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sábado, 28 de março de 2009

Como são as coisas...

Há cerca de uma semana lá estava eu sobre um leito de hospital, mais uma vez repensando a vida, por conta de uma segunda peça pregada por meu coração.
Além de uma roxeira na perna e uns buracos nos pelos do peito por conta das depilações ocorridas no hospital, nenhuma outra sequela externa pode ser observada nesse meu corpinho selvagem.
Mas quanta coisa muda na nossa cabeça depois de um susto desses.
Hoje, cá estou eu, na casa de praia do meu melhor amigo, o irmão mais velho que nunca tive, estatelado sobre uma confortavel espreguiçadeira, defronte ao mar do Litoral Norte paulistano, podendo, nababescamente, refletir um pouco sobre a vida.
Confesso que gosto de todos aqueles controles de "levanta e desce" da cama do hospital, mas estar aqui, agora, apenas ouvindo o barulho do mar, só vendo os resíduos de micropore que insistem em não sair da pele como lembrança (que coisa desagradavel aquela cola que quando a gente percebe está num local impossível de perceber próximo ao cotovelo ou no único canto que a mão não consegue alcancar na região glutea) é muito, muito melhor do que estar deitado com aquele monte de fios pregados no peito, monitores, soro, acessos venosos e as tais enfermeiras a que já me referi em postagem anterior.
Mas deixando as enfermeiras de lado (xiiii... lembrei de novo da aventura de fazer xixi no papagaio...), o importante é que tudo passou e que ainda mais amadurecido, estou de volta à vida, fazendo festa para as mínimas coisas que me cercam... uma borboleta voando, a água de côco na praia, um pãozinho fresco da padaria, a salada bem colorida servida no almoço, o ar condicionando gelando o quarto, enfim, valorizando as pequenas grandes coisas que a vida pode nos proporcionar.
E, penso que todas as experiências pelas quais passamos nos enriquecem e nos agregam alguma coisa.
De fato, no meu caso andava reclamando que estava metido em uma maré de azar... Sei lá porque andava achando que tudo o que acontecia dava errado; era lazarento. Senti a primeira "evidência" desse azar quendo, num lugar bem agitado, com um monte de gente, um pombo fez um cocozão em mim. Pensei: "poxa vida; essa Benedito Calixto lotada e esse pombo de merda veio cagar bem em mim!!! sou um cara de azar".
Minha mãe logo insistiu, com base na crendice popular, que pombo cagar na gente e sinal de sorte. Sorte é que não era uma vaca voando, caso contrario eu teria petrificado em bosta.
Logo no dia seguinte a vida me mostrou que azar é ter um piripaque cardíaco e não ter socorro. No meu caso tive toda a assistência necessária e cá estou eu divagando sobre fatos pretéritos. Que sorte a minha.
Sei que a partir daí segui elocubrando não mais sobre o azar, mas sobre o destino e a sorte.
E, depois de refletir sobre muita coisa, cheguei à conclusão de que os reveses que experimentamos estão aí para nos ajudar e fortalecer; e que Deus nos manda a provação na exata dimensão do que podemos suportar. E assim superamos mais e mais óbices durante nossa existencia.
Ninguém é um eterno sofredor ou um predestinado à dor; basta saber e querer trilhar o bom caminho fazendo dos supostos "azares" momentos de sorte; dos choros, regozijo e sorrisos; dos dias de luto, dias festivos; enfim fazer de tudo para que, mesmo a duras penas entendamos que a vida é bela.
E enquanto isso, sigo eu aqui agradecendo a Deus por estar neste momento como estou: sentindo a brisa do mar, e vendo o escurecer pouco a pouco, o que é muito melhor do que comer gelatina e sopinha de legumes do hospital.
É, caro leitor, como é bom ter sorte!!!
É isso.

3 comentários:

Nuccia Gaigher disse...

Maurício, fico feliz por sua recuperação e acredite, torci muito por seu total reestabelecimento.
Você é um ser humano incrível que tenho a honra de conhecer um pouquinho através da comunidade diHITT e lhe agradeço por permitir que isso ocorra.
Abraços pra ti. Tenha uma linda semana.

Cris disse...

Não acho que seja necessário ter um piripaque para dar valor as pequenas coisas da vida, que são as verdadeiras belezas e que alegram o nosso dia.

Mas se você precisou desse caminho, está mesmo com sorte, pois foi longe e teve nova chance de valorizar o que realmente vale a pena.

Fico super, super feliz com a sua recuperação e de agora em diante, faça-nos o favor de apreciar a natureza e não se envolver em preocupações e stress desnecessários. Respira fundo porque o ar é de graça.

Cris

EAD disse...

Que vida, só olhar para o mar já é muito bom. Fique bom logo. bjs