A vingança tem sido um dos grandes prazeres que não podem ser negados ao ser humano. Talvez as lendas estejam certas, que ela mata a alma e a envenena, mas que da um gostinho todo especial, isso dá . . . Não melhora as coisas, não traz de volta o que se perde, mas dá uma alegria momentanea . . . ajuda o ego a se recompor, mas tenho uma reclamação: qual a graça de se vingar e não mostrar que foi vc que se vingou?
O legal de revidar, é saber que foi vc que o cometeu, e deixar este alguem saber . . . O sabor é doce, mas frio, esta durando, espero que se prolongue . . .
Mas falando sério: vingança consiste na retaliação contra uma pessoa ou grupo em resposta a algo que foi percebido ou sentido como prejudicial. Embora muitos aspectos da vingança possam lembrar o conceito de igualar as coisas, na verdade a vingança em geral tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo. Quem busca vingança deseja forçar o outro lado a passar pelo que passou e/ou garantir que não seja capaz de repetir a ação nunca mais.
A ética da vingança é acaloradamente debatida na filosofia. Alguns acreditam que ela é necessária para se manter uma sociedade justa. Em algumas sociedades se acredita que o mal inflingido deve ser maior do que o mal que originou a vingança, como forma de punição. A filosofia de "olho por olho" citada no Velho Testamento (Exôdo 21:24) tentou limitar o dano causado, igualando ao original, para evitar uma série de ações violentas que escalassem rapidamente e saíssem do controle. Outros argumentam contra a vingança alegando que se assemelha à falácia de que "Dois erros fazem um acerto".
Vendeta é uma sequência de ações e contra-ações motivadas por vingança que são levadas a cabo ao longo de um extenso período de tempo por grupos que buscam justiça; ela foi uma parte importante de muitas sociedades pré-industriais, especialmente na região mediterrânea, e ainda hoje persistem em algumas áreas. Durante a Idade Média não se considerava um insulto ou injúria resolvidos até que vingados.
No passado feudal do Japão a classe samurais mantinha a honra de sua família, clã, ou senhor através do "katakiuchi", ou assassinato vingativo. Esses assassinatos também envolviam os parentes daquele que ofendeu. Hoje em dia o "katakiuchi" é perseguido principalmente através de meios pacíficos, porém a vingança permanece uma parte importante da cultura japonesa.
Penso que a retaliação, ou vingança, é uma caracteristica fundamental do ser humano. Mesmo sem perceber, muitas vezes, nos vingamos das pessoas, às vezes até "fazendo o bem por elas" ou "com a melhor das intenções", já que sem a retaliação - inerente à natureza humana - nos tornamos semelhantes aos animais, visto que estes estão livres de tais sentimentos. Sob um prisma um tanto primitivo, ser vingativo é assegurar o equilíbrio das relações humanas, pois através do medo, mantém-se a ordem, evitando que vidas se percam.
Sob o ponto de vista mais atávico, não acredito no aspecto daquele que se vinga igualar-se ao seu agressor, já que a vingança, desde os primórdios da história, caracteriza-se como reação e não como ação (tanto que a legislação sempre mencionou a legítima defesa como escludente de responsabilidade...), mas, executar a retaliação com inteligência, parcimônia, maestria e, se possível, sem violência, é de fundamental importancia para seu sucesso. De nada vale compensar algo, feito as pressas, sem beleza e, como diz o ditado, apenas "com sangue na areia".
Parece estranho, mas até mesmo na vingança bem executada existe beleza e glamour, sendo que executa-la de uma forma original e até artistica é muito mais apreciavel.
Jamais deve ser cega, pois esta é uma caracteristica da justiça, deve ser direcionada, por ser deveras cruel, afim de impedir que inocentes sofram seus devastadores efeitos. Pois se isso ocorrer, pode resultar num efeito colateral irreparável, e gerar infinitas reações da mesma espécie, mas contra o próprio "vingador". E não há nada pior que estar no caminho de alguem vingativo, pois este abdica de parte de sua sanidade e bom senso, recorrendo muitas vezes a métodos aéticos ou amorais, e muitas vezes ilegais.
Quando isso ocorre, ela passa a ter um caráter obssessivo perigoso capaz de ser uma ameaça até mesmo para aquele que a executa, cabendo a aqueles que estão próximos impedi-lo de prosseguir com seu intento, mas com cuidado, afim de não ser pego em meio a desmensurada fúria.
Nosso potencial para causar dor é ilimitado, portanto, há o risco da retaliação levar o indivíduo à utilização do lado mais negro e macabro da força, assim como levá-lo à perda de seu objetivo original conduzindo-o à falta absoluta de discernimento.
Daí surge a pergunta: o que é melhor: retaliar ou perdoar?
Segundo reportagem recente da revista Veja, há uma constante luta entre a sabedoria que leva à reconciliação e o desejo de vingança… essa luta é mais antiga que a civilização e continua sendo travada nos dias atuais.
A reportagem ressalta que parece fazer parte do mecanismo instintivo de defesa dos seres humanos responder a um tapa com outro tapa.
Diante da constatação, a Veja resgata algumas histórias curiosas… histórias de gente que tramou até por seis meses uma forma de vingança contra uma pessoa… a revista também revela as novas de formas de vingança… se no passado, a vingança tomava corpo, muitas vezes, através de um ato agressivo, hoje, a retaliação vem, por exemplo, através da internet.
Há pessoas encontrando na rede mundial a chance de denegrir a imagem de alguém que as ofenderam em algum momento… Não são poucos os casos de jovens de jovens que tiveram fotos íntimas publicadas na internet depois de suas separações…
Mas a revista traz uma conclusão importante para o drama da humanidade… de acordo com a Veja, a lição que podemos aprender na história é que foi através do perdão que a humanidade conseguiu interromper as espirais de violência provocadas pela vingança.
E penso que, embora o impulso da vingança esteja amalgamado dentro de cada um de nós, a publicação tem toda razão. Toda vez que o ser humano tenta responder um tapa com outro tapa, toda vez que isso acontece, o quadro de tensão inicial tem como conseqüência um fato novo e, quase sempre, mais grave.
É por isso que temos que aprender a perdoar, pelo nosso próprio bem. A máxima de darmos o outro lado da face quando somos agredidos também é clara. A atitude pacificadora, o perdão… é sempre a saída mais sábia.
Mas talvez digamos: “estou muito magoado… fui ofendido… o que fizeram comigo foi muito grave”. Sei que algumas atitudes nos entristecem e despertam a nossa ira. Nossa atitude mais natural é mesmo partir para a retaliação; imaginar uma forma de nos vingarmos da pessoa que nos fez algum mal.
Acontece que nossos desejos instintivos nos levam a cometer um novo erro.
Entretanto, é muito mais salutar e superior relevar e perdoar. Por isso, como encerra a reportagem da Veja, mesmo contra a nossa vontade, temos a sabedoria necessária para perdoarmos.
Sob o prisma religioso, a questão aqui é a reação pessoal manifestada pela pessoa lesada em relação à pessoa que provocou o mal. Contra aqueles que não veriam mais do que a aplicação estrita da pena prescrita pelas normas religiosas em alguns sistemas (a do olho por olho, por exemplo... ou da amputação da mão em caso de furto...), endurecendo-se em um legalismo estreito, temos que os tais princípios da proporcionalidade outrora estabelecidos, hoje são interpretados conforme critérios de benevolência e mansidão, permeados pela recusa à vingança e pelo perdão das ofensas. A idéia de um Deus opressor, que julga os homens com rigor, hoje fica substituída pela figura do Deus da Graça.
Mas voltando ao binômio vingança X perdão. O pai que não elogia, mas está sempre pronto a criticar; o chefe injusto que nos entrega a carta de demissão; o cônjuge que trai... pessoas que podem nos magoar de tal forma talvez levemos anos a nos recuperar, se é que alguma vez o conseguiremos. Estamos ressentidos. Dizemos-lhes as piores coisas que conseguimos (ou pensamos naquilo que gostaríamos de ter dito). Queremos vingança.
Mas, na realidade, a melhor forma de nos sentirmos satisfeitos é o oposto da vingança: dizer "perdôo-te" poderá ser a atitude mais nobre que alguma vez tomaremos. Perdoar não significa ceder; significa esquecer. Quando perdoamos, deixamos de estar emocionalmente agrilhoados à pessoa que nos fez mal.
Uma sobrevivente de maus tratos na infância diz: "O perdão liberta-nos do pesadelo de outra pessoa, permitindo-nos viver em estado de graça." Se perdoar alguém nos faz sentir tão bem, por que será que tanta gente arrasta consigo tanto ressentimento? Uma explicação poderá ser a compensação pelo sentimento de impotência que sentimos quando alguém nos magoou. As pessoas poderão sentir-se mais poderosas quando cheias de raiva.
Mas o perdão incute uma sensação de poder muito maior. Quando perdoamos, recuperamos o nosso poder de escolha. Não importa se o outro merece perdão; impor ta que nós merecemos ser livres.
Outra razão por que poderemos recusar o perdão é o medo de parecer que somos fracos ou que capitulamos. Há quem pense que desculpar é o mesmo que dizer que se estava errado e que a razão estava do lado da outra pessoa. Mas perdoar não é libertar a outra, pessoa. É tirarmos o punhal que nos espetaram nas nossas próprias costas. O perdão liberta a ex-mulher que permanece amargurada com o ex-marido, o empregado preterido numa promoção ou o parente que não foi convidado para um casamento.
Em muitos casos, a outra pessoa nem sequer está ciente do nosso descontentamento enquanto nos dilaceramos com a amargura, a pessoa que nos magoou não sente nada. O perdão é bom tanto para o corpo como para a alma. O passado fere-nos de cada vez que o revivemos e isso prejudica-nos a saúde. Está provado que o simples recordar do incidente que nos magoou é prejudicial para o coração. E os sentimentos negativos que provocam stress também são geralmente apontados como responsáveis pela tensão alta, pelas doenças coronárias e pela maior susceptibilidade de contrair outras doenças.
Apesar de as dores mais terríveis poderem ser infligidas em apenas alguns minutos, perdoar o culpado pode demorar bastante mais tempo. Ao princípio, experimentamos sentimentos negativos como a raiva, a tristeza e a vergonha. Depois, tentamos compreender o que se passou ou ter em conta as circunstâncias atenuantes.
Por fim, aprendemos a ver a pessoa que nos magoou com outros olhos. Numa perspectiva mais ampla, a pessoa que nos fez sofrer aparece-nos como alguém que estava fora de si, fraca, doente ou inconsciente do mal que fazia. Alguns de nós poderemos nunca atingir o estágio final do perdão. Aqueles que sofreram traumas de infância devidos a pessoas de quem gostavam e em quem confiavam poderão achar este processo particularmente difícil.
No entanto, até um perdão parcial poderá ser benéfico. Se pretende aprender a perdoar, mas não sabe como começar, siga estas sugestões:
Faça a experiência com os ressentimentos menores: o perdão daquelas coisas menores (o empregado que nos prejudica no troco ou o condutor que nos bloqueia o caminho) prepara-nos para a tarefa mais difícil de perdoar as ofensas graves.
Liberte-se dos maus sentimentos: confidencie a sua raiva ou desilusão a um amigo ou conselheiro próximo. Conseguirá assim sentir a fortalecedora experiência de ser ou vido. Poderá descarregar aquilo que sente sem o perigo de dizer ou fazer algo de que se arrependerá mais tarde. As estratégias de libertação da agressividade, como esmurrar uma almofada, ajudam. Se estiver mais triste que zangado, escreva um diário. Mas evite atitudes negativas de raiva, como conduções descuidadas, bater de portas ou partir objetos.
Escreva uma carta à pessoa que o magoou: exponha a verdade daquilo que aconteceu de acordo com a sua perspectiva, sem acusar nem julgar. Utilize frases na primeira pessoa do singular: "Creio que ...", "Não compreendo ...", etc. Descreva o impacto que o comportamento da outra pessoa teve sobre si e exprima o seu desejo de ouvir o que ele ou ela sentem acerca do sucedido, para que a questão se resolva. Deverá enviá-la pelo correio? Se puder, faça-o. Mas se a pessoa que lhe causou sofrimento estiver morta ou incapacitada de ouvir aquilo que tem para dizer-lhe, alguns conselheiros aconselham a queimar a carta, uma forma simbólica de deixar que a sua raiva se desvaneça em fumo.
Não veja o confronto como necessário: em casos de incesto, tentativa de violação ou outros atos criminosos, as vítimas podem evitar perdoar ao agressor porque temem confrontá-lo. E não é realmente necessário enfrentá-lo. O perdão poderá dar-se sem influência ou conhecimento alheios. As pessoas que perdoamos podem nunca compreender que nos fizeram mal, ou nunca saber que as perdoámos. Podem ser alcoólicos que não compreendem aquilo que tentamos dizer. Podem negar tudo. O que importa é que nos libertemos da nossa raiva.
Ouça com empatia: se chegar a confrontar-se com o seu agressor, ouça em silêncio, repetindo depois aquilo que acaba de ouvir. Ao fazê-lo, começará a ver o seu comportamento de outra forma, tornando-se mais tolerante, o que poderá levar ao perdão.
Medite ou reze: "errar é humano, perdoar é divino", escreveu o poeta Alexander Pope. Nada é melhor do que atentar para sua espiritualidade ou Fé, seja ela qual for, afinal, perdoar poderá exigir mais do que temos para dar só por nós.
Não pense que perdoar é esquecer: porque não é. Não conseguimos esquecer os traumas, nem deveríamos fazê-lo. Essas experiências ajudam-nos a não sermos vítimas novamente e a não ferirmos os outros.
Olhe para o futuro: ao fazê-lo, poderá beneficiar da perspectiva que o tempo lhe proporciona, sem ter de esperar anos para conseguir alcançá-la. Veja o caso de duas irmãs que se zangaram numa discussão sobre quem cuidaria da sua mãe doente. A que vivia mais perto da mãe não gostava de ter de cuidar dela todos os dias, enquanto a que vivia mais longe se limitava a enviar cheques. Por fim, a irmã que se zangara perguntou-se o que pretendia para o futuro. A resposta foi: "Quero ter uma boa relação com a minha irmã", disse ela. A única forma de atingir esse objectivo era ultrapassar a minha raiva e perdoar-lhe. Hoje, conseguem falar da mãe sem trocar palavras duras, e a irmã que vive mais longe revela-se mais disposta a telefonar aos médicos e a participar na tomada de decisões.
O perdão leva à paz interior. Depois de termos perdoado, rimo-nos mais, temos sentimentos mais profundos, sentimo-nos mais ligados aos outros. E os bons sentimentos que geramos prepararão o caminho para uma cura dos traumas ainda mais completa.
É isso.