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sábado, 21 de novembro de 2009

“Saidinha” para fumar: certo ou errado?

Conforme já divulguei aqui no blog, não sou fumante de cigarros, apenas aprecio o cachimbo de vez em quando. Um verdadeiro hobby, sem momentos específicos ou fissuras.

Na verdade, não suporto cigarro, nem tampouco cheiro de cigarro. Mas o pior é o cinzeiro. Aliás, não vejo graça alguma naquela fumaça, que infesta o cabelo (que cabelo???), as roupas, as entranhas...

Sinto como se estivesse engolido um escapamento de kombi furado...

Mas, confesso que às vezes dá vontade de fumar... de ser fumante habitual de cigarros (sic)...

Especialmente em época de plena vigência de Lei Anti-fumo, caminhando pelas ruas, percebe-se um número cada vez maior de pessoas pitando seus cigarrinhos às portas de edifícios comerciais, lojas, escritórios, etc.. São os tais intervalinhos que os fumantes sempre tiram no meio do dia pra acender um cigarro. Até mesmo porque banidas as áreas para fumar, fumódromos, uma verdadeira caça às bruxas: o fumante hoje tem a peça de infrator da lei, de criminoso. Fumar é apenas proibido em locais publicos fechados; não há qualquer disposição legal que tipifique o ato de fumar como crime ou contravenção penal.

Agora, prezado leitor, tente sair pra "tomar um ar fresco" durante o seu trabalho... certamente vai levar uma lambada de seu chefe ou patrão.

Ar fresco não é vício, não merece intervalo: "se não tem o que fazer, vai baixar estoque". E os colegas espairecendo à vontade no meio da fumaça. Então foda-se. O cara acaba decidindo fumar. Acaba de entrar num emprego novo e, em troca de alguns minutos de espairecimento a cada hora e meia de trabalho, vai, inicialmente fingir que fuma seu cigarrinho, depois pega o hábito. Quando se dá conta, o vício o escravizou e já está escolhendo o maço do câncer em vez de escolher o da impotência...

Não faço aqui a apologia dos direitos dos não-fumantes ou dos direitos dos fumantes, mas apenas sugiro intervalinhos iguais para todos.

O fumante tem sua liberdade de fumar, mas que não prejudique a produtividade de seu trabalho e o faça em seu horário de almoço, repouso, cafezinho, etc. Essa coisa do intervalo para fumar vai dar pano pra manga... Ora, se o indivíduo fuma 8 cigarros durante sua jornada de trabalho, fica pelo menos por 40 minutos de sua jornada diária (levando-se em conta o curto intervalo de 5 minutinhos por cigarro - em geral leva mais...) a disposição do seu maço, enquanto o não fumante não pode dar sua voltinha.

E se fosse deflagrada uma campanha do intervalinho para o pum e, cada vez que o cara quisesse flatular, fosse dar o seu giro? Seguido o raciocínio do intervalo para o cigarro, nada pode ser feito com relação ao cara que sofre de flatulência... o peidão tem todo o direito de "tomar seu arzinho" e flatular a vontade...

Mas voltando ao intervalinho do cigarro e, partindo-se do exemplo acima, do fulano que fuma 8 cigarros durante o horário de trabalho (há quem fume bem mais, mas comecemos por baixo); e que para cada cigarro que fuma precisa de pelo menos 5 minutos (isto em condições ideiais pois há aquelas pessoas que têm que descer de elevador x pisos até vir à rua, entretanto encontram alguém conhecido, etc., mas, como disse já disse, comecemos por baixo); esses 8 cigarros/dia correspondem a 40 min/dia, 880 min/mês (22 dias úteis) e 9680 min/ano (11 meses úteis), o que é o mesmo que dizer 161h por ano.

Ora, se um mês útil de trabalho tem 176h (8h/dia x 22 dias), e se o cara passa 161h a fumar, significa que ele passa quase 1 mês útil por ano na fumaça.

O que dirão os seus colegas quando souberem que ele tem um mês de férias a mais???

Assim, penso que com muito mais razão vale a idéia de se fazer um intervalo para se esticar as pernas ou para se tomar ar fresco. Porque não? Ou caso contrário, os não fumantes vão descobrir essa mamata... Tudo pela democracia e igualdade de condições, não é?

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