html Blog do Scheinman

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Filho vidente

Um homem vai ao quarto de seu filho dar-lhe boa noite.
O garoto está tendo um pesadelo.
O pai o acorda e pergunta se está bem.
O filho responde que está com medo porque sonhou que a tia Suzana havia morrido.
O pai garante que tia Suzana está muito bem e o manda de novo para a cama...
No dia seguinte tia Suzana morre.
Uma semana depois, como de hábito, o homem vai ao quarto de seu filho dar-lhe boa noite.
O garoto está tendo outro pesadelo.
O pai o acorda.
O filho diz que está com medo porque sonhou que o vovô havia morrido.
O pai garante que o vovô está muito bem e o manda de novo para a cama.
No dia seguinte o vovô morre.
Uma semana depois, o homem vai de novo ao quarto de seu filho para dar-lhe boa noite.
O garoto está tendo outro pesadelo.
O pai o acorda.
Desta vez o filho responde que está com medo porque sonhou que seu pai havia morrido.
O pai garante que está muito bem e o tranqüiliza.
Mas... não consegue dormir.
No dia seguinte, está apavorado. Tem certeza de que vai morrer.
Ele sai para o trabalho e dirige com o maior cuidado para evitar uma colisão.
Ele não almoça de medo de sua comida estar envenenada.
Evita todo mundo, de medo de ser assassinado. Ele tem um sobressalto a cada rua, e a qualquer movimento suspeito ele se esconde debaixo de sua mesa.
Ao voltar para casa, ele encontra sua esposa e diz:
- Marcia... Tive o pior dia de minha vida!
E ela responde,chorosa:
- Você acha que foi o pior... E o meu chefe, que morreu hoje de manhã, assim que chegou ao escritório!
Perolei.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Engolindo sapo?

Você já engoliu seu sapo hoje? Quem não já “engoliu sapo” na vida, durante a trajetória profissional? Certamente devem existir gargantas e estômagos virgens nessa área, creio.
Em compensação, devem existir os engolidores diários e contumazes do batráquio – já tão condicionados que não abrem mão da sua dose diária... Haja estômago! Há uma premissa organizacional que garante que suas chances de ter uma atividade estável são proporcionais à sua capacidade de exercer com magnanimidade e estoicismo (ou seja, sem reclamar) a tal arte.
O pior é que a coisa vem a seco, sem nem ao menos uma farofinha ou um molho de tomate – o que, aliás, não sei se melhoraria em algo a tal refeição.
Dizem os entendidos em sapologia, que a origem da associação do sapo com algo nada palatável vem das Sagradas Escrituras – quem diria, hein? Em um determinado capítulo do livro do Êxodo, um rebelde Faraó recebeu como castigo de Deus uma série de pragas, uma das quais se constituía de uma invasão de milhares de rãs – ou de sapos. Se não são a mesma coisa, são com certeza da mesma família. Segundo a narrativa, o Faraó encontraria o bicho saltitante em todos os lugares possíveis e imagináveis do seu palácio – inclusive quarto de dormir, cozinha e banheiro. Dá pra imaginar? Portanto, desde tempos imemoriais, fez-se do sapo um bicho nojento. E a Psicologia reforça: diz uma teoria que “todos nascemos príncipes e somos depois transformados em sapos” – e assim se explica a divisão entre os bons e os maus.
Que coisa....E olhem que, ironicamente, não me lembro de ter visto um só filme de terror em que o personagem central fosse um sapo gigante. Quase toda a fauna e a flora já foi astro ou estrela de um filme de John Carpenter, Joe Dante, Zé do Caixão e outros diretores do gênero. O sapo, não. Parece que só aparece nas empresas, mesmo.
No trabalho, “engolir sapo” é não ter o direito, o espaço, a liberdade ou a coragem de responder à altura um insulto, uma humilhação, uma acusação, uma ironia. Claro que essa impotência tem uma razão de ser óbvia: o “sapo” vem sempre do parceiro, do colega, do sócio, do superior... mas invariavelmente pessoas sem senso crítico ou espírito de boa convivência. Pessoas solitárias que se julgam donas da verdade ou autosuficientes. Esses são os grandes provedores de sapos à humanidade...
Ou seja: ninguém “engole sapo” enviado por um colega, sócio, parceiro, chefe, com quem tenha empatia ou simbiose – e muito menos de peso menor. Donde se pode facilmente concluir que os “sapos” tem uma preferência toda especial em fazer do seu habitat natural as organizações que adotam um modelo de gestão autoritário e insensível. Que não permite o diálogo, a réplica, o esclarecimento, muito menos a argumentação.
Inclusive, na prática dessa “arte”, as coisas hoje estão cada vez mais fáceis (ou seria melhor dizer “difíceis”?) porque, graças ao avanço tecnológico, sobretudo da Informática, atualmente já se pode mandar (ou receber) “sapos” por e-mail ! Chique, não? Mas, convenhamos: na verdade, não há nada de errado em “engolir sapos”, desde que algumas condições sejam observadas.
Por exemplo: quando sua atividade depende da sua capacidade digestiva. Aí tem que comer, amigo. E, em alguns casos, até pedir bis! Porque se trata de um caso de sobrevivência profissional. Quer ver outro exemplo? Quando você aprendeu a desenvolver anti-corpos emocionais contra “sapos”. Em outras palavras: quando há um canal de comunicação livre e desimpedido entre seu ouvido direito e o esquerdo – ou vice-versa. Traduzindo: quando você deixa o “sapo” entrar por um ouvido e sair pelo outro, sem descer para o estômago – e muito menos para o coração. Mas nem tudo está perdido: garanto-lhe que se você treinar direitinho, você vai aprender a rir dos lançadores de “sapos”. Principalmente porque eles não têm a aparência de quem está se divertindo. Pelo contrário, quase sempre parecem “enfezados”, gritam, xingam, acusam, esmurram a mesa e soltam perdigotos. Cá pra nós: sei de uma empresa em que os funcionários criaram – claro que em segredo guardado a sete chaves – o “Troféu Frog”, para “premiar” semestralmente (também em segredo) o mais habitual e notório arremessador de “sapos” contra a equipe. Não é engraçado? Agora, falando sério: nenhuma empresa que se preza, nenhum dirigente que respeita e valoriza seus colaboradores, nenhum gestor que está acompanhando as tendências das novas relações humanas, permite a criação e o arremesso de sapos em sua organização ou em seu departamento. As chamadas equipes de alta performance caracterizam-se justamente pela liberdade de expressão, pela transparência, pelo diálogo claro e objetivo, sem insinuações e muito menos agressões verbais. Ao invés de “lançamento de sapos”, as equipes integradas utilizam instrumentos mais saudáveis e profissionais, como as discussões técnicas, defesa e explicação lúcida dos pontos de vista contrários, das divergências e das opiniões diferentes.
Proponho que façamos uma campanha em defesa do sapo, para que eles sejam deixados em paz nas empresas. Ninguém precisa ser ecologista ou ambientalista para saber que eles tem lá sua utilidade – mas claro que fora das empresas, no seu “habitat” natural. Um conselho útil para ninguém precisar mais “engolir sapos” e ir correndo chorar no banheiro: inverta a premissa psicológica que citei acima e tente transformar os “sapos” enviados em sua direção em “príncipes”. É uma alquimia simples: basta misturar bem alguns ingredientes facilmente encontráveis em qualquer bom coração de qualquer esquina da vida: uma pitada de compreensão, outra de tolerância, mais uma de compaixão, um tiquinho de paciência e afeto e bom humor à vontade – ou como se diz em culinária: ao gosto.
Para encerrar, quero apenas registrar uma curiosidade que há tempos vem me intrigando: de onde será que os “arremessadores de sapos” diários conseguem tanto estoque?
É isso.

A prova psicografada: sim ou não?

Recentemente estive em um programa de televisão no qual me foi indagado sobre o que achava da validade da prova psicografada, mediúnica.
Fui categórico, positivista ao extremo, embasando minha posição na possibilidade de que o direito pátrio vislumbra de provar-se os fatos tão somente através das provas testemunhal, documental e pericial, não prevendo o sistema legal a possibilidade de produzir-se a prova vinda do além.
Não faço aqui pouco caso da fé religiosa de ninguém ou duvido das doutrinas de natureza espírita. Pelo contrário: os que me conhecem sabem que sou um militante pela liberdade religiosa e pelo respeito a todos os credos.
Sem adentrar no mérito da possibilidade legal da produção da prova psicografada - o que careceria, no meu entender de mudanças legais - penso que o grande problema reside no alto nível de picaretagem que assola o nosso país, tornando tudo aquilo que é abastrato um tanto duvidoso.
Tenho receio de que o charlatanismo - que é coisa comum nas grandes cidades, onde panfletos são distribuídos anunciando profissionais "espíritas" que prometem resolver quaisquer problemas, inclusive "trazer a pessoa amada de volta em 3 dias" - seria utilizado para provar qualquer coisa ou absolver qualquer acusado...
De fato, há os que sustentam que a prova psicografada deva ser admitida. Não creio que o fulcro da admissibilidade seja técnico-jurídico, mas apenas religioso. Pesquisei muito a respeito e verifiquei que juristas que coadunam com a fé espírita tendem a admitir como válida a prova psicografada, enquanto outros, não a admitem.
Nesta toada, procurarei ser apenas técnico não adotando o posicionamento de uma outra fé. Aliás, não é esse o meu objetivo. Pelo contrário, penso que provas devem ser críveis e corroborar fatos, contanto que sejam sérias e admitidas no ordenamento vigente. Em termos técnico-jurídicos, provar é fornecer, no processo, o conhecimento de qualquer fato, adquirindo para si, e gerando noutrem, a convicção da substância ou verdade do mesmo fato.
Na melhor definição assentou-se o entendimento de que a prova constitui o instrumento por meio do qual o juiz forma sua convicção a respeito da ocorrência ou não dos fatos controvertidos no processo.
Sendo assim, a prova destina-se a gerar no juiz a convicção de que necessita para o seu pronunciamento.
A prova judiciária tem como objetivo a reconstrução dos fatos investigados no processo, buscando a maior coincidência possível com a realidade histórica, isto é, com a verdade dos fatos, tal como efetivamente ocorridos no espaço e tempo.
É, portanto, compromisso irrenunciável da atividade estatal jurisdicional a reconstrução da realidade histórica do fato delituoso, buscando não uma verdade absoluta, mas ao menos uma certeza que pode ou não corresponder à verdade da realidade histórica.
O papel do magistrado, bem como de seu bem senso, torna-se relevante nessa seara. Nota-se que o papel do magistrado está em respeitar os direitos e garantias individuais do acusado e de terceiros, protegidos pela inadmissibilidade das provas obtidas ilicitamente.
Nesta toada, pergunta-se: a prova psicográfica é ilícita??? A resposta só pode ser negativa.
Ora, o termo "ilícito" tem um sentido amplíssimo, abarcando tudo quanto é praticado contra o direito, a justiça, a equidade, os bons costumes, a moral social e a ordem pública.
Logo, prova ilícita, como declara a Constituição é a obtida com violação de um princípio de direito material, sendo esta ampla e não se restringindo somente à lei.
O espaço probatório no processo há de ser mais amplo em razão da relevância dos interesses que delimitam seu conteúdo. É cediço que a vedação da prova não se limita ao meio escolhido, mas igualmente aos resultados que poderão advir com a utilização deste mesmo meio de prova.
Se os resultados não configuram violação de direitos, a sua admissão é indubitavelmente possível, mas sempre com a ressalva de que deve haver a previsão legal para a produção de tal prova e com a lisura e seriedade da qual carece, para que seja digna de credibilidade, equiparando-se às provas já admitidas na sistematica vigente.
É isso.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Bom humor é com o Jeremiah

Um casal tinha dois filhos que eram uns capetas.
Os pais sabiam que se houvesse alguma travessura onde moravam, eles com certeza estariam envolvidos.
A mãe dos garotos ficou sabendo que o novo padre da cidade tinha tido bastante sucesso em disciplinar crianças. Então ela pediu a ele, que falasse com os meninos.
O padre concordou, mas pediu para vê-los separadamente. A mãe mandou o filho mais novo.
O padre, um homem alto com uma voz de trovão, sentou o garoto e perguntou-lhe austeramente e, em alto e bom tom:
- ONDE ESTÁ DEUS???????
O garoto abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som.
Ficou sentado,com a boca aberta e os olhos arregalados.
Então, o padre repetiu a pergunta num tom ainda mais severo.
- OOONNDEEEE ESTÁÁ DEEEUSSS???????????
O garoto não conseguia emitir nenhuma resposta.
O padre levantou ainda mais a voz, e com o dedo no rosto do garoto berrou:
- ONDE ESTÁ DEUS ?????????
O garoto saiu correndo da igreja direto pra casa e trancou-se no quarto.
Quando o irmão mais velho o encontrou, perguntou:
- O que aconteceu?
O irmão mais novo, ainda tentando recuperar o fôlego, respondeu:
- Cara, desta vez tamo FU-D-IDO. DEUS sumiu, e acham que foi a gente !!!!!
Perolei.

Ponderações sobre a amizade

Um final de semana de frio é sempre um momento que nos leva a profundas reflexões. Nesses dias que se prestam teoricamente ao descanso ponderei muito sobre os conceitos de amor e amizade.
Amigos? Tenho muitos? Pessoas que me amam? Algumas, essencialmente a família. Conhecidos? Diversos. Jogos de interesses, tenho sido o pivô de vários...
Mas, o que procuro, é a amizade de essência, aquela de amor genuíno, fraterna pra valer, que se sedimenta dia-a-dia, que, como um carvão em brasa se reacende sempre que possível e necessário.
Nessa coisa de pensar em amizade, analisei a coisa sob três prismas; um primeiro sob o aspecto do amor, aliás, do amor e da amizade...
Trouxe pra cá um texto que fala da coisa de forma muito poética, bonita... vamos lá:
“Perguntei a um sábio ,a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível, a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas , a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho, na Amizade compreensão.
O Amor é plantado e com carinho cultivado, a Amizade vem faceira, e com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira.
Mas quando o Amor é sincero ele vem com um grande amigo, e quando a Amizade é concreta, ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração."
(William J. Bennett) Também refleti sobre a amizade e a distância e aqueles amigos de quem acabamos por nos afastar por algum desígnio da vida.
Mas, amigo que é amigo, mesmo longe, aquece o coração. Pra esses, trouxe um texto de Albert Einstein: “Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade, Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento.
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.
Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre."
(Albert Einstein)
E, finalmente, existe o amigo da gema, aquele com quem contamos no dia-a-dia e, é com a apologia a este que encerro este post, um verdadeiro brinde aos meus amigos.
"Quando você estiver triste...
Eu vou te ajudar a planejar uma vingança contra o filho da puta que te deixou assim.
Quando você me olhar com desespero...
Eu vou enfiar o dedo na sua goela e te fazer por pra fora o que estiver te engasgando.
Quando você sorrir...
Eu vou saber que você deu uns pega em alguém ou em alguma coisa.
Quando você estiver confuso....
Eu vou explicar pra você com palavras bem simples porque eu sei o quanto você é burro.
Quando você estiver doente...
Fique bem longe de mim até se curar.
Eu não quero pegar o que quer que você tenha.
Quando você cair...
Eu vou apontar pra você e me mijar de rir.
Você me pergunta, "Por quê?"
Porque você é meu amigo cara!!!
Observação final: "Um amigo de verdade não é aquele que separa uma briga sua e sim aquele que chega dando voadora."
"Se dirigir, não beba; se for beber, me chame"
Em suma, amizade é isso tudo junto. Aliás, talvez o maior dos problemas que encontramos em nossas amizades é que quando uma pessoa se mostra muito amiga, nós logo ficamos perguntando a nós mesmos: “O que será que ela quer de mim?” Qual o interesse?
Muitas das amizades têm segundas intenções, pois apenas querem se favorecer de alguma coisa. Em seu egoísmo, as pessoas procuram tirar vantagens umas das outras. São muitas as vezes em que ficamos desiludidos, vendo um amigo se afastar depois que não pode mais tirar proveito da gente. Esta situação só irá melhorar quando nós e nossos amigos tivermos experimentado uma renovação em nossos corações. No momento em que nós experimentarmos o amor de Deus em nossas vidas, receberemos dele forças para amar. Esta força vem da fé simples, no Criador e no próprio ser humano...fé genuína, desinteressada, sem desejar nada em troca. É amar ao próximo como a sí mesmo, máxima de tantas religiões... e diz tanta coisa...
O mundo, a sociedade, as famílias, praticamente todos são atingidos pelo mal do egoísmo. Pensar apenas em si próprio. Quem faz isto, por que já não dá valor a Deus. E a consequencia é de não amar o próximo. Se todos amassem o próximo, como amam a si mesmos, sem nenhum interesse paralelo ou extrínseco, teríamos paz infinita em nosso mundo, sociedade, família. Vamos pensar nisto.
É isso.

sábado, 31 de maio de 2008

Duas Caras: a seguir cenas do próximo capítulo

Duas Caras acabou...

Bem vindos de volta à dura realidade!
Perolei.

Anti-Hillary

Achei interessante a placa do manifestante, embora não coadune com sua posição política: "Ela não pode satisfazer seu marido. Ela não satisfará a América".
Tá aí.

STF: depois das células-tronco, a anencefalia

Após toda a polêmica envolvendo o julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal), deve, brevemente, entrar em pauta, um outro processo, em que figura como relator o Ministro Marco Aurélio Mello, este sim um processo que vai trazer à baila a discussão acerca do direito à vida, sua concepção e dignidade da pessoa humana.
Em recente entrevista o Ministro Relator informou que o julgamento da questão envolvendo a pesquisa com células-tronco embrionárias "preparou o terreno" para a apreciação da ação que leva o nome de ADPF (argüição de descumprimento de preceito fundamental) em que se suscita a possibilidade de aborto do feto anencéfalo, ou seja, sem cérebro.
Difícil de lidar com isso... E o mais complicado é que a anencefalia é mais comum do que parece, já que se trata de uma má-formação congênita que atinge acerca de 1 em cada 1000 bebês. A palavra anencefalia significa “sem cérebro”, mas não está totalmente correto. Faltam ao bebê atingido partes do cérebro, mas o cérebro-tronco está presente. Quando um bebê anencéfalo sobrevive após o parto, terá apenas algumas horas ou alguns dias de vida. A discussão sobre o aborto do feto anencéfalo tem que passar, necessariamente, por uma melhor compreensão do que vem a ser a anencefalia.
Sobre o tema, de um ponto de vista médico, os Doutores Carlos Gherardi e Isabel Kurlat escreveram o esclarecedor texto Anencefalia e Interrupción del Embarazo - Análisis médico y bioético de los fallos judiciales a propósito de un caso reciente. As conclusões deste trabalho foram muitíssimo bem traduzidas pelo professor de Processo Penal na FESMP/RN Manuel Sabino Pontes, que tomo a liberdade de resumir.
Em poucas palavras e adotando uma terminologia menos técnico-científica, pode-se concluir que a anencefalia é uma alteração na formação cerebral resultante de falha no início do desenvolvimento embrionário do mecanismo de fechamento do tubo neural e que se caracteriza pela falta dos ossos cranianos (frontal, occipital e parietal), hemisférios e do córtex cerebral. O tronco cerebral e a medula espinhal estão conservados, embora, em muitos casos, a anencefalia se acompanhe de defeitos no fechamento da coluna vertebral. Aproximadamente 75% dos fetos afetados morrem dentro do útero, enquanto que, dos 25% que chegam a nascer, a imensa maioria morre dentro de 24 horas e o resto dentro da primeira semana.
Na anencefalia, a inexistência das estruturas cerebrais (hemisférios e córtex) provoca a ausência de todas as funções superiores do sistema nervoso central. Estas funções têm a ver com a existência da consciência e implicam na cognição, percepção, comunicação, afetividade e emotividade, ou seja, aquelas características que são a expressão da identidade humana. Há apenas uma efêmera preservação de funções vegetativas que controlam parcialmente a respiração, as funções vasomotoras e as dependentes da medula espinhal.
Esta situação neurológica corresponde aos critérios de morte neocortical (high brain criterion), enquanto que, a abolição completa da função encefálica define a morte cerebral ou encefálica (whole brain criterion).
A viabilidade para a vida extra-uterina depende do suporte tecnológico disponível (oxigênio, assistência respiratória mecânica, assistência vasomotora, nutrição, hidratação). Há 20 anos, um feto era considerado viável quando completava 28 semanas, enquanto que hoje, bastam 24 semanas ou menos. Faz 10 anos que um neonato de 1 kg estava em um peso limite, mas hoje sobrevivem fetos com 600 gramas.
A viabilidade não é, pois, um conceito absoluto, mas variável em cada continente, cada país, cada cidade e cada grupo sociocultural. Entretanto, em todos os casos, a viabilidade resulta concebível em relação a fetos intrinsecamente sãos ou potencialmente sãos. O feto anencefálo, ao contrário, é intrinsecamente inviável. Dentro e um quadro de morte neocortical, carece de toda lógica aplicar o conceito de viabilidade em relação ao tempo de gestação. O feto será inviável qualquer que seja a data do parto.
A má-formação geralmente é reconhecida durante o pré-natal. Após o diagnóstico os pais se deparam com a difícil decisão entre vida e morte.
O fato é que no Brasil a interrupção da gravidez se consubstancia como conduta não ilícita, pois, o aborto só é permitido legalmente em duas condições: quando a gravidez resultou de um estupro ou quando a vida da mãe encontra-se em risco. Há quem diga que não existe crime na hipótese do aborto desautorizado do feto anencéfalo, tendo em vista os princípios da dignidade da pessoa e preservação da higidêz psiquica aplicáveis à gestante, mas isso é matéria para outro post...
Desta forma, a anencefalia tem sido abordada pontualmente, caso-a-caso, quando os pais, numa dura decisão acabam por socorrer-se do Judiciário para o fim de obter uma liminar requerendo a antecipação de parto, já que a perda da criança anencéfala é evento futuro e certo.
Diante dessa dura realidade é que foi ajuizada essa ADPF no ano de 2004, que se encontra pendente de julgamento perante o STF, trazendo em sua capa o número 54, em que figura como autora a CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde) e para a qual foi designado relator o citado Ministro Marco Aurélio Mello. Depois de toda a celeuma envolvendo o julgamento das pesquisas com as células tronco embrionárias entendeu o Ministro que “Agora, creio que o tribunal está maduro para julgar a causa”, sendo certo que, no meu entender o caso da interrupção da gravidez do feto anencéfalo traz, novamente, à ordem do dia carrega a mesma carga de polêmica que permeou o processo julgado na última quinta-feira (justamente o das células-tronco...). Em 1º de julho de 2004, numa decisão liminar (provisória), Marco Aurélio liberara a remoção do feto nesses casos. Três meses depois, porém, o plenário do Supremo derrubou a liminar. Deu-se por maioria de votos –sete a quatro.
O STF ainda precisa julgar o mérito do processo. Poderia tê-lo feito a mais tempo. Mas, sentindo o cheiro de queimado, Marco Aurélio achou melhor dar refúgio à causa em sua gaveta.
“Foi uma decisão refletida”, diz agora o ministro. “Perguntei a mim mesmo: Devo tocar o processo? Para quê? Para queimar uma matéria de tão alta relevância? Não.”
“Agora”, acrescenta o ministro, “creio que o Supremo já está maduro para tratar da matéria. Já temos clima para julgar e, creio, autorizar a interrupção da gravidez de anencéfalos.”
Um fato é mais do que claro: o STF mudou seu perfil nos últimos quatro anos e depois das posições adotadas no julgamento do caso das células-tronco, o Ministro não se mais receoso de se ver espinafrado num julgamento que promete ser polêmico, já que, uma vez, já teve sua liminar revogada.
O Ministro considera que o processo sobre os fetos malformados constitui “o primeiro passo antes de um julgamento sobre o aborto.” Outro tema que, segundo diz, deseja “enfrentar no plenário” do tribunal.
Na opinião da Igreja Católica, a interrupção da gravidez de um feto sem cérebro já é um aborto. E, como tal, não pode ser autorizada pelo STF.
No Brasil, como se sabe, o aborto é ilegal. Conforme já mencionamos, o Código Penal, uma lei velha, de 1940, só abre duas exceções: autoriza o aborto nos casos em que há risco de morte para a gestante ou quando a gravidez decorre de estupro.
Para Marco Aurélio, a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia não caracteriza senão um “aborto terapêutico.” Argumenta que “não há expectativa de vida do feto fora do útero”.
Mais: “Há casos em que a morte do feto se dá ainda na fase intra-uterina e em que a vida da própria gestante é colocada em risco.”
Antes de devolver a encrenca ao plenário do tribunal, Marco Aurélio deseja submeter o tema à fricção de um debate em audiência pública.
Vai demorar? "Não, não. É coisa para logo", diz o relator Marco Aurélio. "Vou me dedicar ao processo, junto com outros".
Em 198 anos de existência do STF, essa será a segunda audiência pública promovida pelo tribunal. A primeira foi convocada para tratar das pesquisas com células-tronco embrionárias.
A comunidade médica é francamente favorável à interrupção da gravidez de fetos anencéfalos. Uma deformidade que, por meio de simples exame de ultra-som, pode ser detectada a partir da 12ª semana de gestação.
Ainda não tenho opinião formada a respeito, mas tenho certeza de que um feto em formação não tem o mesmo significado do que uma simples célula embrionária. Não o faço sob nenhuma ótica científica, apenas intuitiva. Preciso me aprofundar a respeito.
Penso que a nova questão merecerá uma reflexão ainda maior do que a do julgamento das células-tronco, já que embrião é embrião e feto é feto. Sem querer ser idiota ou sarcástico no trocadilho, não é porque a gata dá a luz no forno é que nascem biscoitos, ou seja, não são todos os assuntos ligados à vida intra uterina, concepção, medicina, dignidade da pessoa humana, etc., que devem ser tratados da mesma forma ou julgados da mesma maneira...
Agora, o momento é de aguardar por mais esse julgamento que promete mexer com os alicerces da sociedade.
É isso.

Palavras não são só palavras

Recentemente ouvi palavras que me marcaram fundo. Passei a refletir acerca do poder que detém e percebi que estas nunca são apenas singelas combinações de letras ou caracteres... palavras estão vivas e expressam muito mais do que simples noções, atos ou fatos. Palavras têm alma e tocam a alma.

Numa ocasião, lí que não há volta da flecha atirada, da oportunidade perdida e da palavra proferida. E é verdade; temos que ser extremamente cuidadosos com o que dizemos.

Em minhas viagens pela net, achei um belo texto, cujo autor não é mencionado, mas tomo a liberdade de reproduzi-lo. Vale a reflexão:

"Palavras não são só palavras... Nunca. Palavras têm forma, cor, e textura, palavras têm peso, tem cheiro e tem gosto... Palavras têm alma e tem rosto, palavras têm vida... Existem palavras-armas, que atiram e machucam, podem até matar. Não pessoas, mas sim sentimentos. Palavras-agulhas, o que elas injectam faz efeitos diferentes em cada um... Ou não fazem efeito algum. Palavras-bálsamo, se ditas na hora certa aliviam a dor. Palavras-pastilha, ficam marcadas, coladas, para sempre. Palavras-veludo, nunca se consegue extrair por inteiro... Palavras-chave, que abrem qualquer porta. São as mais perigosas, nunca se sabe o que vai encontrar. Pode ser um comboio, que te atropela, um jardim, ou um local de acesso restrito... Palavras-lenços, servem para secar lágrimas. Palavras-borboleta, que voam, palavras-mosquito, zumbem no teu ouvido e tu não sabes de onde vem... E, meu Deus, palavras-tumor, se retiradas a tempo não matam. As palavras nunca são só palavras. Sim, a boca só obedece o cérebro, logo, palavras são pensamentos, de momento ou de uma vida. Antes de sair, elas passam pela alma, pelo coração... e pela cabeça. Cuidado com as tuas palavras, elas são tudo que eu tenho agora".

Achei expressivo esse texto.

Tá aí.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Brasileiro é econômico e flex

Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal de Brasília mostrou que cada brasileiro caminha em média 1.440 km por ano.
Outro estudo feito pela Associação Médica Brasileira mostrou que na média o brasileiro toma 86 litros de cerveja por ano.
Isso significa que na média, o Brasileiro faz 16,7 km por litro.
Isso me deixa muito orgulhoso de ser Brasileiro!!!
Perolei.

Precoce...

Bem precoce esse "harleyro"...

Células Tronco: Ciência X Religião X Ética

As experiências com células-tronco embrionárias estão finalmente autorizadas no Brasil.
Depois de três anos de discussão na Justiça, a maioria dos 11 juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou ontem a decisão de negar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que pedia a exclusão do Artigo 5º da Lei de Biossegurança (11.105). Com isso, as pesquisas iniciadas no País em 2003 continuam a ser realizadas, com as únicas restrições já estabelecidas pela lei de 2005.
O julgamento iniciado em março e retomado quarta-feira foi acompanhado de perto por manifestantes favoráveis e contrários às pesquisas. A comunidade científica, representada por pesquisadores brasileiros, comemorou o resultado.
Com o sinal verde do STF, o Brasil reforça a posição de único país latino-americano a permitir pesquisas de células-tronco e integra o grupo de 26 no mundo, a maioria do Primeiro Mundo. “Vamos nos somar a uma série de esforços desenvolvidos no exterior, em busca de novas terapias para a medicina regenerativa. Não prometemos curas no curto prazo, mas já temos uma esperança a mais”, comentou uma cientista da Universidade de São Paulo (USP). Ela acompanhou todo o julgamento nos seus dois dias e muitos de seus argumentos foram citados nas falas dos ministros.
Em nota, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamentou a decisão.
Mas é importante frisar que, apesar de seis votos terem sido declarados como totalmente favoráveis às pesquisas, sem nenhuma ressalva, os demais cinco vieram carregados de ponderações, alguns que geraram até dúvidas sobre o teor do voto. Essas ressalvas dos chamados “votos de parcialidade” foram no sentido de sugerir maior controle ético para a manipulação genética no País, com a criação de um órgão federal de fiscalização, provavelmente vinculado ao Ministério da Saúde, e pedindo ao Congresso que detalhe mais a legislação referente ao tema.
“O assunto está encerrado para nós (STF), mas ficam observações para serem avaliadas pelos poderes Executivo e Legislativo, no que os compete”, comentou o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, último a proferir o voto. Mendes também negou a Adin 3.510, proposta pelo então procuradorgeral da República, Cláudio Fonteles e acompanhada pelo atual, Luiz Francisco Fernandes de Souza.
Mas ele registrou suas preocupações no voto. “Um tema tão complexo e que trata da dignidade humana não pode perder de vista as responsabilidades que acarreta”, disse.
Diante do posicionamento adotado pelo nosso Tribunal Maior, entendo ser oportuno trazer algumas ponderações acerca de tão controvertida matéria. Não que eu seja um expert em biossegurança ou uma autoridade religiosa, mas enquanto advogado e acadêmico dotado de fé, creio ser interessante externar meu ponto de vista.
O debate sobre células-tronco esteve na pauta da discussão política, filosófica e religiosa durante longo período de tempo. Inspirado na opinião do cientista e professor Shimon Slavin, líder mundial no campo da imunoterapia oncológica e doenças auto-imunes, procuro trazer alguns aspectos científicos da questão, temperando minhas palavras com algum viés religioso. Não que eu pretenda ter uma opinião absoluta.
Conforme disse anteriormente é a simples opinião de um advogado, professor de direito e que acredita nos princípios fundamentais da Fé no Criador.
Enquanto a pesquisa e o uso de células-tronco adultas - do tipo encontrado na medula óssea - são universalmente aceitos, o mesmo não vinha ocorrendo com as embrionárias, que se formavam durante os primeiros dias de desenvolvimento do embrião. A característica mais importante deste tipo de célula é o fato de ser indiferenciada, pois somente evolui e se diferencia com o crescimento do embrião. E, a partir deste ponto dá origem a todos os tecidos do organismo. Diante desta versatilidade, os cientistas esperam um dia poder utilizá-las na recuperação de tecidos danificados e no tratamento de doenças graves.
Atualmente há duas maneiras de se obter células-tronco embrionárias humanas para pesquisa. Na primeira utiliza-se embriões já congelados, disponíveis nas clínicas de reprodução. Em outra produz-se embriões clonados do próprio paciente. Conseguir uma linhagem de células a partir de um embrião clonado quer dizer conseguir fazer crescer "in vitro" as células retiradas do embrião. Pela técnica de transferência nuclear já é possível produzir um embrião geneticamente idêntico ao do paciente sem a necessidade de fertilização.
Quanto à primeira forma de obtenção de células embrionárias, ou seja, junto às clínicas de fertilização e reprodução assistida, creio que, havendo anuência dos genitores, as células podem e devem ser utilizadas para pesquisas. Ainda não têm vida e, ademais, não sendo desejadas pelos pais para fins de reprodução, serão simplesmente descartadas. Nesta toada, antes utilizar-se o embrião para fins de se salvar outras vidas do que simplesmente jogar-se-o no lixo...
A grande discussão reside no que se refere à produção de células tronco embrionárias para fins de pesquisa. Há o argumento de que, para a "criação" das células tronco, é necessário destruir-se o embrião, o que, em tese, afronta o princípio da inviolabilidade do direito à vida.
Penso que, sem adentrar na questão religiosa de essência (ou seja, de quando começa a vida: se na concepção, na formação do feto ou na vinda do novo ser ao mundo?), não há problemas éticos quanto à pesquisa das células-tronco adultas, a dizer, as obtidas do sangue do cordão umbilical, da medula óssea ou do próprio sangue. Diz o renomado professor que: "Há algumas questões éticas quando se trata das embrionárias, pois manipulá-las implica em evitar o futuro desenvolvimento de um embrião. Em meu entender, há muita hipocrisia em torno dos supostos problemas éticos daí advindos, pois muitos óvulos fertilizados na prática médica são descartados, de qualquer modo, após anos de armazenamento em nitrogênio líquido. Além do mais, em princípio, qualquer célula do organismo pode agir como as embrionárias. Isto porque o teor do DNA de cada uma das células de nosso corpo contém todas as informações genômicas sobre a pessoa. Já houve comprovação com animais experimentais e não há razão para se pensar que seria diferente nos seres humanos: a clonagem celular permite que seja gerado um novo ser em toda a sua integridade - é o caso da ovelha Dolly. Isto não surpreende, pois a história nos ensina que desde a época de Galileu os clérigos religiosos e ortodoxos se opunham ao desenvolvimento das ciências. É por demais perigosa essa interpretação errônea da religião por pessoas fanáticas, que desconhecem a matéria científica. Foi o que nos demonstrou a história - muitas ocorrências desagradáveis podem resultar da estreiteza da visão e da mente de certos religiosos".
Também procurei me informar acerca da destruição de pré-embriões nos experimentos com células-tronco e se haveria alguma semelhança entre tal prática e o aborto. Observei que é incorreto se deduzir que a pesquisa tal como vem sendo feita nos centros mais avançados do mundo envolva o sacrifício dos pré-embriões. Sob esse ângulo, os abortos praticados aos milhares, em todos os países, dentro da lei, são muito piores, pois nesse caso claramente se destrói um ser humano - e isto se aplica a todas as religiões.
De fato, lendo um pouco mais sobre a questão (posso até estar errado...), notei que "a priori", nas pesquisas com células tronco embrionárias, não há que se criar embriões apenas no intuito de destruí-los, pois podemos gerar células-tronco para pesquisa a partir de material descartado (como os óvulos colhidos para a fertilização "in vitro" não utilizados). De qualquer maneira, seriam descartados, pois apenas alguns são inseridos. Além do mais, imagine-se alguém contrário à idéia, na situação de pai de uma criança com uma deficiência grave, ou pior, lutando contra a morte, necessitando de um órgão que pode ser gerado a partir de células-tronco embrionárias. Estas podem ser manipuladas em laboratório e, penso que conforme qualquer religião, não são ainda consideradas "seres humanos". E são as que podem salvar vidas. De fato, não concordo com a assertiva "criação deliberada de pré-embriões com o único propósito de os destruir". Ninguém prepara embriões para os destruir. Se fecundados, os óvulos são usados cientificamente; e com isso se visa melhor entender a biologia e melhor utilizar as células pluripotentes na cura de problemas de saúde de outra forma incuráveis.
Penso, finalmente que, se o objetivo maior é preservar aqueles que estão e são vivos, a pesquisa utilizando-se as células-tronco embrionárias deve ser estimulada e desmistificada. O potencial das células-tronco é inquestionavelmente extraordinário, pois se estas, potencialmente, permitem criar um ser humano inteiro, obviamente permitem a criação dos órgãos necessários. É fato que há uma grande escassez de órgãos e uma enorme fila de pessoas que necessitam transplante de fígado, rim, ilhotas pancreáticas ou coração e que morrem devido à falta desses órgãos.
A meu ver, nossa obrigação primordial é ajudar aqueles que já têm vida, e que inquestionavelmente são seres humanos - em vez de ficar pensando nas células que ainda nem são seres humanos como se já o fossem.
Portanto, sob meu ponto de vista, de todo louvável a decisão do STF, mas sempre devendo se adotar o posicionamento com as cautelas necessárias, eis que, em se tratando de um tema complexo que lida com a dignidade da pessoa humana, as responsabilidades na sua análise e aplicabilidade prática são extensas.
É isso.

Pra perolar um pouco...

O caipira entrou no consultório e meio sem jeito foi falando:
- Doutor, o negócio não sobe mais.
Já tomei de tudo quanto foi chá de pranta mas não sobe mais mesmo.
- Ah não, meu amigo. Vou te passar um medicamento que vai deixar você novo em folha. São cinquenta comprimidos, um por dia.
- Mas doutor, eu sou um homem simples da roça. Só sei contar até dez nos dedos e mais nada.
- Então você vai numa papelaria, compra um caderno de cinquenta folhas. Cada folha um comprimido.
Quando o caderno acabar você já vai estar curado. A receita está aqui.
- Brigado doutor. Vou agora mesmo comprar o tal caderno. E logo que saiu do prédio avistou de fato uma papelaria ali perto.
Entrou, a moça veio atender.
- Eu precisava de um caderno de cinquenta fôia.
- É brochura?
- Médico fio da puta. Já andou espaiando meu pobrema por aí.

Mande o stress pra longe

É ... o stress mata!!!!
Diziam no começo do século passado que com a evolução das máquinas, dos computadores e de todas as tecnologias que temos hoje iríamos trabalhar menos, portanto teríamos mais tempo para a nossa família e para o lazer.
Ocorre que, aconteceu justamente o contrário. O trabalho nos deixa malucos e não é compensador. O trânsito deixa qualquer beato amaldiçoando até passarinho. Os diversos gadgets que carregamos criam dependência (feliz era eu quando não tinha celular, pal, ipod, note, essas coisas...), etc., etc.
Tudo isso contribui para o nosso envelhecimento. Tenho a certeza de que, se fizer uma auto-análise, saberei como dar boas dicas para o leitor enfartar. Me tornei um expert em criar condições propícias para um acidente cárdio-fatal.
Em suma, sei exatamente o que não devo fazer, mas continuo fazendo. Será que me tornei um masoquista??? Dá medo até de pensar.
E o pior é que esboçamos, muitas vezes, reações explosivas; sem perceber, levantamos o tom de voz com as pessoas, ficamos irritados, impacientes, a cada semáforo damos uma pancada na direção, ou sem pensar mandamos as pessoas à merda mesmo que não saibamos porque...
Óbvio que esses são sintomas mais do que claros de stress elevado.
Na prática da advocacia é ainda mais marcante. Os prazos sempre pressionando, gente eternamente insatisfeita, a galera que não paga, as mudanças legislativas sempre surpreendentes, a morosidade do judiciário, a falta de preparo e conhecimento de alguns julgadores... enfim, tudo isso influi para aumentar a tensão da profissão.
Dores de cabeça, mau humor, choros, esquecimentos, batimentos cardíacos muito acelerados, dores musculares, mãos frias e úmidas. Já sentiu alguns destes sintomas? Então, se calhar, você é mais uma vitima desta doença tão atual e que afeta quase a totalidade da população ativa em todo o mundo e, naturalmente, uma boa parte dos enfileirados do direito.
Fiquei refletindo se isso tudo vale realmente a pena. É lógico que não: vida, a gente só tem uma.
Diante disso, o que podemos fazer quando sentimos que o stress vai chegar? A dica de alguns médicos é pra nós sempre procurarmos fazer o que realmente gostamos de fazer nas nossas horas vagas, se apegar às coisas que nos deixam felizes, pois aí, o stress pode se tornar de certa forma benéfico... eu explico, o stress que temos no dia a dia causa a alta produção de adrenalina, o que faz pensarmos mais rápido e ajuda a vencer os desafios mais difíceis!
Tudo bem, filosoficamente pensamos positivo, procuramos não esmorecer face às adversidades e potencializamos o stress para coisas boas, mas, isso não ajuda muito, porque patológicamente falando, o stress pode ser fatal.
Penso que temos que adotar algumas medidas objetivas para nos manter longe dessa, que é a doença do novo milênio.
Depois de quase ter passado para o além, ainda não aprendi a deixar o stress de lado, mas adotei, ou procuro adotar, algumas medidas que, certamente, preservam minha integridade física e mental.
Procuro acordar cedo. Porque não começar o dia na boa, fazendo as coisas com calma e iniciar as tarefas descansado? Muito melhor assim, não?
Planejar o dia e definir prioridades também são duas boas opções. Fazer tudo simultanea e neuroticamente não leva a nada. Também querer resolver tudo rapidinho não é lá muito saudável. Pelo contrário, penso que tudo o que é feito com calma, vagar, exclusividade, cuidado e planejamento, sai bem feito...
Embora não pratique esse conselho, sei que é fundamental saber dizer não; estabelecer limites. É importante saber dizer "basta" quando a pressão for demasiadamente forte. Se alguém lhe parecer demasiado empenhado em não o deixar respirar, exigindo-lhe mais e mais trabalho, atenção, dedicação, etc., explique-lhe que, apesar de tentar, não consegue fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Tente também não cair na asneira de estar sempre a fazer o que é de competência e responsabilidade dos outros, o que não se confunde em ser ou não solícito. Sempre que puder ajudar, ajude, mas não deixe que outros repousem sobre sua cabeça. Estabeleça seu ritmo, dentro das condições permitidas por seu corpo e mente. Aliás, tudo o que é feito em estado de cansaço físico ou mental, sai mal feito!
Aprender a relaxar, ter uma vida social e dedicar-se a uma atividade criativa, também só podem ajudar. Procuro fazer isso, até mesmo em atividades ligadas diretamente à advocacia. Lecionar é bom demais e traz uma paz de espírito danada. Cachimbar também é bom. Estar com a família, tocar um tanto de gaita, pintar minhas aquarelas, garimpar pinguins, falar bosta com os amigos... é tudo tão tranquilizador...só pode fazer bem para o corpo e para o espírito!
E, finalmente, siga os conselhos médicos, e tenha uma vida sexual ativa e saudável, antes que o stress f... sua vida!
Tá aí.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Pensão alimentícia e prestação de contas pela mãe

O STJ entendeu que ex-marido não pode exigir prestação de contas de ex-mulher no que se refere aos valores pagos a título de pensão alimentícia e seu emprego em prol de filho do casal.
Ex-marido não pode exigir que sua ex-mulher, que tem a guarda da filha, preste conta da pensão alimentícia paga por ele. O entendimento foi aplicado pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao manter decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal em ação de prestação de contas ajuizada pelo pai.
Na ação, o autor alegou que a ex-mulher exerce má administração dos alimentos pagos por ele à filha de 7 anos, no valor de sete salários mínimos. Ele afirmou que, além da pensão, paga as despesas escolares, o curso de balé e o plano de saúde. Por isso, sustenta que a ex-mulher deve prestar conta dos seus gastos, ao entendimento de que há “desvio de finalidade para a qual a fixação dos alimentos se deu”.
A defesa da ex-mulher contestou. Afirmou que o dinheiro é exclusivamente em prol da criança, “sem que se possa visualizar qualquer margem à má administração destes recursos pela mãe da menor que somente visa seu bem”.
Na primeira instância, o juiz extinguiu o processo. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal confirmou a sentença e negou a apelação. No STJ, o ex-marido sustentou que a prestação de contas serve para comprovar a alegada “má administração” da ex-mulher em relação aos alimentos pagos por ele à criança.
Para a ministra Nancy Andrighi, relatora do processo, aquele que paga pensão alimentícia não detém interesse processual para propor ação de prestação de contas contra a mãe da criança. Diante disso, não reconheceu ao ex-marido o direito de exigir da ex-mulher a prestação de contas da pensão paga por ele à filha.
De fato, é bem ponderada a decisão do STJ. No entanto, referida decisão não exclui do alimentante o direito de ver reduzida a pensão na hipótese de alteração do binômio possibilidade X necessidade, em especial se ocorrer a redução da necessidade do filho. Penso que no caso, o que houve foi a utlização de ferramenta não aplicável ao direito de família... na qualidade de advogado do varão, sem sombra de dúvida, utilizaria a ação revisional de pensão com o fito de valer seus direitos...
É isso.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Rádio não pode ser responsabilizada por espinafrada de ouvinte anônimo

A Rádio Difusora Vale do Itajaí (SC) e o radialista Rubens Menom se livraram de pagar uma indenização por danos morais a Saule Bernardini, que se sentiu caluniado por uma ouvinte anônima. A decisão foi tomada pela 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Segundo o autor da ação, a rádio é responsável por conceder aos ouvintes espaço para se manifestarem ao vivo sem qualquer controle prévio. Já o radialista e a rádio argumentam que Bernardini exerce cargo público e assim está sujeito a críticas. Além disso, lembraram que é impossível controlar a opinião dos ouvintes em um programa ao vivo.
Após ler a transcrição do programa, o desembargador substituto Jaime Luiz Vicari, relator do caso, ressaltou que Menom agiu com extrema cautela e profissionalismo ao perguntar diversas vezes se a ouvinte teria provas da denúncia.
Em nenhum momento o radialista concordou com as acusações e chegou, inclusive, a pedir para conversar com a ouvinte fora do ar. Para o juiz, portanto, não houve conduta ilícita dos apelados.
A ouvinte foi identificada e ouvida em sindicância instaurada para apurar suas acusações. "Querer um controle prévio das palavras que serão proferidas por um ouvinte, num programa ao vivo, é impossível: o livre-arbítrio é incontrolável. A outra solução seria proibir esse tipo de programa, o que não se coaduna com os princípios de nossa República", finalizou Vicari.
O precedente é importante, em primeiro lugar porque assegura a liberdade de expressão e pensamento, além de conscientizar a mídea de que deve se acautelar ao permitir aos ouvintes que se manifestem indiscriminadamente. Em suma, a decisão traz um mix bem interessante: liberdade de expressão e pensamento com cautela para que não sejam feridos direitos fundamentais e garantias individuais.
Tá aí.

terça-feira, 27 de maio de 2008

O Ferraço é a cara do Brasil

Brasileiro tem mesmo memória curta... quando começou a novela o Ferraço era o pilantrão, o cara que sacaneou a mulher com o escopo de tirar-lhe até o último centavo; o corrupto; o que não respeitava os direitos dos trabalhadores; o que desejava armar pra cima do povo da Portelinha!
E agora, passado algum tempo, como se travestido de cordeiro, o empresário conquista a simpatia do povo que o deseja ver bem na fita, bem ao lado do filho - que usou de escudo e para fins escusos - e ao lado da mocinha de bons princípios e sofrida até o talo. É como se no final de "A Escrava Isaura" esta se apaixonasse pelo malvado Leôncio...
Em que país vivemos?
Será que o escroto do Ferraço tem que acabar bem na novela?
Parece bobagem ficar aqui postando sobre o final da novela das oito. Na verdade, como diz o jargão popular, "o buraco é mais embaixo", já que está aí mais uma evidência de que o brasileiro tem mesmo memória curta.
Quem se lembra do SIVAM (Sistema de Proteção por Radar da Amazônia); da compra de votos durante a campanha da reeleição; das contas correntes em Caymán; do Caso PC Farias (e correlatos, como o empréstimo no Uruguai); da Pasta Rosa (supostas doações ilegais para campanhas políticas); do "Frangogate" em São Paulo; das "doações" do PROER; dos poços do Inocêncio de Oliveira; das Polonetas; do Escândalo da Mandioca; dos "Anões" do Orçamento Federal; da Máfia da Previdência no Rio de Janeiro; da manipulação dos leilões das Teles; dos grampos no Planalto (não confundir com os grampos do BNDES - é tanto grampo que é fácil misturar); da droga nos Aviões da FAB; do uso dos aviões da FAB para Veraneio em Fernando de Noronha (e Deus sabe mais onde); das propinas para os Fiscais da Prefeitura de São Paulo; do porque da renúncia do finado ACM... só pra falar de escândalos que certamente estão apagados da memória de quase todos nós...
Realmente o "Caso Ferraço" nos faz chegar à conclusão sobre a dificuldade dos brasileiros de relembrar acontecimentos políticos; e não só pretéritos, como vigentes. Um exemplo é saber que a maioria da população brasileira não se lembra direito do caso mensalão, ocorrido em 2005.
Mais uma vez esses casos não ocorrem isoladamente. Onde está Fernando Collor, por exemplo? De volta à política. Além disso, o documentário sobre ex-presidentes do Brasil, exibido no Fantástico do ano passado quase transformou Collor num pobre coitado, quando ele disse que pensou em se matar no fim de seu mandato, assim como fez Getúlio Vargas.
Quantas vezes já ouvimos que o brasileiro tem memória curta? Dizem que nós esquecemos de fatos recentes e que essa alienação, amnésia da realidade é uma das responsáveis pela ausência de mudança. Pode até ser verdade, mas não simplesmente esquecemos de uma hora para outra. São fatores que vão renovando nossas idéias. Por que é assim?
É difícil nos concentrarmos num fato e despí-lo profundamente para alcançar uma análise máxima, quando ligamos a TV e descobrimos que aviões foram proibidos de decolar, que aconteceu um acidente na Marginal, que o Ronaldo comeu gato por lebre, que o ibope da novela das oito está perdendo para Record, que o Colgate é recomendado pelos dentistas, que alguém tomou banho nú no BBB; quer dizer, é tanta informação que recebemos, úteis ou não, que fica difícil criar uma imagem nítida da realidade; tudo fica enevoado num emaranhado de notícias que encobre nossas idéias, nossas conclusões.
Os meios de comunicação atuam nesse papel de divulgar massivamente as informações. Muitas desnecessárias, na tentativa de atender a todos os espectadores e conseguir audiência. A mídea tenta cativar, ao mesmo tempo, a dona-de-casa, o empresário, o atleta, o popular, o fofoqueiro etc., lançando acontecimentos e novidades superficiais que vão desde moda à política, numa braçada só.
Penso que, enquanto a TV, jornais, revistas deveriam partir para uma análise profunda e insistente, no sentido de estimular mudanças, sobre os fatos, ficam só derramando novidades, com abordagem sensacionalista e apenas observadora, ou seja, como se em nada pudessem interferir na sociedade e no governo.
Como consequência, ao invés de participar, a população fica inerte, como se acorrentada ao sofá, assistindo a caravana passar como se o seu país fosse um mundo à parte, uma minissérie da Globo.
As coisas vão acontecendo e ficamos parados na estação, acenando ao trem que passa. E qual o efeito disso? Diz a mídea que o povo tem memória curta, quando na verdade é a confusão criada pela própria mídea que gera essa absurda amnésia popular.
O poder de influência da mídia é tão grande que ela poderia muito bem causar um desconforto em proporções nacionais ao grupo que desejasse. Do jeito que vivemos, seguimos a máxima de John Naisbitt, futurólogo americano: “Estamos nos afogando em informação, mas sedentos por conhecimento”.
E, enquanto isso, taí o Ferrraço se dando bem e o deputado loirinho honesto se ferrando no final da trama...
Porque não inverter os papéis? Porque a galera gosta mesmo - nas palavras do autor espanhol Vicente Blasco Ibánez - é de "Sangre y Arena"...
É isso.

Servidor do MP não pode exercer a advocacia

O ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou liminar no mandado de segurança (MS 27295), no qual um servidor do Ministério Público do Rio de Janeiro quer garantir o direito de continuar exercendo a advocacia. Ele pede que a Corte declare a inconstitucionalidade da Resolução 27, do CNMP (Conselho de Nacional do Ministério Púbico), que, em março de 2008, impediu o exercício da advocacia pelos servidores do MP dos Estados e da União. A informação foi publicada pela assessoria de imprensa do Supremo.
O advogado afirma, no recurso, que tem “direito líquido, certo, e, acima de tudo, adquirido", ao livre exercício da profissão. Segundo ele, esse direito foi conquistado “legitimamente, através dos meios legais existentes”.
Segundo a ação, o CNMP não poderia, por meio de uma “mera resolução”, restringir direitos e cercear o livre exercício da profissão de advogado. Para o autor, a norma é inconstitucional porque o conselho não tem competência para editar legislação desse tipo, que afronta os princípios do devido processo legal e da legalidade. Ele conclui que o cargo de técnico (nível médio) que ocupa no MP do Estado do Rio de Janeiro não é incompatível com o exercício da advocacia.
Ao negar a liminar, o ministro Eros Grau lembrou que a Resolução 27/08 vedou o exercício da advocacia aos servidores efetivos, comissionados, requisitados ou colocados à disposição do Ministério Público dos Estados ou da União. Embora resguardasse os atos processuais já praticados, proibiu “a continuidade do exercício da advocacia”, mesmo àqueles que já estivessem exercendo essa atividade até a data da publicação da resolução.
“A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que não há direito adquirido a regime jurídico-funcional”, sustentou o ministro. “Não há falar-se, ademais, em violação da competência do presidente da República para regulamentar a matéria, eis que compete ao CNMP, no papel de órgão uniformizador das atividades do Ministério Público nacional, zelar pela autonomia funcional e administrativa da instituição, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência (artigo 130 A, parágrafo 2º, inciso I, da Constituição do Brasil)”, concluiu o ministro, ao indeferir o pedido de liminar.
Tá aí.

Praca cronada

O cara que cronôu é um inguinorânti...

E-mail quebra???? O importante é sorrir e ser professor!!!

Hoje, como todas as terças feiras pela manhã fui à PUC para dar minha aula... Direito Societário: sociedades limitadas.
E, indagando se um texto havia sido distribuído à sala, me foi informado pela Marcela que seu "e-mail estava quebrado"...
Passei a filosofar e refletir se "e-mail quebra"??? Pra dizer a verdade, achei graça diante da inusitada assertiva. Será que "e-mail quebra"? Computador quebra! Empresa quebra! Mas e-mail não sei se quebra não...
E-mail, correio-e (em Portugal, correio electrónico), ou ainda email é um método que permite compor, enviar e receber mensagens através de sistemas eletrônicos de comunicação. O termo e-mail é aplicado tanto aos sistemas que utilizam a net e são baseados no protocolo smtp, como aqueles sistemas conhecidos como intranets, que permitem a troca de mensagens dentro de uma empresa ou organização e são, normalmente, baseados em protocolos proprietários.
Portanto, partindo da definição de e-mail, chego à conclusão de que o e-mail não quebra. O que pode quebrar é o hardware através do qual o mail transita na rede mundial de computadores... ou, na pior das hipóteses, pode dar algum pau no sistema que se utiliza para o envio e recebimento de mensagens...
Mas o fato de a Marcela ter dito que o mail estava quebrado, embora me tivesse levado a essa reflexão, bem inútil por sinal, me fez sorrir logo pela manhã. E como me fez bem aquele sorriso por causa do "e-mail quebrado da Marcela"...
Sou professor com muito orgulho e não apenas quero estar professor. Tenho no magistério um lema e um objetivo; e o mais positivo é quando uma turma reflete o bom humor do professor e, numa demonstração genuína de carinho compartiha de seus momentos bons ou não tão bons assim.
Hoje foi o que ocorreu nessa minha especialíssima turma da Faculdade de Direito da Puc. Aliás, todas as minhas turmas, de alguma forma são especiais; cada uma a seu modo. Cada aluno é um discente único e se torna parte de minha vida e de minha história.
Cheguei à Faculdade depois de uma noite difícil e, não fosse o "e-mail quebrado" da Marcela, e as risadas que me fez dar, talvez não tivesse ânimo de encarar o dia.
Parece que a turma, o aluno, sabem o momento certo de incentivar o docente. E foi o que ocorreu hoje com a "quebra do e-mail da Marcela"...
De fato, ser professor é uma das mais difíceis profissões dos tempos modernos. Ser bom professor é uma característica só ao alcance de alguns. Desde logo porque depende de em primeiro lugar de qualidades humanas difíceis de manter persistentes ao longo da vida e muitas vezes contraditórias entre si. O bom professor tem que ser convicto mas tolerante, decidido mas flexível, condutor mas companheiro, sabedor mas humilde, confiante mas disponível, disciplinador mas amigo, expansivo mas intimista, preocupado mas alegre, justo mas diferenciador. O bom professor tem que ser a fusão dos opostos, tratar todos por igual mas de forma diferente.
E, como disse, quero tão somente ser professor, quiçá ser um bom professor... E aqui cabe enfatizar que existe uma grande diferença entre "ser" professor e "estar" professor. Ser professor é doação, é dedicação, é dar a vida pelo bem-estar do outro, é ser amigo, irmão, companheiro daqueles que querem aprender e aprendiz daqueles que querem ensinar.
Ser professor é abrir o coração para as dificuldades, é exigir também por dignidade, por reconhecimento e por uma educação mais justa e fraterna. Ser professor é amar, é compartilhar o que aprendeu com os que foram e que ainda são professores, é plantar a sementinha da esperança e da justiça na mente e no coração de cada aluno. Ser professor é simplesmente e orgulhosamente "ser" professor. Muitos pensam que não há distinção entre "ser" e "estar" professor, mas existe uma enorme diferença.
Estar professor é trabalhar por obrigação. É não ter compromisso com a educação e viver descontente. Estar professor é não se alegrar com as conquistas. É pensar que nunca vai ser valorizado e não corresponder com as expectativas daqueles que querem um mundo melhor. Estar professor é não poder dizer: apesar de alguns infortúnios, eu amo minha profissão! Com muito orgulho, EU SOU PROFESSOR.
Ser professor é uma postura de vida! Estar professor parece algo transitório, sem perspectivas, sem sonho! É o sonho, a utopia e a crença no potencial humano que diferenciam o “ser” professor do “estar”.
O educador não precisa ser “perfeito” para ser um bom profissional. Fará um grande trabalho na medida em que se apresente da forma mais próxima ao que ele é naquele momento, que se “revele” sem máscaras e jogos. O bom educador é um otimista, sem ser ‘ingênuo”. Consegue “despertar”, estimular, incentivar as melhores qualidades de cada pessoa.
Para de fato sermos educadores é preciso ser inteiro nas lágrimas e no sorriso. Inteiro no ensinar e no aprender. É saber que nossos alunos precisam de nós. E nós precisamos deles.
Espero, apenas, um dia, ser um bom professor e fazer jus ao carinho e compreensão que por todos esses anos tem me sido dispensados. O que posso fazer nesse instante? Apenas agradecer por tentar ser professor. Tomara um dia meus alunos lembrem-se de mim com o amor e carinho que tenho por eles... afinal, hei de vencer sendo professor.
É isso.