria Geral da República editou comunicado esclarecendo os pormenores do caso, cujo texto segue:
"Estão sendo cumpridos hoje, 9 de dezembro, pela Polícia Federal, 24 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária no Espírito Santo - endossados pelo Ministério Público Federal e autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os mandados são conseqüência das investigações feitas no Inquérito 589, que corre em segredo de justiça, sob a relatoria da ministra Laurita Vaz.
O inquérito investiga o suposto envolvimento de desembargadores, juízes, advogados e servidores públicos em crimes contra a Administração Pública e a Administração da Justiça no Espírito Santo. O delito consistia no patrocínio e na intermediação de interesses particulares perante o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ/ES), para obtenção de decisões favoráveis e outras facilidades que pudessem ser conseguidas por meio da interferência dos agentes públicos em troca de favores e vantagens pessoais.
As investigações do Inquérito 589, apelidado de Operação Naufrágio, surgiram no decorrer da Operação Titanic, que apurou eventuais crimes de falsidade ideológica, evasão de divisas, sonegação fiscal, corrupção ativa, tráfico de influência, quadrilha, entre outros, relacionados com o comércio exterior, cometidos por uma suposta organização criminosa. Foram descobertos fortes indícios de envolvimento dos investigados com membros do Poder Judiciário estadual capixaba em negociações para obtenção de decisões judiciais favoráveis aos seus interesses, mediante o oferecimento de vantagens indevidas.
Como havia investigados com prerrogativa de função, o STJ instaurou o inquérito judicial, pois esse tribunal é competente para investigar e processar magistrados. O subprocurador-geral da República Carlos Eduardo Vasconcelos é o membro do MPF responsável por acompanhar o inquérito, por delegação do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza.
Foram autorizadas as prisões de três desembargadores, um juiz de Direito, dois advogados e mais a diretora de Distribuição do TJ/ES. Além disso, foram expedidos mandados de busca e apreensão em 24 endereços, compreendendo residências, escritórios de advocacia e gabinetes de autoridades envolvidas, inclusive um procurador de Justiça do Ministério Público estadual.
Nepotismo - No curso das investigações da Operação Naufrágio, também surgiram evidências de nepotismo no TJ/ES, expediente que teria servido como elemento facilitador das ações delituosas da suposta quadrilha. Diálogos autorizados pelo STJ sugeriram a possibilidade de ter havido manipulação de concurso público para o cargo de juiz de Direito do TJ/ES, para viabilizar o ingresso de familiares de desembargadores.
Os investigados alvos de prisão temporária estão recebendo cópia integral da decisão da ministra Laurita Vaz, e cópias digitalizadas da íntegra do inquérito judicial estarão à disposição dos investigados ou seus advogados na Secretaria da Corte Especial do STJ. Os investigados presos estão sendo transportados para Brasília, para ficarem à disposição do STJ.
Apesar de o Ministério Público Federal ter entendido que os envolvidos estão em situação de flagrância e que estariam presentes os motivos capazes de justificar a prisão preventiva, a ministra relatora entendeu que, por ora, a prisão temporária de alguns dos envolvidos é suficiente para assegurar a colheita de provas e desarticular o funcionamento da organização criminosa".
Tá aí.

Um comentário:

Berenice disse...

Será que desta vez vai??? É esperar para ver. Abçs