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sexta-feira, 23 de maio de 2008

O primeiro cachimbo nunca se esquece

Fazem exatamente 25 anos que ganhei do meu pai meu primeiro cachimbo. Me senti um expert quando ele me levou à Nat Sherman, tradicional tabacaria novaiorquina e me deixou escolher o primeirão. Não tinha idéia de como começar e apenas no visual acabei por fazer uma boa escolha que ostenta minha estante até hoje, com especial destaque: foi um Savinelli, "punto oro" de um briar bem claro sem qualquer falha, no formato "rodesian".
Foi o primeiro de muitos, mas aquele Savinelli nunca esqueço. Com ele comemorei grandes acontecimentos em minha vida!
É um cachimbo bem conservado que uso de vez em quando.
Cachimbos são peças que duram toda uma vida. Tenho muitos, dentre eles peças de estimação que pertenceram ao meu avô paterno e a um tio, cachimbeiro dos bons, que me ensinou a gostar dos tabacos Dunhill. Foi para ele que, quando ainda garoto, trouxe do exterior as primeiras latas do A21000, tabaco numerado, de um blend exclusivo, registrado nos livros do famoso tabaconista, na série "My Mixture"... hoje tenho a minha mistura também, embora meus tabacos de predileção sejam o Apricots & Cream (um blend de Black Cavendish, Green River Vanilla e Apricot Brandy) da Cornell & Diehl e o Early Morning Pipe (uma miustura tradicional inglesa à base de tabacos Latakia, Virgínias vermelho e claro e orientais) da Dunhill ambos não disponíveis em nossas paragens. Mas os tabacos de eleição podem mudar. Já tive épocas de ir ao Mercadão comprar fumos "Amarelinho" e "Tietê" para picar na ponta-da-faca e ter com eles o mesmo prazer das mais sublimes misturas importadas...
Hoje, mesmo depois do susto de um belo enfarte, sigo gostando de uma cachimbada para relaxar, obviamente que com muito menos intensidade do que no passado, mas com o mesmo espírito da busca de momentos de prazer e contemplação.
Sempre digo que para se fumar cigarros é preciso ter coragem; para fumar charutos (dos bons) é preciso ter dinheiro; mas para fumar cachimbo é preciso ter paciência e, no início um pouco de persistência.
Fumar cachimbo é adaptar um ritual ocioso de descontração e prazer, que requer atenção, destreza e conhecimento. Talvez seja esta a razão que leva a maioria das pessoas a associar o cachimbo a pessoas nobres, sofisticadas e profissionais.
O cachimbo, embora partilhe algumas similaridades com o charuto e os cigarros, é muito diferente. Um cachimbo é muito mais difícil de fumar, pois requer mais que uma boca e um fósforo. É necessário dominar alguns artifícios, como o de encher o fornilho, acender eficazmente e o ritmo de fumar para mantê-lo aceso, para poder apreciar o verdadeiro sabor dos tabacos.
Uma das vantagens que o cachimbo tem sobre o charuto e o cigarro, é a quantidade de tabacos disponíveis; existem milhares de marcas com inúmeras misturas e diversos tipos de tabaco, que, por sua vez podem ter potenciais componentes de misturas caseiras.
Embora o sabor do tabaco varie com a região de produção e seu processo de obtenção, os charutos têm um aroma muito similar. Estou, apenas, a referir-me aos charutos com qualidade comprovada, e não daqueles "embrulhados" em plástico, cuja qualidade é muito duvidosa.
Esta limitação aromática talvez se deva à restrição geográfica de cultivo. No que toca às regiões produtoras de tabaco para cachimbo, estas são numerosas. Por exemplo: o Latakia, um tabaco oriental bastante conhecido pelos fumadores de cachimbo, é curado sobre uma fogueira de madeiras exóticas (antigamente era estrume seco de camelo), o que lhe confere um sabor único; o Perique, um tabaco da Louisianna, que é fermentado, demonstra um sabor apimentado com passas, o Xanthi, um tabaco turco, evidencia um aroma complexo a avelãs tostadas...
Esta diversidade aromática dos tabacos é, adicionalmente, incrementada pelos métodos de secagem, prensagem e corte, que são diversos e, todos eles proporcionando diferentes aromas. Para além do tabaco, por vezes existe a adição de essências aromáticas, como a baunilha e a cereja. Eu, particularmente, prefiro os tabacos "in natura" e em flake, sem aqueles aromas que são agregados ao fumo, até mesmo porque o cheiro de chocolate ou cereja que os outros sentem, não são exatamente os que ficam no paladar do cachimbeiro. Prefiro sentir o sabor do tabaco na sua mais pura acepção. Um bom tabaco para cachimbo pode ser comparado a um vinho safrado com paladar, bouquet e produção limitada, com preço exatamente proporcional a essas características.
O cachimbeiro, em geral acaba por ter marcas de tabaco de predileção. Ou ao menos certos tabacos para certos momentos, uns mais fortes e outros mais fracos, mais ou menos aromáticos, sendo certo que há uma diferença, sutil diferença, entre os aromáticos e os aromatizados.
Numa analogia feliz, a diferença entre sorver um tabaco aromatizado industrializado e um tabaco aromático de boa cepa, é a mesma de uma imagem de um televisor a preto e branco e a de um televisor a cores, pois não posso considerar que um "naco" de tabaco cheio de aditivos, prensado em um pacote fechado a vácuo, possa ter sabor. Mas nada que assuste; para começar, nada melhor do que um tradicional tabaco industrializado com corte miúdo, de combustão fácil e uniforme. Esses, aliás, são os mais comercializados...
Por outro lado, a beleza de um cachimbo é indiscutível. Mesmo que o indivíduo não seja um verdadeiro conhecedor de cachimbos, certamente, conseguirá apreciar um. E o melhor, é que depois de acabar de fumar ainda o pode guardar, e apreciá-lo vezes sem conta. O próprio cachimbo é uma forma de arte, muitos deles brotam zelosamente das mãos de um artesão. São vários os aspectos a considerar no cachimbo, o material (urze, espuma do mar, espiga de milho, porcelana...), o formato do fornilho ou da haste, o ângulo do pescoço o sistema de arrefecimento (cooler). O que o torna num instrumento de precisão ao qual se alia uma hipotética beleza extraordinária.
Apesar da idéia que a generalidade das pessoas tem sobre o aspecto econômico de fumar cachimbo, este é, possivelmente, o mais barato. Não que se compare o preço de um cachimbo Dunhill ou Savinelli Autograph com o preço do maço de Marlboro... mas se levarmos em conta que um cachimbo nacional de ótima qualidade pode custar cerca de R$ 60 e um pacote de 50g de tabaco importado custe cerca de R$ 20, prestando-se a cerca de vinte cachimbadas de uma hora cada uma, podemos ter uma idéia do custo reduzido desse hábito ou hobby que para muitos pode ser considerado caro ou exorbitante...
Uma das grandes desvantagens de fumar cachimbo, para além de todos aqueles "truques" de encher e manter aceso o cachimbo, é a necessidade de trazer algum equipamento conosco sempre que saímos, uma bolsa que deve conter o cachimbo, o tabaco, um calcador ou socador, um isqueiro e alguns escovilhões. No entanto dispensa-se, por um maior período de tempo, um outro item que é necessário a todas as outras formas de fumar, e que é consideravelmente mais volumoso, o cinzeiro.
A limpeza do cachimbo, também se pode tornar um pouco complicada, mas quando se ganha prática este ritual acaba por passar despercebido.
Em termos de saúde, não podemos afirmar que o cachimbo é inócuo de fumar. No entanto, fumar cachimbo, tal como o charuto, é menos prejudicial que os cigarros, sobretudo se não inalarmos o fumo. Enquanto fumamos cigarros somos obrigados a inalar gases provenientes da combustão do papel que contém diversos químicos para auxiliarem uma combustão ordenada e uniforme, como o alcatrão e a pólvora. Mais, o tabaco usado nos cigarros é, normalmente, de fraca qualidade e contém diversos aditivos químicos para melhorarem as suas propriedades de queima, tal como o amoníaco, substância que causa uma grande dependência.
Tenha em atenção uma coisa, apesar de todo o prazer que possa ter em fumar, existem pessoas que não compartilham minimamente as suas opções ociosas; não as obrigue a inalar o seu fumo, principalmente quando estão em causa crianças. Dois dos requisitos de um bom fumador de cachimbo são o respeito e a educação.
Conforme já disse, pelas minhas atuais condições, fumo pouco cachimbo, mas quando o faço, me desligo do mundo, enlevado pelo perfumado aroma.
Outro dia estava pensando sobre a iniciativa do Ministro Gil de tornar patrimônio cultural o chá da ayahuasca... Não que o cachimbo esteja relacionado a alguma prática religiosa, mas certamente, pelo relax que proporciona ajuda a chegar às portas da percepção.
Conforme os anos passam, vamos apurando nosso paladar e olfato. Penso que com o cachimbo aprendi a sentir profundamente outros aromas, da natureza, do cheiro de mato, da maresia, da quietude... aprendi que posso meditar, até trabalhando.
Guardo os cachimbos muito bem guardados e, apesar de tantas e tantas mudanças, carrego um sempre comigo para onde vou. No mínimo uma bela cachimbada me dará tempo para pensar ou meditar e estar preparado para o próximo round que a vida me reserva.
É isso.

Justiça libera aluno de aulas práticas com animais

Por questões de consciência, um aluno do curso de biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul obteve autorização judicial para não assistir às aulas das cadeiras de Bioquímica 2 e Fisiologia Animal B que implicassem a utilização de animais em suas aulas práticas.
A procedência da ação foi concedida pelo juiz da Vara Federal Ambiental, Agrária e Residual de Porto Alegre atendendo ao requerimento do discente de que não desejava assistir às aulas por "objeção de consciência", em razão de sua visão ecológica e visando a proteção dos animais e cobaias utilizados nos experimentos e demonstrações.
O aluno argumentou que é refratário a sacrifício de animais e a vivissecção durante as aulas práticas do curso.
Em um primeiro momento, o aluno tentou ser dispensado das aulas junto à própria UFRGS. A universidade, porém, não se sensibilizou com a argumentação, recusou o pedido e reprovou o aluno nas cadeiras. A alegação da UFRGS, dando ao aluno a alternativa de "desistir do curso": "A partir do ingresso no curso, o estudante fica submetido integralmente ao programa de disciplinas e, inclusive, às aulas práticas propostas pelos professores."De acordo com a sentença, o aluno tem o direito à "objeção de consciência". Para a universidade, pediu que providencie trabalhos alternativos em substituição às aulas práticas, apresentando integral validade para fins de aprovação final, além de assegurar o aprendizado do autor nas disciplinas referentes.
Além disso, a UFRGS, que vai recorrer da sentença, foi condenada pela Justiça gaúcha a reparar o estudante em R$ 1.000 por danos morais.
Em compensação, o juiz negou o pedido genérico do aluno para proibir o uso de animais em aulas práticas do curso. De acordo com ele, não há comprovação de que os procedimentos sejam ilegais ou abusivos.
Como a decisão é de primeira instância, trata-se de um passo a favor do aluno. Mas liminar conseguida pelo mesmo estudante um ano atrás foi cassada pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região (que abrange os Estados do Sul e tem sede em Porto Alegre) em recurso apresentado pela UFRGS com efeito suspensivo. A UFRGS, agora, recorrerá quanto ao mérito.
De fato, a escusa de consciência é argumento válido em diversas searas, especialmente no que concerne à liberdade religiosa. Resta aguardar se os mesmos princípios serão adotados no que se refere à consciência ecológica.
Tá aí.

O que é ser feliz?

Muitas pessoas costumam dizer que felicidade não existe e que, no máximo, conseguimos ter alguns momentos bons durante nossa vida.
De fato, ninguém consegue viver num mar de rosas durante todo o tempo, em permanente êxtase, imerso em prazeres de todo o tipo. Tampouco sei se isso seria felicidade, pois, conforme vive insistindo o Flavio Gikovate, para vivenciarmos o prazer é preciso que ele venha substituir uma situação anterior negativa ou neutra. É necessária a existência do choque, do contraste.
Imagino que uma pessoa possa se considerar feliz quando reúne três condições essenciais na sua forma de encarar a vida. Primeiro deve ser capaz de "engolir" e "digerir" os dissabores enfrentados no dia-a-dia. Dores e frustrações são usuais e temos que saber lidar com elas.
Uma segunda condição é dispor das qualidades intelectuais, psicológicas e materiais para se manter longe de confusões, desconfortos, sejam eles físicos ou emocionais, ou seja, temos que aprender a viver em paz e no sossego. É importante não confundirmos paz e sossego com tédio, pois, caso contrário, seremos compelidos a arrumar confusão para tornar a vida mais emocionante.
Por último, temos que buscar na vida momentos mais felizes do que tristes e estressantes, usando para tanto, nossa capacidade física, intelectual, etc., em todos os segmentos pelos quais transitamos ou podemos transitar: trabalho, artes, entretenimento, amor, amizades... amizades: essas são importantes. A troca entre amigos confiáveis nos ajuda a reunir essas condições em busca da felicidade.
De fato, é importante ficarmos atentos às promessas que o meio social nos faz e que muitas vezes nos desviam de nossas rotas, nos fazendo acreditar no consumo e em algum modo de viver como prazeroso, mas que talvez não corresponda àquilo que nos faz efetivamente bem.
É isso.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Brincadeira com a vovó

Hoje, feriado, Cidade tranquila, vazia e sem trânsito... dia ótimo para curtir Sampa.
Saí para almoçar.
Acabei caindo num desses restaurantes politicamente corretos, com tudo ecológico e que, num simpático gesto, presenteiam as crianças com balões, dos coloridos, cheios de gás, talvez com o intuito de entreter os pequenos enquanto os pais provam das mais diversas iguarias da maneira mais sossegada possível.
Observando uma mesa vizinha, cheia de uma galera do interiorzão (percebi pelo sotaque com riqueza de erres), noto que a população abaixo dos dez anos era grande e que o número de balões também era elevado. Também notei que vários balões já tinham se escafedido tendo em vista o número de barbantinhos que pendiam do teto, de alto pé direito.
Mas, o que chamou a atenção foi uma observação do papai bonzão à molecada:
- Olha lá a vovó!!! Porque não fazem uma brincadeira com ela?????
Pela expressão taciturna e mal-humorada de uma das jovens senhoras presentes logo notei que se tratava de um inocente chiste entre genro e sogra...
- Porque vocês não amarram seus balões na vovó??? Acho que ela vai gostar!!!!
As criancinhas atiraram-se ao trabalho e a coitadinha da velhinha nada podia fazer. De um lado não entendia direito o que estava ocorrendo, mas o sorriso de satisfação que tinha nos lábios reveleva seu contentamento por estar compartindo da alegria dos netinhos...
Do meu canto, só observei o sorriso malévolo do genro... a essas alturas o cara queria ter pelo menos uns oitocentos sobrinhos pra ver se sua sogra decolava no mesmo destino do padre catarinense... coisa de filho da puta da gema...
Tá aí...

Mulher: uma visão econômico-financeira

Esse foi publicado em um site financeiro.
Uma mulher escreveu pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Só isso já é engraçado, mas o melhor da história é que um cara deu a ela uma resposta bem fundamentada.
Dela:
"Sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos.
Sou bem articulada e tenho classe.
Estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano.
Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou esposas de gente que ganhe isso e possa me dar algumas dicas?
Já namorei homens que ganham por volta de 200 a 250 mil, mas não consigo passar disso, e 250 mil não vão me fazer morar em Central Park West.
Conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego ao nível dela?"
Rafaela S.
Dele:
"Li sua consulta com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise da situação. Primeiramente, não estou gastando o seu tempo, pois ganho mais de 500 mil por ano.
Isto posto, considero os fatos da seguinte forma: o que você oferece, visto da perspectiva de um homem como você procura, é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples.
Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Proposta clara, sem entrelinhas.
Mas tem um problema. Com toda certeza, a sua beleza vai decair e um dia acabar, e o mais provável é que o meu dinheiro continue crescendo.
Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação, e eu sou um ativo rendendo dividendos. Você não somente sofre depreciação como essa depreciação é progressiva, sempre aumenta ! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar linda pelos próximos 5/10 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano, e de repente, se você se comparar com uma foto de hoje, verá que já estará um caco. Isto é, você está hoje na "alta", na época ideal de ser vendida, não de ser comprada.
Usando o linguajar de Wall Street, quem a tem hoje deve tê-la em "trading position" (posição para comercializar), e não de "buy and hold" (compre e retenha), que é o para quê você se oferece...
Portanto, ainda em termos comerciais, casamento (que é um "buy and hold") com você não é um bom negócio a médio/longo prazo, mas alugá-la pode ser, e, em termos sociais, um negócio razoável de que podemos cogitar é namorar. Cogitar...
Já cogitando, e para certificar-me do quão "articulada, com classe e maravilhosamente linda" você seja, eu, provável futuro locatário dessa "máquina", quero o que é de praxe: fazer um test drive...Peço marcar."
Tá aí.

Teste vocacional

Essa eu recebi do Dr. Alvaro lá do Paineiras... acresci alguns resultados...
Coloque 400 tijolos em um quarto fechado, coloque os novos candidatos e feche a porta. Deixe-os sozinhos por seis horas e analise a situação:
1 - Se eles estiverem contando os tijolos, contrate-os para o departamento de contabilidade.
2- Se eles estiverem recontando os tijolos, contrate-os para o departamento de auditoria.
3 - Se eles tiverem bagunçado tudo e espalhado os tijolos, são engenheiros.
4 - Se eles tiverem arrumado os tijolos de maneira bem estranha coloque-os no Planejamento.
5 - Se eles tiverem jogando tijolos uns nos outros, coloque-os em Operações.
6 - Se eles estiverem dormindo, coloque-os na Segurança.
7 - Se eles estiverem quebrando os tijolos em pedacinhos, coloque-os no departamento de tecnologia da informação.
8 - Se eles estiverem sentados sem fazer nada, coloque-os em Recursos Humanos.
9 - Se eles disserem que já tentaram várias combinações e estão ainda tentando outras mais e nenhum dos tijolos tiver saído do lugar, coloque-os em vendas.
10 - Se eles já tiverem saído, coloque-os na Gerência.
11 - Se eles estiverem olhando para a janela, coloque-os em Planejamento estratégico.
12 - Se eles estiverem conversando entre si e nenhum dos tijolos tiver saído do lugar, cumprimente-os e coloque-os na Diretoria.
13 - Se eles tiverem criado um muro de tal forma que eles não podem ser vistos ou ouvidos, então mande-os para o congresso.
14 - Se eles afirmarem que não estão vendo nenhum tijolo ali na sala, coloque no Jurídico.
15 - Se eles reclamarem que os tijolos são uma porcaria, não têm identificação, falta operação, medidas erradas, coloque na Qualidade.
16 - Se começarem a se chamarem de companheiros, nem contrate e mande embora logo antes que eles criem um sindicato.
17 - Se começarem a olhar para os tijolos e gritarem "aaaiiiii que ódio", mande-os para o setor de custos.
18 - Se tentarem colar os tijolos com areia da praia, mande-os trabalhar com o Sergio Naya (aquele do Palace 1 e 2).
19 - Se tentarem usar os tijolos como supositórios, mande-os jogar futebol no Milan.
20 - E, finalmente, se não conseguirem nem mesmo empilhar dois tijolos, podem mandá-los para o Palácio do Planalto para tentarem ser presidente da república.
É isso.

Das espécies de empréstimo: comodato e mútuo

No gênero dos empréstimos, existem duas espécies contratuais, que são objetivamente vislumbradas no texto legal: são o comodato e o mútuo.
Ambos completam-se pela entrega da coisa; se consubstanciar-se em empréstimo de uso, em que o próprio bem emprestado deve ser restituído - em sua individualidade - fala-se no comodato, razão pela qual o bem objetivado no contrato não poderá ser fungível ou consumível. Neste caso, não ocorrendo a transferência do domínio da coisa ao comodatário, se por acaso, aliená-la, poderá até mesmo incorrer em crime de estelionato. Conforme já salientado, o comodatário somente pode usar a coisa, restituindo-a ao comodante.
Por outro lado, se a coisa emprestada for fungível ou consumível, não podendo ser devolvida na espécie, mas por similar, em mesmo gênero, qualidade e quantidade, já se caracteriza o contrato de mútuo. Nesta hipótese, havendo a transferência do domínio da coisa ao mutuário, o mesmo, tornando-se seu proprietário, assume sobre ela todos os riscos, inclusive por sua perda, o que não ocorre no comodato (caso em que o comodante arca com os respectivos ônus).
O comodato caracteriza-se com a entrega do bem que deve ser infungível e não consumível, para que o comodatário possa usa-lo durante o prazo contratual. Tal uso deve ser necessariamente gratuito, fazendo-se necessária a cessão do uso do bem, sem o direito do comodante ao recebimento de qualquer contraprestação. Aliás, o comodato distingue-se da locação justamente pela inexistência de contraprestação. Mas, a retenção da coisa pelo comodatário por prazo além do ajustado, pode acabar provocando o pagamento de valores pelo comodatário ao comodante, muitas vezes confundidos com aluguéis - tal como os pagos nas relações ex locato - consubstanciando-se, na realidade, como uma taxa ou multa pela ocupação indevida (e embora o legislador também os chame de “aluguel), sem que desvirtuem a modalidade contratual do comodato. Em resumo, se algum contrato de comodato contiver a previsão de pagamento de aluguel (embora consideremos que a terminologia mais correta seria a de taxa de uso ou multa pela ocupação indevida) pela utilização exorbitante da coisa pelo comodatário além do prazo estipulado, tal previsão não acarretará a interpretação imediata do contrato como sendo contrato de locação. Tais taxas ou multas caracterizam-se como ônus comumente previsíveis nas hipóteses de inadimplemento contratual pelo comodatário, de sorte que a gratuidade deve imperar como fator preponderante na execução normal do contrato, durante o prazo estipulado ou uso normal da coisa. Outrossim, o comodato também se distingue da doação, já que no segundo existe a transferência de domínio sem termo para o contrato, enquanto no primeiro ocorre tão somente a cessão de uso por certo tempo.
No Novo Código Civil, salvo pequenas melhorias de ordem redacional, não houveram alterações de fundo no que tange ao contrato de comodato.
De conformidade com o regime da nova ordenação, o comodato é o contrato de empréstimo gratuito de coisas não fungíveis, que se perfaz com a tradição do objeto (CCiv, art. 579; CCiv 1916, art. 1.248).
Não podem figurar no contrato na qualidade de comodantes, os tutores, os curadores e em geral todos os administradores de bens alheios, não dispondo de qualquer legitimação para o contrato, salvo na hipótese de existência de autorização especial para tanto (CCiv, art. 580; CCiv 1916, art. 1.249).
O comodato pode ser contratado com ou sem prazo; determinado ou indeterminado. Se não houver prazo estipulado, existe a presunção de que o contrato é celebrado pelo lapso de tempo necessário para o uso concedido da coisa, havendo expressa vedação ao comodante de suspender o uso antes de findo o prazo fixado ou o que se determine pelo uso concedido, salvo na hipótese de necessidade imprevista e urgente, apontada pelo Judiciário (CCiv, art. 581, CCiv 1916, art. 1.250).
O comodatário possui diversas obrigações contratuais, tais como a de conservar como sua a coisa emprestada, não podendo usa-la em desacordo com o que dispõe o contrato, ou a natureza do bem, sob pena de responder pelas respectivas perdas e danos (CCiv, art. 582, CCiv 1916, art. 1.251). Outrossim, se o comodatário for constituído em mora, responderá por sua mora, e pagará pelo uso indevido da coisa o “aluguel” que for arbitrado pelo comodante (CCiv, art. 582 in fine, CCiv 1916, art. 1.252).
Na hipótese de risco para a coisa, juntamente com outros bens ou objetos do comodatário, e este, preferir salvar os seus, com o abandono do objeto do comodante, deverá o comodatário responder pelo dano ocorrido, ainda que se possa atribuir o prejuízo a caso fortuito ou força maior (CCiv, art. 583, CCiv 1916, art. 1.253).
Correm também às expensas do comodatário os custos feitos com a utilização ou uso da coisa objeto do comodato, havendo entendimentos diversos no que concerne às despesas extraordinárias que devem correr por conta do comodante, desde que previamente comunicado e anuente (CCiv, art. 584, CCiv 1916, art. 1.254).
Envolvendo o contrato de comodato mais de uma pessoa na qualidade de comodatária, estas são solidariamente responsáveis para com o comodante (CCiv, art. 585, CCiv 1916, art. 1.255).
A extinção do comodato ocorrerá com o término do prazo convencionado (aplicando-se o disposto no art. 581, se não houver prazo contratual); pela resolução por inexecução contratual; pela resilição unilateral (faculdade do comodatário); pelo distrato; pela morte do comodatário, se se convencionou que o uso da coisa deveria ser estritamente pessoal; e pela alienação da coisa emprestada (salvo na hipótese do comprador assumir a obrigação de manter o comodato).
O mútuo caracteriza-se pela entrega a alguém de coisa fungível, com a assunção de obrigação de restituir outra, em igual quantidade e qualidade. Há a transferência da res ao usuário. Pode-se dizer que ocorrendo no mútuo a transferência do domínio do bem consubstancia-se o contrato como “translativo de direitos”.
Outrossim, embora ocorra a transferência do domínio do bem, a mesma é condicionada à devolução de igual bem (gênero, qualidade e quantidade) no prazo contratado. Conforme salientado, o mútuo é empréstimo para consumo, com devolução dos bens a tempo futuro.
O mútuo também se distingue da locação, seja porque nesta última não há a transferência do domínio do bem objetivado no contrato, mas também diante da ausência de contrapartida em termos de remuneração, mesmo que o mútuo comporte a estipulação de juros. Neste caso, a estipulação de juros ou encargos apenas distancia-se do conceito de gratuidade absoluta do contrato (presente somente no comodato), mas não significa que exista a contrapartida pelo empréstimo, caracterizando sua gratuidade relativa. Por outro lado, na locação o bem objetivado no ajuste não pode ser fungível, situação diametralmente oposta à do mútuo, que se caracteriza justamente por ser o empréstimo de coisas fungíveis.
No mútuo, o proprietário mutuante transmite a propriedade do bem mutuado e não apenas a sua posse, com o efeito e possibilidade de aquela ser consumida. Consumido o bem mutuado pelo mutuário, este deverá proceder à respectiva devolução através de outro bem, da mesma espécie, quantidade e qualidade. No mútuo deve ocorrer a compensação quantitativa e qualitativa e entrega substancial de outra coisa que não a mutuada. Tal substituição é elemento essencial caracterizador do contrato de mútuo.
Conforme o Novo Código Civil, mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis, em que o mutuário obriga-se a devolver ao mutuante bens do mesmo gênero, qualidade e quantidade (CCiv, art. 586, CCiv 1916, art. 1.156).
O mutuante deve possuir capacidade para alienação da coisa mutuada, ou seja, poder exercer sobre ela todos os direitos inerentes à respectiva propriedade, podendo dela dispor, tendo em vista a própria natureza do mútuo. O contrato produz a transferência do domínio da coisa emprestada ao mutuário, correndo por sua conta, desde a tradição, os riscos emergentes (CCiv, art. 587, CCiv 1916, art. 1.257).
Em se tratando de mútuo feito a menor, sem anuência de seu responsável legal(o legislador menciona aquele que detiver a guarda do menor), não pode ser reavido do mutuário, nem de seus fiadores (CCiv, art. 588, CCiv 1916, art. 1.259). É oportuno mencionar-se que ocorrendo a ratificação posterior pelo responsável legal - ou conforme o texto legal, pelo detentor da guarda - do empréstimo feito a menor, não será aplicável a exceção do art. 588 do Novo Código Civil, o mesmo ocorrendo nas hipóteses de: se o menor, estando ausente seu responsável, tiver adquirido o empréstimo para seus alimentos habituais; se o menor tiver ganhos com o seu trabalho; se o empréstimo reverteu em benefício do menor e se o menor obteve o empréstimo maliciosamente (CCiv, art. 589, CCiv 1916, art. 1.260 quando aplicável).
No contrato de mútuo, o mutuante pode exigir garantia da restituição, se antes do vencimento da avenca, o mutuário sofrer notória mudança em sua situação econômica (CCiv, art. 590, CCiv 1916, art. 1.261).
É permitida a fixação, mediante cláusula expressa, de juros ao mútuo em dinheiro, podendo-se estabelecê-los abaixo ou acima da taxa legal, capitalizados ou não, contanto que o mútuo seja destinado a fins econômicos (CCiv, art. 591, CCiv 1916, art. 1.262, com alterações).
O prazo do contrato de mútuo será o convencionado pelas partes, de forma que a devolução da res, deverá se operar na data assinalada. Não havendo estipulação contratual quanto ao prazo do contrato, o prazo do mútuo será: até a próxima colheita, para os produtos de consumo e de semeadura; trinta dias, ao menos, se tratar-se de mútuo em dinheiro; o tempo declarado pelo mutuante, em se tratando de qualquer outra coisa fungível (CCiv, art. 592, CCiv 1916, art. 1.264).
A extinção do mútuo ocorrerá com o término ou vencimento do prazo convencionado para a sua duração; com a ocorrência das hipóteses do artigo 592 do Código Civil; pela resolução por inadimplemento das obrigações contratuais; pelo distrato, se as partes resolverem, de comum acordo, pôr fim ao contrato antes de seu vencimento; pela resilição unilateral por parte do devedor, já que o prazo contratual é concedido em seu benefício; e pela efetivação de algum modo terminativo previsto nas próprias cláusulas contratuais.
É isso.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

De novo, o "Fenômeno"

No coments.

Tudo é relativo

Fim de tarde, um ginecologista aguarda sua última paciente que não chega.
Depois de 45 minutos, ele supõe que ela não virá mais e resolve tomar um gin tônica para relaxar, antes de enfrentar o trânsito e voltar para casa.
Ele se instala confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha.
É a tal paciente, que chega toda sem graça e pede mil desculpas pelo atraso.
- Não tem importância, imagine! - responde o médico
- Olhe, eu estava tomando um gin tônica enquanto a esperava. Quer um também para relaxar?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele lhe serve um copo, senta-se na sua frente e começam a bater papo.
De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório. O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- É minha mulher! Rápido, tire a roupa, deite na cama e abra as pernas, senão ela pode pensar bobagem!
Tudo é relativo nessa vida...
Perolei.

Nariz tupido...

Casal de primos caminhava pelo pasto de uma fazenda, no Interior de Minas, até que viram um cavalo transando com uma égua,e a prima logo perguntou:
-Primo, o que é aquilo?
-Eis tão acasalando, sô! A égua tá no cio, o cavalo percebeu isso e tá mandano brasa!!!
- Mas como é que o cavalo sabe que ela tá no cio, primo?
- Aaara!!, é que o cavalo sente o cheiro da égua no cio, sô!
Passaram mais adiante, e tinha um bode transando com uma cabra, e a prima perguntou de novo, e o primo deu a mesma resposta.
Mais na frente, lá estava um touro pegando uma vaca, e ela tornou a perguntar, e ele deu a mesma resposta: que o boi também sentia o cheiro da vaca no cio.
Foi aí que a prima perguntou: - Ô primo, se eu preguntá uma coisa pr'ocê, ocê jura que num vai ficá chatiado?
- Craro que não, prima! Ocê pode priguntá!
- Ocê tã com o nariz tupido??????
Perolei.

Finalmente a guarda compartilhada

O plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira o projeto de lei que autoriza a guarda compartilhada dos filhos de pais separados. O projeto determina que a guarda compartilhada é o ideal quando não há acordo entre marido e mulher que se separam litigiosamente. A proposta segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que já foi aprovada no Senado.
Pelo projeto, a guarda compartilhada é definida como "o sistema de co-responsabilização do dever familiar em que os pais, em caso de ruptura conjugal ou da convivência, participam igualmente da guarda material dos filhos, bem como dos direitos e deveres emergentes do poder familiar".
Segundo o texto, esse modelo compartilhado deve ser adotado pelo juiz sempre que não houver acordo quanto à guarda dos filhos. Mas, pela proposta, a decisão pode ser modificada considerando o ponto de vista dos filhos.
Atualmente, o modelo mais comum determinado pela Justiça é a guarda sob a responsabilidade da mãe - conhecida como guarda dividida, em que os filhos mora com um dos pais, mas recebe a visita do outro.
Outro modelo, conhecido como guarda alternada, prevê que os pais tenham a posse das crianças por períodos fixados previamente pelo juiz.
O modelo conhecido como "nidação" prevê o revezamento na guarda dos filhos, com as crianças morando em períodos alternados nas casas dos pais. Último modelo, da guarda compartilhada, pode passar a integrar o Código Civil se for sancionado pelo presidente Lula.
A inovação prevê que as decisões importantes sobre o futuro da criança terão de ser tomadas em conjunto caso o juiz conceda a guarda compartilhada. Caberá aos genitores da criança definir, por exemplo, a escola, o médico e onde a criança irá passar as férias, assim como frequentar as reunuões de pais do colégio.
O que se pretende evitar, efetivamente, é a figura do "ex-filho", o que ocorre muitas vezes quando a guarda é unilateral. Os pais, principalmente os homens, nas separações, acabam pagando pensão alimentícia, mas participando pouco da educação e da vida dos filhos em razão das limitações impostas em juízo, que deixam de existir com a aprovação do projeto, que passa, com o projeto, a ser a primeira opção do magistrado.
De fato, para uma melhor intelecção do texrto legal é fundamental esclarecer que, na guarda compartilhada, as atribuições do pai e da mãe nesse regime serão definidas pelo juiz, que poderá se basear em orientação técnico-profissional ou de uma equipe interdisciplinar. E, se o pai ou a mãe não cumprirem seu papel na guarda compartilhada, o juiz poderá reduzir prerrogativas atribuídas a um dos detentores, inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho.
Quando o juiz entender que não há condições de optar pela guarda compartilhada, pode definir por entregar a criança aos cuidados do pai ou da mãe. Nesse caso, caberá ao juiz escolher entre o que melhor possa proporcionar afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar, além de saúde, segurança e educação.
De fato, penso que a guarda compartilhada traz inúmeras vantagens aos filhos que, muitas vezes, "surfam" na separação dos pais, podendo ser até mesmo acometidos da Síndrome de Alienação Parental em alguns casos (veja neste sentido outro post aqui no blog), hipótese que se torna praticamente remota caso o regime seja o da guarda compartilhada.
Com a guarda compartilhada, o contato próximo e regular possibilita a ambos os adultos acompanharem o crescimento do filho. Educar um filho com encontros esporádicos é uma tarefa árdua ou impossível. Com a guarda compartilhada, ambos os pais têm tempo para transmitir seus valores, mesmo que não haja a duplicidade de residências para a criança. Por outro lado, quando a criança morar na casa de ambos os pais, não se sentirá visita na casa do pai ou da mãe, também tendo que se adaptar às regras e aos costumes de cada uma que, muitas vezes, são diferentes. Isso dá à criança a flexibilidade para entender padrões variados e para lidar com eles.
A guarda compartilhada também outorga um sentimento de segurança do filho, geralmente abalado pela separação dos pais; a criança é protegido quando os adultos, apesar de separados, vivem em sintonia.
O filho também não desenvolverá qualquer sentimento de culpa comum em crianças que se sentem objeto de disputa dos pais. Neste diapasão a criança também não se sentirá um estorvo a qualquer dos pais que dividindo-se nos cuidados com os filhos, mantém sempre um tempo para sí. Tal situação também tira de cogitação o chamado ciclo do afastamento, comum nas visitas , pois é natural que tenha dificuldade em se sentir incluída na vida do outro. Em geral, aos poucos, o vínculo afetivo é rompido. Isso não costuma ocorrer se o filho passa período equivalente com os dois pais.
Sou pai e a vida me trouxe grandes lições, especialmente na militância em movimentos de separados, especialmente com o objetivo de compreender melhor como me portar, pelo bem de meus filhos. Com as limitações que possuo, tomo a liberdade de terminar o post com algumas sugestões, que me parecem ser muito úteis. Vamos lá:
Quando em contato com os filhos, não imponha os programas à criança. Proponha que ela elabore uma lista do que gostaria de fazer no dia de visita, como ir ao cinema ou assistir TV ao seu lado. E faça o mesmo. Depois, conversem sobre os desejos de cada um e decidam a programação. Mas saiba estabelecer parâmetros e limites, dentro de seus princípios, condições físicas e padrão.
No que se refere à educação, não hesite em desempenhar o seu papel de educador com receio de que isso possa afastar o filho.
No que se refere aos seus compromissos com seus filhos, esforce-se ao máximo para comparecer aos dias combinados de visita, estabelecendo, assim, uma rotina. Se tiver de faltar, avise com antecedência, explicando a razão.
Também seja discreto(a). Evite perguntar sobre a vida pessoal da ex-mulher (ou do ex-marido). Não faça perguntas que deixem a criança sentindo como se estivesse traindo o outro adulto.
Fomente sempre a intimidade com seus filhos. Se tiver mais de um filho, separe alguns momentos para ficar a sós com cada um, dando a eles a oportunidade de conversarem em particular com você e sem interrupções. Ocasionalmente, combine saídas individuais e faça passeios de que um gosta, mas que não interessam ao outro.
Crianças não são "pombos-correio". Leva-e-traz é absolutamente noscivo às crianças. Assuntos pertinentes à separação e ao divórcio devem ser discutidos pessoalmente pelos pais ou seus advogados. Jamais use o filho como mensageiro.
Respeite sempre seus filhos, mas não dê margem às chamadas "birras". Se nos dias de visita a criança tiver outros planos - como festa de aniversário de colegas -, não se ofenda. Mas, se a recusa em visitá-lo for constante, seja claro ao dizer que aquele dia é importante para ficarem juntos.
Finalmente, integre-e com seus filhos. Não altere sua rotina nem abandone seu filho, integre-o às atividades do seu dia. Por exemplo: se você tem de arrumar a estante de livros, peça que ele participe, ajudando-o. Mas isso não significa que seu filho deva tornar-se um fã de música celta (se essa for sua predileção) ou frequentador de sebos no centro da cidade... Entenda, antes de mais nada que seu filho é uma criança e que deve ser tratado com tal. Em suma, ame seu filho acima de tudo. Com amor, tudo se resolve.
É isso.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Agua faz mal à saúde

Foi comprovado em pesquisa cientifica, que se você beber mais de um litro de água por dia, durante um ano, no final do ano, você terá ingerido mais de 1 quilograma de coliformes fecais que estão diluídos na água, ou seja, um quilo de bosta !!!
Já bebendo whisky, você não corre esse risco, uma vez que coliformes fecais não sobrevivem ao processo de destilação!!!
Por isso, peço a você que comunique a todos que bebem água, que essa porra faz mal !!! Principalmente para aquele seu colega de trabalho que tem uma garrafinha de água em cima da mesa e fica se achando "o saudável".
Se não quiserem acreditar, danem-se, continuem bebendo bosta!
Eu, como amigo que sou, fiz a minha parte... Avisei... Quem tiver consciência vai chegar à seguinte conclusão: É muito melhor tomar whisky e falar merda, do que tomar água, comer merda e não falar porra nenhuma !!!
Perolei.

Empregado X Diretor de S/A

Tantas foram as demandas suscitando a questão do empregado poder ou não ocupar o cargo de direitor de uma sociedade por ações, que a justiça laboral resolveu uniformizar o tema, no sentido de que o empregado eleito para ocupar cargo de diretor tem o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço deste período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. ("Enunciado 269").
Visando uniformizar a jurisprudência foi confirmada a tese desse enunciado, sendo também certo que, quando a eleição do empregado para cargo de diretor configurar uma simulação em fraude à lei é que não se verificará a suspensão do contrato de trabalho.
Neste caso, a designação não irradiará os efeitos pretendidos, permanecendo o empregado juridicamente subordinado ao poder de comando do verdadeiro empresário, fazendo, pois jus ao recebimento das verbas trabalhistas como se empregado fosse e, em contra partida, a ele não podendo ser imputada qualquer responsabilidade enquanto diretor.
Corroborando com essa diretriz, e visando acabar com as fraudes sempre perpetradas, com o fito de maquiar-se relações trabalhistas, sob o manto de diretorias estatutárias, a lei brasileira das sociedades por ações (Lei nº 6.404, de 1976), procurou acabar com a remuneração meramente simbólica dos administradores, estabelecendo que a assembléia geral deve fixar o montante global ou individual da remuneração dos administradores tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado.
Assim, quando se tratar de empregado eleito membro do conselho de administração ou da diretoria da sociedade para a qual trabalha, a interrupção do pagamento dos seus salários, decorrente da suspensão do contrato de trabalho, deverá ser compensada pela fixação adequada da sua remuneração como administrador.
Bem sabemos que alguns juristas brasileiros têm se insurgido contra a jurisprudência do TST cristalizado no Enunciado nº 269. E invocam, a respeito, a doutrina pertinente a sistemas, vigentes em alguns países. Mas, como advertiu Liebman: "Os argumentos doutrinários extraídos de estudo do direito comparado devem levar em conta, antes de tudo, para serem exatos, as diferenças dos diversos direitos positivos" (Estudos sobre o processo civil brasileiro, São Paulo, 1947, pp. 75-6).
Assim, por exemplo, tanto na França, como na Itália, a sociedade anônima é administrada, de forma colegiada, por um conselho eleito pela assembléia geral. Os conselheiros é que são órgãos da sociedade, ocupando a posição que, em nosso direito, corresponde aos diretores. Estes são executivos de alto nível, que atuam, entretanto, juridicamente subordinados ao poder de comando do mencionado conselho, sujeitando-se, quanto aos direitos trabalhistas e ao enquadramento sindical a regimes próprios, inconfundíveis com os concernentes aos trabalhadores em geral.
Não é esta, porém, como vimos, a posição dos diretores de sociedade anônima brasileira.
O importante é que os julgadores verifiquem quais são as condições mediante as quais o "diretor" desenvolve suas atividades. Ora, faltando autonomia e poder decisório e havendo salários fixos, subordinação, vinculação hierárquica assim como outros elementos que caracterizam a relação trabalhista, este não poderá ter tratamento de direitor que, efetivamente não deve ter dependência hierárquica ou ser responsável perante qualquer chefe ou empregador imediato, a não ser a assembléia geral. Ele é órgão da administração da sociedade anônima, da empresa, e não empregado da mesma. Não pode ser despedido segundo as regras da CLT e só pode ser destituído consoante as normas mercantis previstas na legislação de regência.
Agora só falta nossos juízes trabalhistas se aprofundarem no tema, para que os julgamentos atinentes à matéria sejam justos. Em suma: diretor é direitor e empregado é empregado e, cada um está sujeito a um tratamento legal diverso.
Tá aí

Isso é solidão

Não precisa comentar...bonitas as palavras do Chico. Tá aí.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Aí vai mais uma pérola

Essa é da mulher e do marido...
Terminado o meu banho, lá estou eu à frente do espelho, comentando com o meu marido que acho os meus seios pequenos demais.
Ao invés do esperado e aumentava-me o ego ouvir dele tipo: " -imagina, não são nada..." ou de uma promessa de cirurgia para aplicação de silicone, ele vem com uma sugestão insólita: - Pode parecer estranho, mas eu já vi funcionar...
Se quiseres aumentar os teus seios, pega todos os dias num pedaço de papel higiénico e esfrega-o entre eles durante alguns segundos.
Aquilo parecia uma brincadeira sem graça, ou uma simpatia sem qualquer fundamento científico, ainda mais para mim... Mas, disposta a tentar qualquer coisa, pego num pedaço de papel higiénico, fico na frente do espelho e começo a esfregá-lo entre os meus seios para ver o resultado da estranha dica!
- Quanto tempo demora para funcionar? - pergunto.
- Claro que não é automático! Eles vão aumentar de tamanho ao longo de alguns anos! (respondeu o meu marido). Parei e sentindo-me idiota, perguntei: - Mas tu realmente achas que esfregar um pedaço de papel higiénico entre os meus seios todos os dias vai fazer aumentá-los em alguns anos?
Sem hesitar um segundo e às gargalhadas, ele diz: -Funcionou com o teu rabo, não funcionou???
Perolei.

Ainda bem que ele tem barba

Quando achei essa foto descobri porque o Presidente Luiv Ináfio usa barba... Fica muito boçal sem ela, né?
Tá aí.

Uma bela reflexão sobre a confiança

Um casal de jovens recém-casados, era muito pobre e vivia de favores num sitio do interior. Um dia o marido fez a seguinte proposta a esposa:
- Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e, enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você.
Assim sendo o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda. O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito. Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito.
O pacto seria o seguinte: - Me deixe trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o Senhor me dispensa das minhas obrigações. - Eu não quero receber o meu salário. Peço que o Senhor o coloque na poupança, até o dia em que eu for embora. - No dia em que eu sair o Senhor me dá o diinheiro e eu sigo o meu caminho. Tudo combinado. Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso. Depois de vinte anos chegou para o patrão e disse: - Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.
O patrão então lhe respondeu:- Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, tudo bem? - Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou eu lhe dou três conselhos e não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu não lhe dou o dinheiro.- Vá para o seu quarto, pense e depois me dê a resposta.
Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe:- Quero os três conselhos.
O patrão novamente frisou: - Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro. E o empregado respondeu: - Quero os conselhos.
O patrão então lhe falou:
01) Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida;
02) Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal;
03) Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.
Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim: - Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa.
O homem então, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava. Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:
- Para onde você vai?Ele respondeu: - Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada.
O andarilho disse-lhe então: - Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que "é dez" e você chega em poucos dias.
O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal.
Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se. Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir. De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor.
Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho. Voltou, deitou-se e dormiu.
Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido. O hospedeiro disse:E você não ficou curioso? ele disse que não. No que o hospedeiro respondeu:- Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal. O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa.
Depois de muitos dias e noites de caminhada... Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela não estava só.
Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os cabelos. Quando viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade.
Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho.
Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão. Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse:- Não vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela. Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la, mas ano consegue. Então com lágrimas nos olhos, lhe diz: - Eu fui fiel a você e você me traiu... .
Ela espantada lhe responde:- Como? Eu nunca te trai, esperei durante eesses vinte anos.
Ele então lhe perguntou:- E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer? E ela lhe disse: - Aquele homem é nosso filho. - Quando você foi embora, descobri que estaava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade.
Então o marido entrou, conheceu, abraçou seu filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café.
Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último pão.
Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação.
Muitas vezes achamos que o atalho "queima etapas" e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade... Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará...Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois...
De repente, elocubro se vale a pena ter esses conselhos em mente e simplesmente confiar... Já passei por poucas e boas; tomei muita rasteira, até mesmo daqueles que julguei ser os mais próximos e confiáveis. Às vezes me vejo pensando se não vale a pena ser o malandrão, o espertalhão da parada: aquele que tira vantagem de tudo e todos... deixar guiar pela Lei do Gérson.
Mas não! Prefiro confiar, mesmo que isso signifique bancar o babaca de vez em quando. É... Antes ser babaca e dormir tranquilo do que ser o gatunão e colecionar desafetos por aí. Algum dia a casinha cai!
Portanto, o melhor é não se esquecer dos três sábios conselhos do fazendeiro e, especialmente, de confiar, mesmo que a vida às vezes dê motivos para pensar ao contrário.
É isso.

Faculdade argentina abre pós em Tango

Uma faculdade da Argentina começa a oferecer, a partir do fim deste mês, um curso de pós-graduação sobre a dança que é um dos sinônimos da cultura do país, o tango.
O curso da Flacso (Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais) recebeu o título Tango: Genealogia, Política e História e se propõe a traçar um retrato da identidade argentina por meio das letras de tangos.
Ele irá durar de maio a agosto, será ministrado pela internet e irá abordar três áreas de estudo: a genealogia política do tango, sua história musical e seu desenvolvimento visual por meio do cinema.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, o curso é o primeiro de pós-graduação sobre o estilo de música e dança da Argentina.
"O tango nasceu no fim do século 19, em plena gestação do Estado moderno argentino. Sua história conta, de outra maneira, o desenvolvimento dessas idéias e valores que representam uma forma de identidade cultural e política que, em muitos aspectos, permanece vigente", diz a apresentação do curso.
O coordenador acadêmico do projeto, Gustavo Varela, disse à BBC que o curso vai mostrar como o tango se desenvolveu "de maneira paralela à história argentina". "Me interessa ver como as condições sociais, políticas e culturais da Argentina produziram a necessidade de um gênero como o tango", explica ele.
Segundo Varela, as letras de tango são particularmente interessantes como material acadêmico já que elas são "uma das poucas expressões de cultura popular com um forte sentido moral".
"O tango te dá conselhos, te diz como deve viver. Repetidamente, afirma o que é bom e o que é mal. Quais são os valores que devem ser seguidos. E isso tem uma raiz de caráter político", afirma Varela. Ressurgimento
O curso foi criado em um momento em que o tango vive um ressurgimento na Argentina. Segundo dados do governo de Buenos Aires, cerca de 15 mil estrangeiros chegam à cidade todos os anos para se dedicar especificamente a atividades relacionadas ao tango.
Segundo a Flacso, já há interessados de vários países latino-americanos, entre eles o Brasil, a Colômbia e a Venezuela. Um dos inscritos, o sociólogo brasileiro Ronaldo Leal, de 52 anos, disse que seu interesse começou pelo lado sociológico, mas terminou como "um vício" pelo gênero.
Ronaldo, que começou a dançar tango durante uma temporada em Buenos Aires, em 2005, acredita que a música de Carlos Gardel o permitiu superar a crise existencial que ele atravessou ao completar 50 anos.
"Psicologicamente, tenho uma dívida com o tango, e só vou poder pagá-la se dançá-lo um pouco melhor e entender mais sua história", brincou.
Tá aí.

domingo, 18 de maio de 2008

Foi-se Zélia Gattai...

Perdemos uma grande expoente da Cultura Brasileira.
Aos 91 anos de idade apagou-se a chama de Zelia Gattai, mulher, escritora, guerreira, que ocupou a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, anteriormente já aquecida por Jorge Amado com quem compartilhou a vida durante 56 anos.
Mulher de fibra que tive o prazer de conhecer quando de uma de minhas passagens por Salvador em visita à casa no Rio Vermelho, revelava sem pestanejar que seu maior prazer era auxiliar seu marido, tão conhecido de todos nós. Revia seus originais e os passava a limpo, sem contudo diminuir seu valor enquanto fotógrafa das boas, militante política e escritora. Na verdade, conheceu Jorge Amado dentro da militância política, em prol da anistia dos presos políticos.
Amiga de muita gente, desde políticos influentes em sua terra por eleição - a Bahia - até gente simples. Dizem que nos lançamentos de seus livros sempre estavam presentes a nata da cultura brasileira e seus amigos do dia-a-dia, gente que encontrava na rua, anônimos.
Em sua vida cheia de detalhes foi exilada com a família em Paris por 3 anos e viveu por mais 2 na Checoslováquia, onde inclusive nasceu sua filha Paloma. Contudo, nesse período fora do Brasil o tempo não foi perdido. Fez inúmeros cursos na Sorbonne e aprimorou-se na arte da fotografia, inclusive mantendo um estúdio em sua casa, tão agradável de visitar, em especial os jardins projetados por Burle Marx, loltados das mais exóticas espécies brasileiras.
Escreveu várias obras, tendo começado tal empreitada apenas aos 63 anos de idade. Penso que é difícil alguém que vivia ao lado de Jorge Amado, querer se aventurar na literatura. Mas Zélia Gattai o fez; e o fez com uma expertise fantástica. Dedicou-se predominantemente às suas memórias e à literatura infantil, material bem diferente dos romances bem brasileiros de seu amado... e isso não é trocadilho não. Zélia amava Jorge de verdade. Um casal lindo de se ver, com uma simbiose perfeita, como se tivessem sido feitos um para o outro.
Sua primeira obra literária foi "Anarquistas, graças a Deus", pela qual recebeu o Prêmio Revelação Literária de 1979.
Neste livro, adaptado para minissérie pela Globo, Zélia nos coloca em contato com a saga de muitos imigrantes, com a chegada destes ao Brasil no início do século XX. A fuga da Itália, o caminho percorrido, as dificuldades em chegar a um país estranho, e ser um estrangeiro em outro país saído recentemente da escravidão. É uma história familiar, um álbum de memórias, de lembranças, de recordações de uma família italiana como qualquer outra, mas que, também como toda família, tem uma história especial, cercada de alegrias e preocupações, com questões ideológicase valores particulares.
Retrata também o movimento ideológico dentre os imigrantes - um grupo forte, unido, familiar -e a ajuda mútua que prevalece entre eles, a amizade, o companheirismo, a luta em favor de viver bem, eque isso seja mérito de todos, sem exceção. Zélia fulcra sua obra nos anarquistas, que influenciaram muito a luta antifascista, anti-racista e antiimperialista no país, principalmente em São Paulo, durante a Revolução Tenentista de 1924.
Uma história simples e comovente e que nos faz pensar em tantas situações que fizeram muitas famílias saírem de sua terra e tentarem sobreviver em outro país.
Mas que conseguiram, além da sobreviver, viver com dignidade. Dignidade... Dignidade, Zélia teve de sobra, mesmo começando tudo em sua vida muito tarde... começou a dirigir aos 45 anos, escreveu o primeiro livro aos 63, furou as orelhas aos 80, foi operada de apendicite aos 83. E, somente aos 85 se tornou imortal, ocupando a cadeira que era do marido e outrora pertencera a Machado de Assis, tendo como patrono José de Alencar.
E é com um pequeno trecho de uma entrevista concedida por Zélia Gattai quando de seu ingresso na ABL que encerro essa singela homenagem; palavras que nos trazem grandes lições... vale a pena repetir:
...Nunca poderia imaginar que eu seria a primeira mulher a ocupar a cadeira do próprio marido. Eu estava numa tristeza profunda, como se tivesse caído num vazio, pensando como ia continuar minha vida na casa do Rio Vermelho sem Jorge. Não pensava em nada, nem de longe estava pensando na Academia, quando alguns amigos, como Eduardo Portella, Arnaldo Niskier, Antonio Olinto, insistiram para que eu me candidatasse. Portella é amigo de mais de 40 anos. Jorge chamava ele de Príncipe e ele o chamava de Jorgito. Ele está presente em meu livro "Códigos de família", homem de grandes frases, que faz a gente rir com imensa facilidade. Nunca diz que um amigo entrou pelo cano, diz que tubulou...
...Tanto a Paloma quanto o João Jorge me apoiaram para a inscrição à vaga na ABL (cuja eleição foi quase por unanimidade). "Você tem que se inscrever, mãe", insistiram. "Você vai ocupar a cadeira do pai. Ele esteve 40 anos lá, ia ficar tão contente. Toda vez que ele foi à Academia você freqüentou com ele, você conhece o ambiente, você estima a Academia, faz parte daquela casa"...
...Quando entrei na ABL, também afirmaram: "Você já é uma escritora, você não vai lá dizendo de cara, ah, eu sou herdeira dele e quero tomar conta, não é questão de ser herdeira porque isso não existe. Você pode ir porque você tem seus leitores, seus livros se sucedem" . Sim, escrevi romances, três livros infantis e publiquei um livro de fotografias. Durante muitos anos tive laboratório em casa. Há fotografias de Jorge em capas do livro do mundo inteiro, tiradas por mim...
...Não, não entendo este movimento para entrar na Academia. Quando me inscrevi como candidata eu não tinha nenhum conhecimento de que tivesse havido outro candidato antes. Por exemplo, Jô Soares, que é uma pessoa da minha maior estima, eu não sabia que ele estava interessado. Nem Paulo Coelho, escritor com um sucesso formidável. Foi com a insistência da Paloma, do João, de Portella, Niskier, Antonio Olinto, Murilo, que me inscrevi. E depois começou aquela coisa toda. Paulo Coelho me telefonou, me escreveu uma carta, dizendo que não havia outra pessoa para substituir Jorge...
...A inscrição me levantou um pouco sim daquele buraco deixado pela ida de Jorge. Teve aquele falatório todo. As cartas que recebo de leitores, mais de 30 por mês, eram todas dirigidas neste sentido. "Queremos que você vá para a Academia, não dê confiança às más línguas". Pessoas revoltadíssimas contra quem falou mal de mim. Uma coisa me deixa assombrada. Como é que pode ter esta repercussão tão grande? Até mesmo fora do pais. Ainda agora eu fui ao México e todo mundo falando sobre a alegria que seria me ver na Academia. "Não tem conversa, não tem dúvida, é você quem vai entrar", diziam. E não eram só brasileiros que falavam isso comigo. Os mexicanos também. Na Bahia é loucura. Uma coisa do povo. Quando saio de casa até o vigilante da rua comenta. No supermercado me falavam: "queremos ver a senhora lá". Isso me conforta...
...Jorge não tinha ciúmes de mim enquanto mulher autora. Jorge era exatamente o oposto. Sendo o grande escritor que era, um homem que estava acima de tudo, se não fosse por ele eu não teria escrito nenhum livro. Foi ele quem me animou a escrever. Eu só contava as histórias. Quando começo a contar, vou longe. Uma história puxa a outra. E tenho o que contar. Tive uma vida muito rica. Ele disse: "Escreva o livro da sua infância. Você tem muito a contar. Agora, lhe dou um conselho. Não tente fazer literatura. Você não é uma literata. Você é uma pessoa simples". Ele viu umas páginas que eu tinha escrito para a Paloma e me disse: "Escreva do jeito que você escreveu essas páginas. Escreva com teu coração, com teu sentimento. Escreva a história de São Paulo, da tua infância. Quando começaram a chegar os primeiros automóveis. Quando ainda não existia arranhas-céus, tua vida no meio dos imigrantes de todas as nacionalidades. Tuas experiências. Você tem tanta coisa para contar, minha filha, que você pode fazer um livro com teu coração, não com literatura. Porque literatura barata é uma desgraça". E você vê, me disse ele, eu também escrevo com o coração. Com emoção. O livro bom é aquele que emociona a gente. Durante 56 anos Jorge foi meu marido, foi meu mestre, foi meu amor. Ele me ensinava as coisas. A procurar a palavra exata. Por causa dele escrevi sempre com o coração, sem usar citações, buscando palavras simples. E ele ficava encantado com o meu sucesso...
...Jorge deve estar feliz lá no céu. Toda manhã vou ler os jornais ao lado dele, perto da mangueira, no banquinho que costumava me sentar, e leio todas as notícias em voz alta. Eu falo: "Você estaria, eu sei, muito aborrecido com esta guerra". Converso com ele. Botei junto dele os sapos de que tanto gostava. Acho que a literatura será sempre necessária. Mas não neste momento de guerra. Estou assustada com a possibilidade de que, num momento de desespero, joguem bombas e acabem com o mundo...
Pronto! Preste-se uma homenagem a Zélia Gattai que do alto de sua sofisticada simplicidade é um exemplo de mulher a ser seguido!
Tá aí.

Parabéns, hoje é 18 de maio

Hoje é 18 de maio. Fariam aniversário hoje também o último Czar da Russia; o General Eurico G. Dutra; o Papa João Paulo II, dentre outros.
Também é data importante por outras razões. Neste dia Napoleão foi coroado imperador da França, além de ser o Dia Internacional dos Museus, Dia Nacional da Luta Antimanicomial e o Aniversário da Cidade de Caruarú...
Mas para mim, a data tem significado especial.
Hoje aniversaria minha mana, companheira de tantas fanfarronices, discussões, risadas, lágrimas, alegrias, medos, artes, sustos... partícipe de grandes momentos em minha vida. Irmã só não... amiga da gema, embora às vezes subestime minha inteligência.
O importante é que estamos juntos, em família, mais uma vez, comemorando seu aniversário.
E este, depois do último 20 de setembro, tem um sabor todo especial.
Irmã querida, pode parecer piegas, mas me sirvo desse espaço para te parabenizar. E, pela primeira vez te cumprimento de forma tão revelada, aparente, mas o faço para agradecer em público por ser essa pessoa tão importante em minha vida e que esteve sempre ao meu lado, por maior que fosse minha ranzinzice. Não me arrependo sequer de um momento - bom ou não tão bom assim - que tivesse partilhado com você...
Desejo que o Criador a abençoe, hoje e sempre, com todas as benesses, espirituais e materiais.
Que você seja o receptáculo correto para todas as bençãos que te são destinadas.
Um beijo em seu coração. Te amo, Rutinha!
É isso.

sábado, 17 de maio de 2008

A irreverência do Tom Zé - "Todos os Olhos"

Lançado em 1973 pela Gravadora Continental, o disco "Todos os Olhos" do Tom Zé, sofreu diversos "cortes" pela turma da ditadura...
Irreverente como sempre, buscando "dar o troco" aos seus algozes-censores, o compositor/músico, ousou na capa de Todos os Olhos ao fotografar uma bola de gude em um ânus de uma modelo em plena ditadura. Mas a ousadia da capa não foi percebida pelos censores e passou despercebida. Esse álbum ainda traz a música ''Complexo de Épico'', com versos sarcásticos como resposta contrária à canção ''Épico'', de Caetano Veloso.
Óbvio que na época dos fatos ninguém notou a "arte" na capa do vinil; as pessoas apenas se perguntavam que olho esquisito era aquele... cogitava-se ser de algum animal exótico ou alguma espécie de montagem fotográfica, mas no fundo, bem no fundo, houve um pequeno gostinho de vitória ao músico e aos produtores do disco... composições podem ter sido mutiladas ou cortadas, mas em grande parte das lojas de discos do País, havia a foto de um cú sendo exibida nas vitrines!
Perolei.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sua excelência, o cachimbo

A campainha soou debilmente para as pessoas em uma sala próxima.
Instantes depois, um distinto cavalheiro se reúne aos demais confrades, a lareira aquece de forma agradável o ambiente, o vento e a chuva castigam furiosamente a janela, lembrando que o inverno se aproxima, fumaças provenientes de alguns cachimbos se misturam, tornando o ar denso, mas com um aroma agradável, o relógio carrilhão marca exatamente 8:30.
Um homem corpulento, de barba espessa com cabelos e olhos escuros, que até então não estava fumando, provavelmente esperando o último confrade chegar, se acomoda em uma das poltronas, os demais o imitam, formando assim uma espécie de semicirculo em volta da mesinha central, o homem sisudo encabeça o grupo, mostrando ser o dono da casa.
Ele escolhe um cachimbo, um Bent Billiard em Briar, e examina a mesa com os diversos tipos de tabaco à exposição, depois de alguns minutos examinando com tranqüilidade os tabacos, ele opta por uma mistura inglesa, umedece os lábios com a língua, revelando apreço por este tipo de blend que não lhe acarreta qualquer adstringência ou velvet punch. Então, começa o carregamento do fornilho usando o processo de três camadas, pressionando levemente os flakes com seu polegar direito; terminado o processo de enchimento, já realizado tantas vezes ele pigarreia, examina o conteúdo com cuidado verificando a pressão e o fluxo de ar entre o tabaco e, enfim... voilá! acende o cachimbo, e dá uma lenta baforada, revelando um enorme prazer em seu rosto.
Neste momento, o mordomo, em seu segundo dia de trabalho, adentra ao recinto, carregando uma bandeja com um bule de café, uma garrafa de armagnac e duas garrafas de licor, repousa a bandeja na mesa central, ele olha com interesse a cena, e se retira de maneira discreta.
As horas vão se passando e a conversa flui de maneira agradável e cordial, vez ou outra o mordomo retorna para reabastecer o bule de café, em dias de calor também seria servido um bule de chá com limão, bem gelado. Quando o carrilhão soa a última badalada da meia noite, os confrades resolvem terminar a reunião...
Quando o último confrade se retira o mordomo de forma atrevida se dirige ao patrão...
- Meu senhor, não pude deixar de registrar o encontro de hoje, deve ter sido uma reunião de assuntos realmente importantes.
- Não, conversamos apenas trivialidades. Respondeu o patrão.
O mordomo ficou olhando com interesse para o patrão, sabia que ele era uma figura culta, ilustre profissional, firme de personalidade e caráter, assim como os outros cavalheiros, cada um em seu segmento de atividade.
- Normalmente o cachimbo está ligado a grandes personalidades. Continuou o patrão....
- Mas para se apreciar um bom cachimbo não é necessário intelecto, dinheiro ou status, mas apenas bom gosto e sociabilidade, pois são os pequenos prazeres que fazem a vida valer a pena.
- E não há prazer melhor que apreciar um bom e velho cachimbo em boa companhia, boa noite.
É isso.

O trem partiu

Uma mulher estava esperando o trem na estação ferroviária de Varginha- MG,quando sentiu uma vontade de ir urgentemente ao banheiro.
Foi...
Quando voltou, o trem já tinha partido. Ela começou a chorar. Nesse momento, chegou um mineirim, compadeceu-se dela e perguntou:
- Purcaus diquê qui a sinhora tá chorano?
- É que eu fui urinar e o trem partiu...
- Uai, dona! Por caus dissu num precisa chorá não .. Tenho certeza bissoluta qui a sinhora já nasceu com esse trem partido...

Interpretando Camões

Vestibular de Medicina da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões: "Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer".
Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:
"Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos, uns quantos analgésicos e Prozac para a depressão.
Compravas um computador, consultavas a internet e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam, essas mudanças de humor repentinas, esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor, mas somente falta de sexo!".
Ganhou nota dez. Foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era falta de mulher...
É isso.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O cliente precisa colaborar

Um réu estava sendo julgado por assassinato na Inglaterra.
Haviam fortes evidências sobre a sua culpa, mas o cadáver não aparecera.
Quase no final da sua sustentação oral, o advogado, temeroso de que seu cliente fosse condenado, recorreu a um truque : - "Senhoras e senhores do júri, eu tenho uma surpresa para todos vocês", disse o advogado, olhando para o seu relógio.
- "Dentro de um minuto, a pessoa presumivelmente assassinada neste caso, vai entrar neste tribunal." E olhou para a porta...
Os jurados, surpresos, também ansiosos, ficaram olhando para a porta...
Um minuto passou. Nada aconteceu.
O advogado, então, completou: - "Realmente, eu falei e todos vocês olharam com expectativa. Portanto, ficou claro que vocês têm dúvida, se alguém realmente foi morto. Por isso insisto para que vocês considerem o meu cliente inocente".
Os jurados, visivelmente surpresos, retiraram-se para a decisão final.
Alguns minutos depois, o júri voltou e pronunciou o veredicto:
- "Culpado!"
- "Mas como?" perguntou o advogado...
- "Vocês estavam em dúvida, eu vi todos vocês olharem fixamente para a porta!"
E o juiz esclareceu:
- "Sim, todos nós olhamos para a porta,... mas o seu cliente não..."
Moral da história: não basta ter um bom advogado. O cliente tem que colaborar...
É isso.

Nova moeda

Com a economia do País se estabilizando o governo estará anunciando a criação de uma nova moeda: o "Créu". Para seu conhecimento, divulgamos em primeira mão o lay-out da moeda de Um Créu.
Tá aí.

Isabella, o estorvo

Fala-se muito sobre o Caso Isabella, sobre as manobras jurídicas dos Réus no processo, sobre as entrevistas dos familiares concedidas com exclusividade à televisão, mas, o que podemos aprender disso tudo? Que lição podemos levar?
Recebi um mail da advogada Junia Turra, advogada, jornalista, pós-graduada em Economia pela USP, Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, Professora Universitária. Muito interessante o artigo.
Morreu Isabella.
Isabella... não morreu pelo descaso do governo. Se acalmem os profissionais fundadores de ONGs e as aves de rapina que vêm em cada caso de destaque na mídia, a melhor maneira de enriquecer às custas da dor dos outros.
Então, por quem os sinos dobram?
Por uma série de fatores que Freud talvez explicasse mais facilmente do que a polícia. Vejamos...
Isabella Oliveira Nardoni, 5 anos (vítima); Alexandre Nardoni, 29 (pai); Ana Carolina de Oliveira, 24 (mãe); Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, 24 (madrasta); Pietro, 3 anos e Cauã, 10 meses, filhos do pai e da madrasta de Isabella.
A mãe de Isabella tinha 19 anos quando ela nasceu. O pai, 24.
Quando Isabella tinha dois anos, nascia o primeiro irmao, filho do pai dela com a madrasta. Num relance, parece aquela história da gravidez para segurar o homem que era da outra. Parece?
E o homem da história, alimenta o triângulo amoroso - padrão entre boa parte dos brasileiros - no esquema "dou conta do recado, sou macho". No início faz bem ao ego, mas qualquer animal resolve o problema na horizontal, portanto, o que se espera é postura e atitude no "day after". Assim, o garanhão acaba refém de um mulherio que briga entre si, e que tem solidificado o novo perfil da brasileira: "não tem pudores, não tem limites. Por causa de homem, faz qualquer negócio, desde que ganhe o jogo".
Alexandre, sem maturidade, sem personalidade forte e voz ativa, entrou numa canoa furada. Como diria o inglês Sting quando interpretou um vilão no filme "Duna": "o ser humano é bom e ruim, tem dentro de si todas as facetas. Cabe a cada um escolher qual caminho seguir ou por qual deve se deixar levar".
Isabella, menina carente, que surfava na separação dos pais, pedia: "me carrega no colo, me dá carinho, me ama". São as criancas "bola de tênis": ora jogadas para cá, ora jogadas para lá. Ninguém quer no seu campo por muito tempo.
A alegria da mãe. Não venham me dizer que a outra Ana Carolina , a mãe, conseguiu ficar assim , digamos, tão "zen", pregando felicidade e alegria ao mundo, após perder a filha de forma trágica. Qualquer mãe paulista, carioca, ou que vive nos grandes centros urbanos (principalmente) sabem do que estou falando: quando o filho atrasa cinco minutos, parece que o mundo acabou. As feições se fecham, o corpo enrijece, o coração dispara, a boca amarga. E os avós? O que era aquela tranqüilidade? Estado de choque? No dia de seu aniversário de 24 anos, a mãe de Isabella recebeu a visita de Yves Ota, cujo filho foi sequestrado e assassinado em São Paulo há alguns anos. Ota a convidou para iniciarem uma campanha contra a violência nos estádios de futebol. Isto ficou em segundo plano. Ota ficou tão impressionado com o alto astral da mãe de Isabella que não falava em outra coisa.
Isabella, isabella, tanta meiguice, tanta carência. Envolvida num jogo onde a mãe quer folga da filha, especialmente nos finais de semana para sair com o namorado. E a mãe dá o passe para o "ex", que por sua vez, já tem uma nova família , sem lugar para a filha da ex. E a filha da ex é aquela que será sempre a bola da vez. Assim, um pai sob pressão, uma mãe com outros interesses, uma madrasta de índole duvidosa e match point!
Dou a mão à palmatória se estivermos diante do roteiro de "O Fugitivo". No caso Isabella, se correr o bicho pega e se ficar o bicho come: o mordomo é o culpado. Na falta dele, procurem a maçã envenenada. E quem envenenou a maçã? Nunca foi tão atual a história da Branca de Neve. Isabella não foi, não é e não será a última. Infelizmente.
Moral da história: Deu João Bosco na cabeça: "tá lá o corpo estendido no chão".
Em tempo: Com um texto imbecilóide, Xuxa também se manifestou no caso Isabella. A rainha dos baixinhos defende o fim do castigo infantil, assim como ocorreu com a escravidão e a violência contra as mulheres. Será que ela não leu sobre os trabalhadores escravos no Pará? Não sabe que o Brasil é um dos recordistas em violência contra a mulher e também campeão na impunidade dos autores? A mãe da Sascha vive mesmo no Planeta Xuxa...
Outro Em Tempo: O buraco é mais embaixo. Eu quero saber o que já foi feito ou será feito para que adolescentes criados pelo crime organizado não assaltem e arrastem crianças pelas ruas embalados pela droga e a violência "fashion"... Eu quero saber das crianças que trabalham de sol a sol, quebrando pedra em regime de semi-escravidão nas fazendas do Centro-Oeste ou que são "domesticadas" por empresárias e pessoas inescrupulosas, bem ali na cara da lei, ou, muitas vezes, sendo elas "a lei". Isabella, descanse em paz. Você foi uma vítima do despreparo dos seus familiares, de uma sociedade que trata da vida como troca de roupa, de acordo com o cabelo da Susana Vieira, da nova peruca da Thaís Araújo ou da nova foto da bunda da mulher-melancia.
Desculpe, mas há muitas, muitas crianças precisando de você como anjo por aqui. Que tal você ajudar aquela inglesinha, a Madeleine? Afinal, ela tem pais, que, apesar das intrigas que o alto escalão de pedófilos plantou na imprensa e tentou incutir na opinião pública, a amam e a querem acima de qualquer suspeita.
Isabella, proteja Maddie e tantas crianças anônimas, que, como ela, sofrem o abuso e o descaso dos adultos.
É isso.