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segunda-feira, 23 de março de 2009

Pesquisa sugere: comerciais de cerveja estimulam consumo de álcool por menores de idade

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) encontrou uma associação positiva entre exposição e apreciação de propagandas de bebidas alcoólicas por adolescentes menores de idade, além de altas taxas de consumo de álcool. A pesquisa, publicada na última edição da revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz, avaliou a opinião de 133 estudantes, entre 14 e 17 anos, de três escolas estaduais da cidade de São Bernardo do Campo (SP), e concluiu: 82,7% desses jovens já experimentaram bebidas alcoólicas e, destes, 44,4% afirmaram consumir com alguma freqüência, sendo 30,1% uma vez ao mês e 14,3% aos finais de semana.

"É importante avaliar os resultados encontrados aqui levando em conta o fato de que o consumo de bebidas alcoólicas ainda é tratado no Brasil com poucas e frágeis regulamentações", comentam os pesquisadores. "Não há, na prática e em níveis nacionais, restrições ao acesso, preços razoáveis e nem prevenção ampla no Brasil. Além disso, o mercado de bebidas alcoólicas no país ainda é considerado imaturo, ou seja, ainda há espaço potencial para crescimento dos níveis globais de consumo".

Para a análise, foram selecionadas 32 propagandas televisivas que englobavam uma variedade de 14 marcas de (11 de cerveja e 3 de bebidas ice). Cada comercial foi exibido para os estudantes duas vezes em sessões que tinham em média 50 minutos de duração. Os resultados apontaram que 79% dos adolescentes já haviam assistido previamente pelo menos uma das 32 propagandas exibidas e 2/3 deles viram ao menos uma das cinco primeiras colocadas mais de dez vezes.

"Entre os cinco comerciais mais apreciados, o conhecimento prévio da propaganda estava geralmente associado com a nota atribuída; e a nota aumentou na medida em que aumentou o número de vezes que a propaganda foi vista", afirmam os estudiosos. Além disso, eles destacam que quanto mais os adolescentes gostaram da propaganda maior o consumo de bebidas alcoólicas destes e vice-versa. "Apesar de a análise não permitir inferir a relação de causalidade, isto é, se o consumo é maior devido ao fato de gostarem mais das propagandas de álcool ou ao contrário, a associação entre gostar da propaganda e consumo de álcool ficou evidente", explicam os pesquisadores.

De acordo com os estudiosos, a alta exposição verificada questiona as regras de auto-regulamentação publicitária e a eficácia do controle ético das propagandas de álcool, já que o público adolescente, que deveria estar protegido, está exposto de modo significativo a uma grande quantidade de mensagens notadamente atraentes para a faixa etária. "Esses achados podem servir de fundamento para a criação de políticas públicas, no sentido de restringir e regulamentar a veiculação e o conteúdo das propagandas de bebidas alcoólicas", esclarecem. "O argumento das indústrias de bebidas e dos setores da publicidade e propaganda de que os anúncios não se direcionam ao público adolescente menor de idade, porque visam única e exclusivamente à fidelidade da marca, não se sustenta, diante dos dados apresentados".

Penso que o argumento é totalmente despojado de fundamento, já que as crianças e adolescentes estão sujeitos às práticas das indústrias cervejeiras. O comercial é exibido e o público o assiste e qualquer valia há no simples alerta ao final da exibição de que o consumo de álcool por menores é proibido por lei ou pode fazer mal à saúde.

Mas, também não pode ser imputada culpa única e exclusivamente aos fabricantes de cerveja, pelo aumento de seu consumo pelo público abaixo dos dezoito anos de idade. Não raramente são estimulados pelos próprios pais ao consumo. Nas festas que frequentam há bebida alcóolica à vontade. A bebida é vendida quase sem fiscalização em postos de gasolina, supermercados, etc.. E, finalmente, não há campanhas severas contra o alcoolismo, tal como ocorre contra o tabagismo ou contra o consumo de entorpecentes.

Os fabricantes de cerveja, dentro do mundo capitalista em que vivemos hoje, cumprem seu papel em fazer publicidade. É característica do negócio. E, se o objetivo é imputar responsabilidades aos fabricantes de cerveja, com mesma razão devem ser responsabilizados os fabricantes de produtos fumígeros, os fabricantes de produtos que contenham açúcar, os fabricantes dos produtos que contenham cafeína, os fabricantes de automóveis, ou seja, os produtores que, de alguma maneira possam acarretar a morte de seus consumidores.

Não faço aqui a apologia aos fabricantes de cerveja. No meu entendimento deveria ser banida a propaganda de bebidas alcóolicas da mídia, mas que também não se lhes atribua a responsabilidade completa pelo aumento do alcoolismo adolescente ou infantil. (Fonte: Idec e Fiocruz).

É isso.

Um comentário:

Francisco Castro disse...

Olá, Maurício!

Essa pesquisa somente comprova o que todo mundo já sabia: a propaganda de bebidas alcoólicas não estimula o consumo somente dos adultos, mas dos jovens e adolescentes e em algumas vezes até das crianças.

Eu sou totalmente contra a propaganda exagerada de bebidas alcoólicas, se existesse deveria ser em um horário bastante tarde da noite.

Abraços

Francisco Castro