Um projeto em análise na Câmara dos Deputados pode fazer com que a rede pública de saúde vinculada ao SUS (Sistema Único de Saúde) passe a distribuir protetores solares para o combate ao câncer de pele. De acordo com o PL 4234/08, do deputado Sandes Júnior (PP-GO), os protetores serão distribuídos em todo o território nacional e terão fator de proteção solar maior ou igual a 15. A produção ficaria a cargo de laboratórios públicos, mas em caso de falta do produto, o SUS seria autorizado a fazer a compra de laboratórios privados.
O deputado ressaltou que devido ao clima do país a proteção ao Sol é necessária não só em momentos de lazer. "Num país tropical como o nosso, a exposição demasiada ao sol não acontece apenas em momentos de lazer, mas também quando milhões de trabalhadores são obrigados, pelas características de suas funções, a enfrentarem os riscos de desenvolverem câncer de pele", afirmou.
A proposta estabelece o Programa Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer de Pele e prevê, entre outras medidas, a ampliação do acesso a exames de diagnóstico da doença. O SUS passaria a ser obrigado a promover os exames gratuitamente e de forma regionalizado, dentro das ações de atenção integral e preventiva, que deve incluir o tratamento das pessoas acometidas pelo câncer.
Outra novidade do projeto é a criação da Semana Nacional de Combate e Prevenção ao Câncer de Pele. O Ministério da Saúde se encarregaria de realizar campanhas de esclarecimento e exames preventivos.
O plano ainda prevê campanhas de apoio à pesquisa e formação de profissionais para a prevenção e a detecção da doença. Além disso, noções sobre os cuidados necessários para a prevenção do câncer de pele deverão fazer parte dos currículos escolares.
A proposta será analisada de forma conclusiva pelas comissões de Educação e Cultura; de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Mas, fico aqui pensando com meus botões: será que essa é a medida mais acertada?
De fato, uma camada menos favorecida da população, obrigada a recorrer ao SUS, seria beneficiada pelos protetores solares fornecidos pelo Estado, mas como ficariam as pessoas que não recorrem ao SUS e que, de outro lado não têm condições de pagar os preços proibitivos cobrados pelos laboratórios pelo produto, nitidamente cartelizado??? Será que essas pessoas não estão sujeitas ao câncer de pele???
E as pessoas mais favorecidas? São obrigadas a ser exploradas pelas práticas abusivas perpetradas pelos produtores dos protetores solares???
Sem qualquer demérito ao projeto que tramita em nossa Casa Legislativa, a exemplo do ocorrido com outros produtos farmacêuticos de primeira necessidade, não seria o caso de quebrar-se as patentes dos protetores solares e permitir-se a produção de protetores "genéricos"??? OU não seria interessante comercializá-los nas chamadas "Farmácias Populares" com preços mais convidativos, dentro do louvavel projeto do Governo Federal??? Ou ao menos reduzir-se-lhes as alíquotas de importação???
Penso que tais medidas seriam mais salutares e, ao invés de apenas beneficiar-se apenas aquelas pessoas que se utilizam dos serviços do SUS, também beneficiar-se as demais camadas da população, já que o câncer de pele, com o perdão da expressão pesada, não é "privilégio" apenas de alguns.
Tá aí.



3 comentários:
Olá Maurício,
A medida é boa e a venda nas farmácias populares - como já acontece com os medicamentos para hipertensos - é uma ótima idéia.
Mas, eu já penso no superfaturamento e na escolha dos produtos em função dos laboratórios, cujos lobistas são da pesada.
Abs
Sumy
Que notícia boa, Maurício.
Olha, muito bom mesmo, pois a grande massa não tem condições de comprar protetor. Vejo tantas mulheres, homens, ainda novos de idade, mas com a pele de pessoa uns 10 a 15 anos mais velha. Falta de protetor, que realmente tem o valor fora do padrão para grande parte dos brasileiros.
Sobre o SUS ficar responsável pela distribuição gratuita, MARAVILHA. Afinal, são tantas a sverbas desviadas.
Ah, não me preocupo com os que têm condições de pagar não. Afinal, eles já têm moradia melhor, alimentação mais balanceada, trabalho mais leve,...Podem pagar sim. Agora os outros, tirar esse gasto, seria deixar de comer frutas, verduras,...
Valeu,
Lena
Concordo com você Mauricio. Esta não seria a melhor solução, pois provavelmente iriam criar algum imposto para cobrir as despesas. Quebrar as patentes acho mais viável.
Abraços
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