html Blog do Scheinman: Não tem nem nunca teve (ou não é da sua conta)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Não tem nem nunca teve (ou não é da sua conta)

"Paulo Maluf não tem nem nunca teve conta no exterior". São dezessete sílabas, o mesmo número das do haikai, a forma clássica da poesia japonesa. São dez palavras límpidas, cinco dissílabos entremeados por quatro monossílabos que desembocam num portentoso trissílabo final. A sonoridade da sentença se apóia nos fonemas nasais, na sucessão de êmes e ênes de "Maluf não tem nem nunca teve conta no". No coração do adágio pulsam três negativas categóricas (não, nem, nunca), que precedem dois verbos incisivos (tem, teve), formando um conjunto de aliterações em êne e tê: "não tem nem nunca teve".

O mantra defensivo de Maluf foi dissecado pela revista "Piauí", nº 36. A oração é atribuída ao jornalista Adilson Laranjeira, 69, assessor de imprensa do ex-prefeito desde 1994, cujo perfil foi  traçado na edição. Ele divide a criação com advogados do deputado.

"A frase é imprescindível", diz Laranjeira. Ele calcula que já repetiu a frase umas mil vezes.

Ele afirma à revista: "É uma coisa muito simples. Quando você fala a verdade, não tem medo. Se a acusação tem prova, então mostre. Por que nunca ninguém mostrou? Deve ser porque não tem, certo?"

Segundo o assessor, além de Paulo Maluf e sua mulher, Sylvia, muita gente acredita no que diz o ex-prefeito.

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