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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Energéticos, o perigo oculto: a necessidade de advertências em seus rótulos

A prática é conhecida, tolerada, por vezes incentivada. Seja para trabalhar, estudar ou curtir uma "balada", o uso de estimulantes e inibidores de sono é encarado com naturalidade por muita gente, mas, segundo especialistas em dependência química, pode ser perigoso para a saúde.

Uma enquete da revista "Nature" divulgada em abril já havia dado o alerta. No levantamento, realizado pela internet com cientistas, 20% dos entrevistados disseram já ter utilizado medicamentos psiquiátricos para manter o estado de vigília. São, em geral, drogas lícitas, mas que precisam de prescrição médica, como o metilfenidato (vendido com os nomes comerciais de Ritalina e Concerta).

Frutos do guaraná, matéria-prima do guaraná em pó; consumo de alimentos que contêm cafeína podem causar dependência.

No Brasil, é conhecido o uso que deles fazem estudantes universitários, adolescentes que freqüentam festas e trabalhadores com elevada carga horária. Além do metilfenidato, são utilizados pó de guaraná, energéticos e, o mais problemático, anfetaminas.

Mas, neste post, foco a atenção para o uso exagerado e irresponsável dos energéticos, comercializados tal como simples refrigerantes, sem o mínimo controle...

Em adultos que precisam cumprir longas jornadas de trabalho, o uso principalmente das anfetaminas vem crescendo muito, afirma o toxicologista Ovandir Silva, diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Toxicológicos e Farmacológicos.

Em empresas por ele estudadas, chega a ser mais freqüente do que drogas ilícitas comuns, como a maconha. Embora muito associado a caminhoneiros, que consomem o chamado rebite, Silva ressalva que o uso de anfetaminas é "muito democrático, está em todas as camadas sociais e econômicas".

Por outro lado, nas faixas etárias mais jovens, tem-se tornado cada vez mais frequente o consumo dos energéticos, entupidos de cafeína, elitizados devido ao seu custo, mas considerados por muitos absolutamente inofensivos. E é justamente aí que mora o perigo!!!

Lí no Uol (Fonte: http://joselitobortolotto.blog.uol.com.br/) que desde muito tempo os cientistas estudam os efeitos da cafeína em seus usuários, e provavelmente já estamos “carecas” de saber quais as conseqüências deste composto químico. A cafeína é encontrada em certas plantas e é utilizada como bebida, normalmente na forma de infusão, como estimulante.

É solúvel na água, não tem cheiro e apresenta valor amargo, e atua sobre o sistema nervoso, sobre o metabolismo basal e aumenta a produção de suco gástrico. Em doses controladas ela estimula o coração, produzindo a dilatação dos vasos periféricos. Para efeito de comparação, numa xícara de café temos 100 miligramas da substância, e no chá ou refrigerantes a quantidade é de aproximadamente 40 miligramas. A ingestão excessiva provoca em algumas pessoas, irritabilidade, ansiedade, agitação, dor de cabeça e insônia, em alguns casos de arritmia cardíaca é aconselhável evitar. Os estudos mostraram que 10 gramas seria uma dose letal para o homem.

Teria de tomar 100 xícaras de café.

O grande medo dos cientistas são as chamadas bebidas energéticas, do tipo, algumas latas contém em sua fórmula o equivalente a 14 latas de um refrigerante. Apesar dos índices ainda não serem o bastante para causar uma intoxicação, seria necessária uma advertência no rótulo da quantidade de cafeína presente na fórmula informando dos potencias riscos.

Nos Estados Unidos este tipo de bebida está conseguindo uma expansão absurda de 55% ao ano, movimentado em torno de U$$ 5,4 bilhões, e as campanhas publicitárias procuram atingir principalmente jovens e adolescentes, promovendo de certa forma o reforço que estas bebidas causam, principalmente quando utilizadas com outro tipo de droga (licitas e ilícitas). Esta ingestão com outros tipos de bebidas pode reforçar a ação da cafeína, potencializando o efeito estimulante, assim fica mais fácil chegar nas 10 gramas.

Tendo ainda um metabolismo em formação, a cafeína potencializada por outros estimulantes, como álcool e outras drogas tende a ser mais perigosos para os jovens e mulheres grávidas, adultos com históricos de hipertensão também correm perigo. Todos também sabemos que os elementos químicos encontrados nas plantas que terminam em “ina” têm um efeito de viciar, e aos poucos o cérebro pedir um aumento da dose".

É importante esclarecer aos menos avisados que os energéticos são bebidas produzidas a partir de uma série de substâncias estimulantes, entre elas também a cafeína, em uma super escala.

Comercializados livremente, são muito associados ao álcool para aumentar a disposição e a resistência em festas.

Segundo o professor de educação física Sionaldo Ferreira, da Unifesp, que estuda os efeitos do seu uso, do ponto de vista toxicológico não há grande problema na mistura. O que ocorre é que muita gente acha que vai ficar menos alcoolizada por tomar o energético junto e acaba consumindo bebidas alcoólicas em maior quantidade, explica.

Tudo isso sem falar nos efeitos do consumo descontrolado da cafeína, cujos efeitos de longa data são conhecidos.

Segundo ele, estudos epidemiológicos para avaliar a freqüência do uso de energéticos já estão sendo realizados, mas ainda sem resultados conclusivos. O que se sabe é que seu uso cresce.

Segundo a Abir (Associação Brasileira de Indústria de Refrigerantes e Bebidas Não-Alcoólicas), a venda de energéticos saltou de 15 milhões de latas, em 1999, para 77 milhões, em 2006.

Penso, portanto, que, por ser o energético um produto com potencial viciante e que pode gerar os malefícios do consumo exagerado da cafeína, deveria haver um maior controle no que se refere à sua rotulagem, como obrigação essencial do fornecedor, estabelecida em Lei (Código de Proteção e Defesa do Consumidor - Lei nº 8.078/90) de informar claramente ao consumidor o tipo e a composição do alimento, assim como os riscos e eventuais restrições à sua ingestão.

Mais ainda: sem buscar ser rígido ou "caxias" ao extremo, mas apenas cauteloso e preocupado com a ingestão exagerada dos energéticos, especialmente associados com bebidas alcóolicas, penso que deveria haver um maior controle em suas vendas, assim como advertências expressas - dentro das prescrições do Código do Consumidor - de que o produto somente pode ser consumido em doses limitadas, que não deve ser associado a produtos com teor alcóolico (diga-se coquetéis, "bombas", ou seja lá o que for, tão comuns nas "baladas", raves, festas com "open bar", etc.), e que somente podem consumi-los as pessoas que não possuam restrições à ingestão de cafeína.

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