quinta-feira, 31 de julho de 2008
A garota com a maçã na cerca
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Conflito de valores: como agir???
É comum assistirmos ao fim de relações humanas e institucionais antes que seus objetivos se cumpram porque as partes entram em conflito. Com freqüência, as desavenças se dão por motivos facilmente superáveis, mas as pessoas envolvidas não sabem como buscar o entendimento nem dispõem de instrumentos para tal. Em muitos casos, sequer percebem que se envolveram em uma disputa e não entendem o fracasso da relação.
A dificuldade de identificar os conflitos decorre, principalmente, da falta de clareza com que o problema se apresenta. É fácil perceber uma divergência se há ataques frontais, mas a maioria das disputas assume contornos sutis. Duas pessoas que almejam o mesmo cargo, por exemplo, não revelam suas intenções, mas fazem o que podem para desmerecer o concorrente.
Conflito, etimologicamente, traz a idéia de luta. A palavra latina conflictu quer dizer choque. O estrategista prussiano Von Clausewitz, contemporâneo de Napoleão Bonaparte, afirmava que “o conflito é o encontro de duas vontades irreconciliáveis”. As pessoas entram em conflito porque percebem que têm menos poder e auto-estima do que seus interlocutores ou quando uma das partes identifica uma invasão em seu espaço objetivo (corpo e bens) ou em seu mundo subjetivo (sentimentos, valores, crenças e idéias).
Há vários tipos de conflito. Os de informação decorrem da sonegação de dados ou de mensagens mal compreendidas. Os de interesse surgem quando os recursos são escassos; quando há divergência sobre decisões; ou quando há questões emocio-nais em jogo. Já os conflitos emocionais resultam da distância entre as pessoas.
Os conflitos de valores - que são os que nos interessam nessa postagem - se dão entre pessoas que têm modos diferentes de vida ou critérios divergentes de como avaliar comportamentos.
Tais conflitos ocorrem quando as partes divergem fundamentalmente em suas percepções sobre o desejável. Por exemplo, quando populações indígenas que vivem em um Estado diferente desafiam as fronteiras com base no princípio da livre determinação dos povos.
Os valores surgem como uma expressão cultural específica das necessidades, das motivações básicas e dos requisitos do desenvolvimento comuns a todos os seres humanos. Estas necessidades incluem segurança, identidade, reconhecimento e desenvolvimento em geral. Normalmente, as partes cujas necessidades foram violadas não respondem à coação a longo prazo. Quando as necessidades básicas para a sobrevivência de um grupo ou para sua identidade não são satisfeitas, os integrantes do grupo tendem a lutar para conseguir o querem, de uma maneira ou outra. As necessidades e sua satisfação não podem ser negociadas. Todavia, é possível identificar uma série de maneiras para satisfazer as necessidades humanas básicas, e as metas de solução de conflitos podem ser obtidas por meio do processo de identificação e satisfação daquelas necessidades.
Para solucionar conflitos de uma maneira geral, é preciso conhecer bem as razões do outro. Expor as próprias idéias é essencial, mas deve-se ter cuidado, pois críticas mordazes impedem a interação. Ao ouvir o outro, é importante focar no que ele está dizendo e não na elaboração de uma resposta. Quando levantamos questões, devemos sempre indagar “como” e “o que’. Se perguntarmos “por que”, a resposta terá conteúdo subjetivo e irá nos remeter a outra pergunta.
A racionalidade é essencial por-que nos leva a perceber as diferenças e a ficar aberto a soluções criativas. Isso não quer dizer que a pessoa deva ficar contida ou distante, mas tentar resolver o problema conjuntamente. Se uma das partes não se importa com o resultado da disputa ou considera esse resultado menos importante que a solução do conflito, a escolha correta pode ser render-se aos desejos do outro. Mas a verdadeira colaboração é encontrar uma boa solução para ambas as partes.
Devemos, ainda, definir o foco da atenção. Se nos voltamos ao passado, provocamos culpa e angústia ao lembrar que antiga-mente o problema não existia, ou criamos o temor de que algo ruim volte a ocorrer. A atenção no futuro traz ansiedade e impaciência sobre o que se deseja (ou não) que aconteça. Já a atenção no presente gera sentimentos de calma e clareza e ajuda a dimensionar corretamente a situação.
A solução de um conflito depende do controle que temos sobre as respostas que surgem de nossa compreensão da realidade. Ao tentar solucioná-lo, é essencial ser transparente, agir com objetividade, respeitar a perspectiva do outro e demonstrar disponibilidade para cooperar.
Destarte, em havendo o conlito de valores, como primeira solução tem-se que os valores pessoais devem prevalecer sobre os demais, sejam profissionais, institucionais, etc.
Mas, para o bom encaminhamento da questão, é o próprio direito, com a adoção dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade é que nos trazem a possibilidade de dirimir os conflitos de valores que surgem no nosso dia-a-dia.
Tais princípios surgem a partir da idéia de razoabilidade da doutrina norte-americana. E foi derivado do princípio do devido processo legal. Somente a partir da década de 1970 que o STF passou a substituir o termo razoabilidade por proporcionalidade.
A resolução de conflito de princípios jurídicos e do conflito de valores é uma questão de ponderação, de preferência, aplicando-se o princípio ou o valor na medida do possível. O princípio da proporcionalidade, basicamente, se propõe a eleger a solução mais razoável para o problema jurídico concreto, dentro das circunstâncias sociais, econômicas, culturais e políticas que envolvem a questão, sem se afastar dos parâmetros legais.
A abertura normativa dos princípios permite que a interpretação do direito possa captar a riqueza das circunstâncias fáticas dos diferentes conflitos sociais, o que não poderia ser feito se a lei fosse interpretada “ao pé da letra”, ou pelo seu mero texto legal. Os princípios, em geral, servem para buscar a justiça material, pois procuram ajustar o comando frio da lei à realidade do caso específico.
O princípio da proporcionalidade é, então, um princípio constitucional implícito, porque, apesar de derivar da Constituição, não consta nela expressamente. Analisando terminologicamente, a palavra Proporcionalidade dá uma conotação de proporção, adequação, medida justa, prudente e apropriada à necessidade exigida pelo caso presente. Neste sentido, tal princípio tem como escopo evitar resultados desproporcionais e injustos, baseado em valores fundamentais conflitantes, ou seja, o reconhecimento e a aplicação do princípio permitem vislumbrar a circunstância de que o propósito constitucional de proteger determinados valores fundamentais deve ceder quando a observância intransigente de tal orientação importar a violação de outro direito fundamental mais valorado.
É isso.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
A fofoca e seus males
Estado de Direito à brasileira
sábado, 26 de julho de 2008
Lula assina decreto que regulamenta Lei de Crimes Ambientais
Compra de votos merece coice do Dr.Bardotto
sexta-feira, 25 de julho de 2008
A Marcha do Imperador
Adorei a imagem... imediatamente fiz o paralelo entre o Projeto de Lei que pode permitir o terceiro mandato ao Luiv Ináfio e o famoso filme sobre os pinguins...Os cinco estágios da carreira e as amizades com prazo de validade
Inviolabilidade dos escritórios protege os advogados contra arroubos autoritários
Começam a pipocar as liminares contra a Lei Seca
Diferença de 3 cm não é óbice a concurso
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Um grande passo para coibir o abuso de autoridade
Telegrama do Nirso
Brincando no MSN
Esse é o nosso Congresso Nacional... é por isso que insisto nas mudanças...será que a ilustre representante no legislativo não tinha um momento mais oportuno para papear no MSN?Dívidas de aluguel e condomínio podem ser protestadas: benefício ou problema?
terça-feira, 22 de julho de 2008
Maria da Penha quer processar Faustão por dano moral
A justificativa e a razoabilidade no aumento de capital das S/A's
Mais um coice no Chanceler Amorim
O olho que tudo vê: pela paz no Judiciário
Punição para os crimes virtuais
Proteção aos escritórios de advocacia: inviolabilidade
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Simples rompimento de relacionamento não gera obrigação de indenizar por danos morais
O "Bardotto" existe
Empresas de cobrança não poderão mais cobrar honorários advocatícios
domingo, 20 de julho de 2008
Chanceler Amorim merece coice do Dr. Bardotto
As declarações na véspera do chanceler brasileiro, Celso Amorim, comparando a atitude dos países ricos na Organização Mundial de Comércio (OMC) com a do chefe da propaganda do Terceiro Reich, Joseph Goebbels, causaram mal-estar diplomático em Genebra neste domingo.
Às vésperas do começo de uma semana crucial de negociações na OMC, destinada a alcançar um acordo histórico Norte-Sul sobre a liberalização do comércio, o porta-voz da delegação norte-americana, Sean Spicer, considerou "inoportunos" os comentários do chanceler brasileiro.
Durante uma entrevista coletiva à imprensa concedida sábado na sede da OMC em Genebra, Celso Amorim criticou energicamente a atitude dos países ricos nas negociações, acusando-os de considerar que a questão agrícola já estava praticamente aceita pelos 152 países-membros.
O ministro das Relações Exteriores brasileiro denunciou "o mito" de que os países ricos não tinham que fazer mais concessões na agricultura e de que o acordo final dependia apenas da boa vontade dos países do sul na questão dos produtos industriais."Resta muito a fazer na agricultura", destacou Amorim, que citou Goebbels ("uma mentira repetida muitas vezes se torna uma verdade").
Amorim insinuou que os países ricos usam a tática nazista de manipulação de informação para descrever as concessões agrícolas que se dispõem a fazer e criticam os pobres por se negarem a abrir seus mercados.Segundo o porta-voz norte-americano, "no momento em que se tenta chegar a um resultado favorável para as negociações, esse tipo de afirmação é muito inoportuna".
Ao se referir à "história pessoal" da negociadora norte-americana Susan Schwab, filha de sobreviventes do Holocausto, o porta-voz Sean Spicer considerou que um ministro das Relações Exteriores deveria "considerar alguns sentimentos".
Segundo sua assessoria de imprensa, a intenção de Amorim "era mostrar que a propaganda pode se sobrepor aos fatos históricos" e não fazer uma comparação entre pessoas.
De acordo com o porta-voz de Amorim, Ricardo Neiva, o Ministro lamenta que Schwab ou qualquer outra pessoa tenham se ofendido com seus comentários. Não se trata de Amorim lamentar ou não, mas de ter sido extremamente infeliz ao trazer, em nome de nosso País, mesmo que para criticar os países ricos, um exemplo vindo do período mais negro da História em que milhões de pessoas foram assassinadas.
Politicamente falando, o Brasil contesta os argumentos dos Estados Unidos e da União Européia que afirmam ter feito ofertas generosas no comércio de produtos agrícolas, enquanto os países em desenvolvimento - em seu entender - fizeram muito pouco para abrir seus mercados aos produtos manufaturados.
Segundo nota do Itamaraty, o Ministro Amorim foi suficientemente cuidadoso para desqualificar o autor da frase. Sua única intenção era destacar que, algumas vezes, falsas versões repetidas com freqüência podem sobrepor-se aos fatos, e a propaganda pode suplantar a verdade. Foi infeliz e inoportuno, portanto, coice do Dr. Bardotto, com as iniciais K.Y. pra ele!!!



